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| Projeto Ondas auxilia crianças carentes - Foto: Camila Borgonovi |
Muito se tem falado sobre a função social do esporte e o surf não poderia deixar de participar da discussão. Os projetos que buscam afastar crianças do perigo das drogas e da marginalidade se multiplicam do Nordeste ao Sul. A grande maioria das iniciativas envolve pessoas sérias, porém há casos suspeitos de ter como objetivo só conseguir dinheiro da iniciativa privada ou do Governo. Analisar se merecem apoio é um direito e um dever de quem contribui, assim como fiscalizar e punir aproveitadores é função das autoridades. Aqui, o debate proposto é se deve a sociedade suprir uma deficiência do Estado.
Muitas pessoas ligadas ao surf se perguntam se ajudariam mais o Brasil se mobilizando para cobrar o Governo que não dá condições às nossas crianças e jovens de sonharem com um futuro melhor. Porém, há uma grande parcela de defensores da idéia de que a situação é de emergência e não se pode ficar esperando que os políticos percebam a gravidade do problema. Os dois lados têm razão: as ações que se desenvolvem em muitos picos têm dado bom resultado, o que não impede o surf de se posicionar mais claramente.
Recentemente, vimos o presidente da República, o governador carioca e o prefeito do Rio de Janeiro posando com pranchas e anunciando que um Centro de Juventude da "Cidade Maravilhosa" iria ter oficina de pranchas administrada por uma ONG. Nesse caso, vemos a união de uma iniciativa social de pessoas ligadas ao surf e uma obra do Governo. Aparentemente, é uma solução viável, pois junta quem entende do assunto e quem tem dinheiro (arrecadado dos impostos). Mas, ainda há uma coisa pegando: o funcionamento das ONGs.
A sigla significa "organização não-governamental", mas são raríssimas as que conseguem fazer algo sem ajuda oficial. Essa situação permite que aproveitadores criem entidades quase de fachada e consigam recursos públicos sem prestar contas devidamente. A solução para se impedir que aconteçam desvio de função é a comunidade do surf ser mais efetiva politicamente, apontando os problemas dos carentes e pedindo soluções do Governo. Além disso, os amantes do esporte devem se informar sobre os projetos existentes e elogiar os que merecem, mas sem medo de apontar quem não honra o espírito da solidariedade que o surf ensina.

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