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| Pai é importante em todas as horas - Foto: surfmag.com |
Por Henrique Chaves (Visionário do surf)
Sinto-me feliz e esperançoso após um almoço de família da qual eu não participava há tempos. Rever todos que cresceram comigo é sempre agradável. Comprovado pelos poucos minutos de conversa com cada um entende-se como é bom estar em família. E ainda mais quando percebe-se a multiplicação dela, com inclusões de novos membros em tão pouco tempo. Uma delas a minha noiva, e várias delas a criançada.
E parte daí a minha esperança. Ver nos olhos de meu sobrinho Pedro, 5 anos, um misto de espanto, interesse e curiosidade, quando sua mãe me apresenta como professor de surf. Foi gratificante. Ela me diz: "O Pedro teve contato com as ondas em cima de um morey boogie (para ela!) a pouco tempo. Passou dias em cima da prancha sem querer saber de largá-la. E olha que ele fez direitinho! (orgulhosa)".
Entendi o porque do espanto do garoto. Talvez maior por ter acabado de descobrir que tinha mais um tio (devido a distância que a praia me obriga a ter). Mas maior ainda por descobrir que tio é SURFISTA.
Imagino que nos seus poucos anos de vida ele tenha recebido milhares de notícias e imagens sobre o surf, o que possa explicar o seu interesse. Talvez ele obtenha muito mais informação do que eu ou seus pais possamos imaginar, devido as facilidades da vida moderna e o conhecimento global que esta oferece. Isso implica em todos os meus pensamentos sobre formar o nosso CAMPEÃO MUNDIAL.
Sabendo que o Pedrinho terá uma vida confortável de agora para a frente, que ele possuirá inúmeras possibilidades de conhecer diversos lugares, ter acesso a uma excelente educação (internacional) e ter uma família estável, não só no aspecto financeiro, mas em todos, e principalmente emocional. Isso me leva a crer que eu sei em quem apostar para alcançar aquilo que procuro (procuramos!) enquanto trabalhar para o surf.
Quando falam em "EU invisto na iniciação do surfista; dou patrocínio, salário, condição de trabalho, viagens e material", estes apenas se esquecem que o atleta-mirim é um ser. Interage, a todo momento, não só com aquilo que o patrocinador enxerga mas também com a sua realidade - aquela que já conhecemos: falta de estudo, família, comida, carinho, dinheiro, condições de higiene e mais. Sem estudo não se chega longe. Caso aconteça, é o famoso "um em um milhão". Temos que enxergar o patrocínio não só como "dinheiro", mas sim como "EDUCAÇÃO". Devemos apostar na educação. Acredito mais ainda: sabendo da dificuldade que a sociedade brasileira se encontra de acordo com sua cultura, pelo menos precisamos construir CENTROS DE TREINAMENTOS DE SURF E EDUCAÇÃO - ou seja - uma escola que utilize o surf como ferramenta para atrair a todos.
Mas não adianta fazer em um só lugar, tem que estar ao menos em todas as cidades litorâneas! Quem sabe até modificar os antigos modelos escolares para que possam utilizar o esporte como um chamariz para aproximar os alunos da escola. Talvez ele, Pedrinho, nunca venha a ser um surfista. Se considerarmos o dia-a-dia de sua família, sem surf style, dificilmente ele dará continuidade no esporte quando crescer.
Mas enquanto eu estiver acreditando que ele tenha potencial para tal, mostrar-me interesse contínuo nesta fase e encontrá-lo nas praias e reuniões familiares da vida, estarei sempre ali, dando aquele empurraõzinho na sua prancha e nas suas vontades temporárias, estimulando-o a CONTINUIDADE DO SURF em sua vida, oferecendo-lhe alguma oportunidade, e a continuidade do surf na nossa família. Serei o PAI VISIONÁRIO dele no surf. O apoiador.
Este exemplo eu trago de meu pai, esse sim o VERDADEIRO visionário. O cara que, em 1982, me deu a primeira prancha. Aos seis anos. Em uma época em que o surf praticamente passava-se por marginal, criminalizado. Um homem* que soube enxergar a frente a importância de fazer com que seu filho pudesse aprender e experimentar tudo aquilo que o interessava, não influenciando em decisões sobre o futuro do pequeno. Deixando a mim minhas escolhas desde criança, aprendendo e apanhando a ser feliz. Um delegado de Polícia, coronel, exigente de difícil relação. Como que nessa época ele pode permitir-me o surf? Só mesmo um amoroso e visionário pai faria isso por seu filho.
Por isso termos um PAI NO SURF é de extrema importância para que possamos trabalhar nossos futuros ídolos, surfistas e homens. A educação é essencial para a formação do ser, para a formação de CAMPEÕES!
Pense no futuro!
Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e homenageia a todos os pais, ao agradecer ao seu pelo amor que recebeu e por ter lhe dado a liberdade de escolher.

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