segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A ação social do surf deve ser mais política

Projeto Ondas auxilia crianças carentes - Foto: Camila Borgonovi
Muito se tem falado sobre a função social do esporte e o surf não poderia deixar de participar da discussão. Os projetos que buscam afastar crianças do perigo das drogas e da marginalidade se multiplicam do Nordeste ao Sul. A grande maioria das iniciativas envolve pessoas sérias, porém há casos suspeitos de ter como objetivo só conseguir dinheiro da iniciativa privada ou do Governo. Analisar se merecem apoio é um direito e um dever de quem contribui, assim como fiscalizar e punir aproveitadores é função das autoridades. Aqui, o debate proposto é se deve a sociedade suprir uma deficiência do Estado.

Muitas pessoas ligadas ao surf se perguntam se ajudariam mais o Brasil se mobilizando para cobrar o Governo que não dá condições às nossas crianças e jovens de sonharem com um futuro melhor. Porém, há uma grande parcela de defensores da idéia de que a situação é de emergência e não se pode ficar esperando que os políticos percebam a gravidade do problema. Os dois lados têm razão: as ações que se desenvolvem em muitos picos têm dado bom resultado, o que não impede o surf de se posicionar mais claramente.

Recentemente, vimos o presidente da República, o governador carioca e o prefeito do Rio de Janeiro posando com pranchas e anunciando que um Centro de Juventude da "Cidade Maravilhosa" iria ter oficina de pranchas administrada por uma ONG. Nesse caso, vemos a união de uma iniciativa social de pessoas ligadas ao surf e uma obra do Governo. Aparentemente, é uma solução viável, pois junta quem entende do assunto e quem tem dinheiro (arrecadado dos impostos). Mas, ainda há uma coisa pegando: o funcionamento das ONGs.

A sigla significa "organização não-governamental", mas são raríssimas as que conseguem fazer algo sem ajuda oficial. Essa situação permite que aproveitadores criem entidades quase de fachada e consigam recursos públicos sem prestar contas devidamente. A solução para se impedir que aconteçam desvio de função é a comunidade do surf ser mais efetiva politicamente, apontando os problemas dos carentes e pedindo soluções do Governo. Além disso, os amantes do esporte devem se informar sobre os projetos existentes e elogiar os que merecem, mas sem medo de apontar quem não honra o espírito da solidariedade que o surf ensina.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Pranchas. A importância do quiver adaptado

Donavan com seu quiver de responsa - Foto: Divulgação
Por Henrique Chaves (o Visionário do Surf)

Surfistas potenciais existem a rodo no Brasil. Acredito na capacidade do brasileiro. Acredito sim em muita gente. Free-surfers que surfam e pegam ondas de qualidade, executam manobras com perfeição. Muitos passam, por certos momentos, como surfistas anônimos que fazem a sua sessão e caem no esquecimento ao final do dia. Fazem por prazer e não se preocupam com comentários. Fazem sem cobrança, sem pretensão.

Ainda encontramos muitos que se preocupam com a imagem. Um short colorido, uma lycra zebrada, um boné aquático, uma luva. Tudo que possa o diferenciar da maioria dos seres sub-aquáticos que se encontram nos rituais de purificação dentro do mar (o surf!).

Quem é que não gosta de ser reconhecido após uma bela queda, uma forte manobra ou um brilhante tubo ao sair da água? Perceber que muitos o acompanhavam em cada movimento, em cada execução, em cada braçada? Eu gosto. Acredito que você também.

Mas o lado ruim nos acompanha. Aquele dia de ondas tenebrosas, aquela prancha que não suporta o seu peso, aquela outra estreita demais, outra biquilha, mar fechadeira, correnteza, entre outros. Já o nosso público continua o mesmo. Os amigos, Marias Parafinas, qualquer um. Estes nunca mudam. E estão presentes a todo momento. Como mostrar o potencial em dias como estes? Qual a desculpa? Estava cansado? Virou a noite após uma festa que terminou apenas ao molhar os pés de manhã? Está há dois meses sem surfar?

Muitos desconhecem a importância das pranchas neste momento. Talvez não por burrice, mas por falta de informação, preguiça de correr atrás delas ou por último, a falta de recursos financeiros para montar o seu quiver. Vou deixar esta última de fora.

Conhecimento hoje não está difícil. Basta ver o que temos a disposição. Especialistas estão cada dia mais perto de nós, a um click do mouse. Buscar informações sobre tipos de ondas, altura, intervalo entre séries, fundos naturais, ventos, posicionamento da praia, tipos de materiais, desings, linhas, bordas, noses, fundos de pranchas e outros estão a disposição. Claro que nem sempre podemos confiar em informações que não possuem um autor. Mas na grande maioria das vezes estas funcionam. E nos ajudam.

Quantas quedas na minha vida senti que o melhor seria nem ter entrado? (Ops, exagerei. Sempre vale a pena pular no mar. Foi força de expressão). Mas quantas também sai igual a Rei? Barriga cheia, satisfeito, feliz? E equiparando apenas duas delas encontro ondas muito parecidas, em tamanho. O que fez a diferença em uma delas e na outra não? Saiba sempre que a possibilidade de surfar com excelência em quase todas as vezes em que você for para o mar é viável. Preste atenção nas variáveis que nos cercam. O fato da onda estar gorda, cavada, rápida, caixote, espumeira. Com o equipamento certo você terá horas de prazer.

É um bom momento para experimentar novas tecnologias, novos formatos de shapes, novos equipamentos. Ou você acha que o profissional mantém um quiver apenas para ter as pranchas? Quantos possuem no quiver pranchas de tamanhos iguais? Verificando a fundo você descobrirá, pelas medidas, que cada foguete tem a sua especificação, sua característica. E isso fará a diferença na hora da bateria.

Podemos não ter condições para possuir uma garagem cheia delas. Mas nem por isso deixaremos nos abater. Uma dica? A prancha que seu amigo jogou fora por estar velha, o longboard na qual você sempre manteve o discurso de que aquilo era só para velhos, a prancha quebrada achada no lixo na saída da praia em dia de ondas grandes. Todas estas servem. Basta arrumá-las ou adaptá-las. Uma quilha a mais, uma a menos, uma diminuição no tamanho da velha. Você mesmo poderá construir o seu foguete, a partir de tocos abandonados. Surfe em pé no bodyboard. Surfe de base trocada. Plante bananeira no long e executa um floater (difícil essa), pratique o body surf. Aproxime-se do mar. Crie uma intimidade! Experimentar o novo faz bem. Nos impulsiona para novas conquistas! Fique atento a detalhes. Estes farão a diferença.

Basta ter alma. Basta ter vontade. Conhecimento se adquire. Informações estão a disposição. E então parta para mais um dia de surf. ´Basta ter a prancha ideal. Para o momento a sua frente. Encarar com leveza e velocidade, em mares que não acreditamos muito no resultado da nossa performance dentro da água`.E então seremos mais felizes. Pense na sua evolução e no seu futuro.

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e sente-se recompensado em compartilhar seus conhecimentos sobre surf.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A arte de entubar

Tubo é um momento mágico - Foto: Tim Mckenna
Por Bruno Ruy

Estimativas apontam que menos de 5% dos surfistas de todo o mundo dominam a técnica para se colocar constantemente dentro de tubos. Além da dificuldade da manobra, são poucas as ondas consistentes que quebram tubulares e com uma boa formação. A maioria dos tubos não dura mais de três segundos. Em uma elite de picos, como Kirra, na Austrália, e G-Land, na Indonésia, os tubos podem durar até 15 segundos em dias épicos.

Até a década de 50, pegar tubos era raro. No início dos anos 60, os havaianos Conrad Cunha e Sammy Lee passaram a entubar com regularidade. O californiano Butch Van Artsdalen é conhecido como o primeiro tube rider da história. Artsdalen conquistou tal reputação com suas performances épicas em Pipeline, onde estabeleceu os novos padrões, com um tubo surfado em novembro de 1962, ao ser totalmente coberto pela onda e cuspido para fora como um foguete.

Nos anos 70, o sul-africano Shaun Tomson e o havaiano Gerry Lopez mostraram ao mundo novas maneiras de permanecer o mais tempo possível entocado. Tomson, campeão mundial em 1977, desenvolveu uma técnica própria de manobrar a prancha, enquanto encoberto pela crista da onda, que permitiu que ficasse mais fundo do que qualquer outro surfista da época. Lopez chocou o público com a extrema calma e confiança com que botava para dentro nas maiores ondas em Pipeline. O seu jeito zen de entubar virou referência de estilo e ainda hoje é imitado por surfistas de todo o planeta.

Até a década de 90, a esmagadora maioria dos tubos era surfada em ondas de no máximo 15 pés. Não eram comuns as tentativas em ondas gigantes até que big riders, como os havaianos Titus Kinimaka e Brock Little, passaram a se colocar dentro de tubos monstruosos em Waimea. O tow-in possibilitou que a barreira fosse rompida: rebocado por um jet-ski, o surfista tem condições bem melhores de se posicionar em lugares mais críticos. Hoje, os mais corajosos surfistas de ondas gigantes pegam tubos em ondas de até 50 pés em Jaws, na ilha de Maui, no Hawaii.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado pelo surf e admira as feras que dominam os segredos da melhor e mais desejada manobra do surf.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Só o tempo vai dizer o que é melhor para o atleta

Para Slater, é hora de elevar o nível - Foto: Si.com /CNN
Por Michel SP

Que o surf mundial evoluiu pouco nos últimos anos não temos dúvidas, mas será que o circuito rebelde de Kelly Slater e companhia é a solução para a evolução do esporte?

Premiação milionária, disputas entre os grandes nomes do esporte do começo ao fim, cobertura televisiva e patrocínio de grandes corporações fazem com que os amantes da competição se derretam para a possível mudança.

O fato gerou algumas polêmicas. Os contrários à realização do campeonato dizem que é apenas uma jogada de marketing e que a imagem e reputação do enecampeão estão sendo usadas para criar um negócio multimilionário.

Não sabemos detalhes do novo formato e nem se irá realmente existir. Nem mesmo os critérios que serão utilizados para definir os convidados. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: Com o novo formato de Slater, o World Tour da ASP pode acabar?

Slater diz que não, mas tenho minhas dúvidas. Os olhos de todos os atletas vão brilhar no momento em que sair a lista de convidados. O foco será voltado para as etapas do "tour rebelde", já que o atleta que for eliminado logo de cara, sai da água com uma bolada digna de um campeão de uma etapa da ASP. Sem falar no prêmio máximo e na mídia especializada caindo matando em cima dos "tops dos tops".

O fato é que, caso venha acontecer, os profissionais gabaritados para concorrer no novo circuito podem comemorar. Terão seus nomes expandidos, seus patrocinadores girando o planeta junto com a novidade e suas contas bancárias mais gordas.

Já não posso dizer o mesmo da nova geração, dos atletas da divisão de acesso, da galera que sua a lycra para se manter vivo na, até então, elite mundial e de quem se sente realizado ao barrar um top 10 ou 5 da lista de melhores do mundo em uma decisão. Dizem que não há limites para sonhar, mas neste caso, a maioria vai ter que se contentar em limitar, ou não, seus objetivos no esporte.

O único ponto em que ambas as partes pensam iguais é que uma divisão no surf não seria a melhor saída para pensar em evolução. Mas se os dois lados não entrarem em comum acordo, pode ser que aconteça.

Na minha opinião, apenas seis meses de temporada, oito etapas nos melhores picos do mundo e milhões em jogo, acho difícil algum surfista convidado vir para o Brasil, por exemplo, disputar uma etapa do World Tour no formato atual.

A culpa é de quem? Da ASP? Das marcas patrocinadoras? Dos surfistas? Agora está ficando tarde para se arrumar um culpado. E como vovó já dizia, quem pode mais, chora menos. E no caso especifico, Slater está acima da entidade ASP. Ou não?

Em entrevista, Slater avalia que o projeto é para o bem do surfista profissional: "Se você pensar bem, vai chegar a conclusão que pouco mudou no circuito da ASP nos últimos cinco anos. A premiação não vem crescendo como deveria e a exposição na mídia está longe de ser satisfatória".

Para os "rebeldes", chegou a hora de elevar as competições de surf a um novo patamar. "É uma enorme oportunidade. O circuito será baseado naquilo que os surfistas querem em termos de julgamento, localização, formatos, entre outros", disse Slater sobre o projeto. Haverá até uma equipe dedicada em tempo integral à exibição televisiva e digital do evento.

Agora, tenta convencer quem vai ficar de fora da mamata que essa é a melhor solução para a tão sonhada evolução.

Compare as possíveis rivais mundiais:

ASP World Tour

10 etapas entre fevereiro e dezembro
45 participantes
Premiação por evento: U$ 340.000,00
Prêmio mínimo em dinheiro: U$ 4.700,00
Cobertura: notícias e boletins diário em canais de esportes, exibição digital em diversos sites e transmissão das etapas por parte dos patrocinadores.

"Circuito Rebelde"

8 etapas entre maio e setembro
16 participantes
Premiação por evento: U$ 1.5 milhões
Prêmio mínimo em dinheiro: U$ 40.000,00
Cobertura: programas agendados em pay-per-view pela ESPN e transmissão digital a partir de um site próprio.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Um novo formato: Futuro incerto no surf

Evolução no surf ou grana no bolso?
Por Henrique Chaves (o Visionário do Surf)

O grande mestre Slater dispensa apresentações. Atravessou mais de uma década no surf à frente de todos. Dentro e fora da água. Tive a oportunidade de vê-lo surfar várias vezes. Duas muito me marcaram. Em Snapper Rocks / Kirra, na Gold Coast australiana e outra em Maresias, São Sebastião, SP. Esta última durante o Legends, evento com os grandes nomes da história do surf nacional e com algumas presenças internacionais. Mar pequeno (muito), praia lotada, crowd insuportável. Olhando para o mar a sensação que tínhamos era de um monte de pescadores gastando tempo dentro do oceano. E eis que aparece nosso homem, saindo de dentro de uma casa a beira-mar, sem palavras. Apenas uma rápida olhada e lá está ele, em 3 ou 4 ondas aonde todos ignoravam, no inside. Simplesmente achou "agulhas" no palheiro. Surf de outro mundo. Até tubo sobrou nestes 15 minutos de queda. Não me perguntem como ele conseguiu. Apenas testemunhei.

Anos se passam com o domínio de Kelly. E agora volta a cena de novo. Ou melhor. Não sai dela. Apenas começa a direcionar o seu trabalho para outros investimentos. Um deles um novo circuito mundial. Ou um paralelo ao formato original do WCT. Penso: "Cara, que bom, Slater pensa o mesmo que eu. Pensa na melhoria dos eventos de surf, nas remunerações para atletas e staffs, na entrada de novos investidores, em novas formas de colocar o surf na mídia de massa e muito mais".

Um projeto como este, vindo do nosso Pelé do surf (se é que não o Pelé é o Kelly do futebol, pois a superioridade de KS em sua modalidade é superior ade Pelé no futebol), apoiado por pessoas do mais alto calibre no surf e seus segmentos, faz-me acreditar que aos poucos ajustaremos nosso esporte entre os maiores e mais rentáveis da história, seguindo os modelos do tênis e do golfe profissional.

Apego-me a conseguir informações sobre este novo modelo de competição. Interessantes por sinal. Período reduzido, com a média de cinco meses no ano para a realização de oito etapas; Lugares extremamente escolhidos a dedo, após um estudo de anos sobre ondulações e condições de surf de cada local em potencial; premiações que extrapolam o imaginado hoje em dia. Para termos uma idéia, hoje o atleta que é desclassificado na primeira rodada do WCT embolsa quase R$ 5.000,00. Isso ajuda com os custos básicos de permanência no local durante a etapa. Os "sem patrocínio" agradecem. Mas nesse novo molde, aquele que sair derrotado na primeira fase embolsará uma quantia próxima de R$ 40.000,00. Não sei porque me espantei no início, logo eu que acho isso justo, pensando na profissionalização do esporte e na sua evolução profissional fora da água. Mas um salto como este de uma hora para outra pega a todos de surpresa.

Outras benfeitorias estão dentro do pacote proposto pelo nosso líder no surf. Acho grande parte delas de muita valia. Mas uma informação assusta a todos os amantes e seguidores do esporte. Um evento "apenas" para convidados, com um volume de participantes variando entre 12 e 16 surfistas. Definidos pelo critério de capacidade do atleta em evoluir e desenvolver o surf em si, além dos limites impostos hoje em dia. Então me pergunto: "Esta ação é uma evolução para o surf competição ou uma evolução financeira para uma ´elite`, com membros ´convidados`, com fins totalmente lucrativos para um pequeno grupo?"

Esse evento fará com que muitos deixem de participar e de correr o circuito mundial apenas por sonhar em fazer parte desta comunidade. Muitos já começam a discursar que estão cansados do modelo atual, que já não se interessam mais pela competição, que são mais ´free surfers` e que precisam de tempo livre maior para cuidar de outros projetos, ou até mesmo da família. Ou seja, alguns estão de olho no que esse nosso circuito possa oferecer de melhoria para eles, não pensando na modalidade.

Entendo que um campeão se faz com um esforço sobrenatural, em todos os momentos de nossa vida. A pressão, as desilusões, as condições das competições, a dificuldade de acesso a materiais de qualidade, a diferença entre competidores sobre conhecimento, educação, a língua, o desconhecido.

Um campeão, para mim, deve enfrentar todas as adversidades a qualquer instante e, num certo momento, procurar o equilíbrio para vencer e avançar a cada batalha. Condição das ondas, vento, clima, tudo isso influencia também. Acredito até que aumentar o tempo de férias seja justo. Mas limitar a poucas pessoas, na forma de convites, a participação nas provas, faria com que todos perdessem o interesse em competir para valer, porque afinal, para que eu gostaria de ser um surfista profissional se o lugar que investe e distribui quantias milionárias nunca irá olhar por mim?

Vejo este evento como um novo EDDIE AIKAU – Eddie Would Go, no Hawaii, aonde convidados e alternantes brigam por uma vaga. Um espaço. Não podemos esquecer que lá, no Hawaii, vivemos a reclamar da forma como nós, estrangeiros, somos tratados como sub-seres. Ficamos a mercê das decisões da cúpula hawaiana. E nem as grandes autoridades locais tem poder sobre as autoridades do surf. O evento do Slater passa a seguir a mesma linha, fechando cada vez mais o mercado e desestimulando novos potenciais competidores.

Será mesmo que será um grande evento? Será que o KS realmente acredita que achou a fórmula certa? Afinal, ele está acima de todos e tem cacife para bancar isso. Só que para mim não. Ou será que estou errado?

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e acredita que todos devem ter chances iguais no surf e na vida.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O surf precisa pensar a longo prazo

Surf está longe de se tornar esporte olimpico - Foto: Agência
Foi divulgada na quinta-feira (13) a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de indicar o golfe e o rúgbi como novas modalidades a serem disputadas a partir da Olimpíada de 2016 (a que o Brasil quer sediar). Dançaram o beisebol, softbol, squash, caratê e a patinação. Alguém pode se perguntar o que isto tem a ver com o surf. Oras, não se pode esquecer da galera que sonha em ver feras como Slater e Parkinson (por que não nosso Mineirinho?) na maior competição esportiva do planeta. Agora, os amantes do surf já sabem que isso será impossível, a não ser que se crie uma categoria de veteranos, se o esporte conseguir uma brecha em 2020.

Apesar de várias pessoas, que deveriam estar bem informadas sobre o mundo do surf, saírem dizendo que estava perto de se ver as pranchas em ação olimpíada, a verdade é que não há nenhum trabalho efetivo nesse sentido. Mas, não se deseja registrar aqui nem a justiça ou a necessidade de o surf dar esse passo. Todos reconhecem que nosso esporte, por depender ainda totalmente da natureza e de picos específicos, teria dificuldades para se enquadrar num evento de 30 dias, em climas diferenciados, e que muda de continente a cada quatro anos. Só as ondas artificiais permitiriam isso, mas é coisa para o futuro distante.

Na verdade, a lição que fica da luta de outras modalidades para entrarem na olimpíada é que este trabalho é de longo prazo. Essa mentalidade falta aos responsáveis pela administração do surf no Brasil e no mundo. Às vezes, nem se sabe quem vai patrocinar uma disputa programada no inicio do ano, como aconteceu com o circuito mundial feminino que teve a etapa do Rio cancelada. Precisamos aprender a pensar a longo prazo.

A grande maioria dos envolvidos no esporte sabe que há algo de errado no sistema. Estão surgindo propostas de mudanças nas fórmulas de disputa ou em um detalhe ou outro. Porém, tudo no plano experimental. Não se vê um planejamento que envolva, também, o outside do planeta surf e isso é fundamental para o crescimento no futuro. Afinal, o surf precisa de mais público, precisa de mais divulgação e só conseguirá ter isso se acreditar que deve dar atenção ao "longo prazo". Assim, quem sabe, um neto do Mineirinho, consiga o ouro olímpico.

O verdadeiro espírito Aloha

Cesar em ação dividindo a felicidade - Foto: Arquivo pessoal
Por Cesar Calejon

Observando os surfistas em geral nos picos onde surfo, tenho a impressão de que existe uma animosidade que transcende o limite do que pode ser entendido como uma disputa natural para pegar as melhores ondas. Existe muita amizade, é verdade, mas também há uma quantidade desnecessária de discussão e brigas. Acertar grandes movimentos: aéreos, manobras com giro e se destacar são, via de regra, orientações que nós seguimos muito mais do que seguimos o que dizem as idéias originais relacionadas ao surfe: o espírito Aloha.

Segundo o Wikipedia, "Aloha significa afeição, amor, paz, compaixão e misericórdia. Derivado da etimologia folclórica havaiana, o termo também remete às idéias de presença, face, compartilhar e ao Sopro da Vida (breath of life ou essence of life). Acredito que todo surfista sabe o que Aloha significa, mas a prática diária, seja com um lineup ou com as ruas lotadas de carros, é que oferece o grande desafio. Você cumprimenta os outros surfistas quando chega lá fora? Ou sai remando que nem louco para pegar a sua primeira onda?

Compartilhar com alegria a essência da vida é o que Aloha realmente traduz e esta é a melhor lição que o surfe pode ensinar: estar no mar com outros seres humanos é uma benção! "Muita gente e poucas ondas, aí entra o espírito Aloha".

Cesar Calejon é jornalista, apaixonado por surf e acha que o esporte é para se fazer amigos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ter um “Pai no Surf” é a melhor maneira de se fazer um campeão

Pai é importante em todas as horas - Foto: surfmag.com
Por Henrique Chaves (Visionário do surf)

Sinto-me feliz e esperançoso após um almoço de família da qual eu não participava há tempos. Rever todos que cresceram comigo é sempre agradável. Comprovado pelos poucos minutos de conversa com cada um entende-se como é bom estar em família. E ainda mais quando percebe-se a multiplicação dela, com inclusões de novos membros em tão pouco tempo. Uma delas a minha noiva, e várias delas a criançada.

E parte daí a minha esperança. Ver nos olhos de meu sobrinho Pedro, 5 anos, um misto de espanto, interesse e curiosidade, quando sua mãe me apresenta como professor de surf. Foi gratificante. Ela me diz: "O Pedro teve contato com as ondas em cima de um morey boogie (para ela!) a pouco tempo. Passou dias em cima da prancha sem querer saber de largá-la. E olha que ele fez direitinho! (orgulhosa)".

Entendi o porque do espanto do garoto. Talvez maior por ter acabado de descobrir que tinha mais um tio (devido a distância que a praia me obriga a ter). Mas maior ainda por descobrir que tio é SURFISTA.

Imagino que nos seus poucos anos de vida ele tenha recebido milhares de notícias e imagens sobre o surf, o que possa explicar o seu interesse. Talvez ele obtenha muito mais informação do que eu ou seus pais possamos imaginar, devido as facilidades da vida moderna e o conhecimento global que esta oferece. Isso implica em todos os meus pensamentos sobre formar o nosso CAMPEÃO MUNDIAL.

Sabendo que o Pedrinho terá uma vida confortável de agora para a frente, que ele possuirá inúmeras possibilidades de conhecer diversos lugares, ter acesso a uma excelente educação (internacional) e ter uma família estável, não só no aspecto financeiro, mas em todos, e principalmente emocional. Isso me leva a crer que eu sei em quem apostar para alcançar aquilo que procuro (procuramos!) enquanto trabalhar para o surf.

Quando falam em "EU invisto na iniciação do surfista; dou patrocínio, salário, condição de trabalho, viagens e material", estes apenas se esquecem que o atleta-mirim é um ser. Interage, a todo momento, não só com aquilo que o patrocinador enxerga mas também com a sua realidade - aquela que já conhecemos: falta de estudo, família, comida, carinho, dinheiro, condições de higiene e mais. Sem estudo não se chega longe. Caso aconteça, é o famoso "um em um milhão". Temos que enxergar o patrocínio não só como "dinheiro", mas sim como "EDUCAÇÃO". Devemos apostar na educação. Acredito mais ainda: sabendo da dificuldade que a sociedade brasileira se encontra de acordo com sua cultura, pelo menos precisamos construir CENTROS DE TREINAMENTOS DE SURF E EDUCAÇÃO - ou seja - uma escola que utilize o surf como ferramenta para atrair a todos.

Mas não adianta fazer em um só lugar, tem que estar ao menos em todas as cidades litorâneas! Quem sabe até modificar os antigos modelos escolares para que possam utilizar o esporte como um chamariz para aproximar os alunos da escola. Talvez ele, Pedrinho, nunca venha a ser um surfista. Se considerarmos o dia-a-dia de sua família, sem surf style, dificilmente ele dará continuidade no esporte quando crescer.

Mas enquanto eu estiver acreditando que ele tenha potencial para tal, mostrar-me interesse contínuo nesta fase e encontrá-lo nas praias e reuniões familiares da vida, estarei sempre ali, dando aquele empurraõzinho na sua prancha e nas suas vontades temporárias, estimulando-o a CONTINUIDADE DO SURF em sua vida, oferecendo-lhe alguma oportunidade, e a continuidade do surf na nossa família. Serei o PAI VISIONÁRIO dele no surf. O apoiador.

Este exemplo eu trago de meu pai, esse sim o VERDADEIRO visionário. O cara que, em 1982, me deu a primeira prancha. Aos seis anos. Em uma época em que o surf praticamente passava-se por marginal, criminalizado. Um homem* que soube enxergar a frente a importância de fazer com que seu filho pudesse aprender e experimentar tudo aquilo que o interessava, não influenciando em decisões sobre o futuro do pequeno. Deixando a mim minhas escolhas desde criança, aprendendo e apanhando a ser feliz. Um delegado de Polícia, coronel, exigente de difícil relação. Como que nessa época ele pode permitir-me o surf? Só mesmo um amoroso e visionário pai faria isso por seu filho.

Por isso termos um PAI NO SURF é de extrema importância para que possamos trabalhar nossos futuros ídolos, surfistas e homens. A educação é essencial para a formação do ser, para a formação de CAMPEÕES!

Pense no futuro!

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e homenageia a todos os pais, ao agradecer ao seu pelo amor que recebeu e por ter lhe dado a liberdade de escolher.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Anarco Surf – As Vantagens da Solidariedade

O homem deve praticar a solidariedade - Foto: Criação
Por Eduardo Vertullo

Há algumas décadas atrás o mundo discutia diferentes teorias políticas e dentre elas estava a Anarquia que, por muitas vezes e até hoje sofre uma grande distorção na interpretação de sua teoria política.

A origem da palavra deriva do grego (Anarchê), que significa Sem Governo (An= Sem, Archê=Governo), e que nada tem haver com bagunça, desordem e caos, mas que, ou por interesse ou por limitação intelectual, alguns proliferaram uma idéia errada sobre a filosofia Anarquista e a origem da palavra.

Sua base consiste sobre o livre e voluntário acordo, onde todos os homens compreendem as VANTAGENS DA SOLIDARIEDADE num sistema social sem violência, coação, comandantes e comandados.

O surf e seu life style muito tem haver com a essência anarquista, relatos da história do surf mostram, tanto com palavras, como por imagens a harmonia entre os surfistas e o prazer em desfrutar as ondas junto com amigos, conhecidos e até desconhecidos, dividir uma onda era como se fizesse parte da manobra, e jamais motivo de discórdia ou violência, as VANTAGENS DA SOLIDARIEDADE eram visíveis à todos dentro da água.

Com as competições e a profissionalização do surf, a essência do "Soul Surf" sofreu grandes distorções também, e as disputas pelas ondas ultrapassaram os limites das competições.

Porém a magia do surf induz a todos que o experimenta a uma imensa sensação de liberdade e paz, eliminando qualquer sentimento negativo ou de violência, claro que não para todos, mas para o verdadeiro surfista.

O verdadeiro surfista tem em sua essência a liberdade, a valorização da paz que as ondas e seu estilo de vida proporciona, além do respeito com os direitos do próximo e a natureza.

O homem, surfista ou não, pode aprender com as VANTAGENS DA SOLIDARIEDADE e viver num mundo menos violento e injusto.

Com a perda da filosofia Anarquista o homem se tornou um insulto diante da vida e do planeta, não vamos deixar acabar o "Soul Surf" e propagar como surfistas as VANTAGENS DA SOLIDARIEDADE.

"Anarquia: Teoria liberaria baseada na ausência do Estado, todos os homens tem a consciência de sua responsabilidade perante a sociedade, e que ao prejudicar o próximo está prejudicando a si próprio e o meio em que vive contribuindo para a sua extinção"

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ondas de Arte

Obra: Turtle - Artista: Hilton Alves
Por Marilia Fakih

Já é certo que o surf não é só um esporte. Há quem diga que é um estilo de vida, cultura, outros acreditam que é religião e há os que usem o surf como forma de expressar a arte.

Não são poucos os artistas que se inspiram nas ondas e em toda a magia do mar para criar suas obras de arte. Muitos deles começaram desenhando a "onda perfeita" no caderno da escola e, depois de tomar gosto pela coisa, levaram isso como profissão.

Nesse texto, reuni alguns artistas de maior destaque, seja pela inovação, seja pelo amor que imprimem em seus trabalho ou apenas por serem referência no que fazem.

Hilton Alves

Nascido no Guarujá, em São Paulo, em 1980, Hilton Alves é o brasileiro de maior prestígio internacional quando o assunto é surf e arte. Seu primeiro quadro veio em 2000 e, desde então, ele não deixou mais de pintar, criando imagens surreias sobre o surf, ondas perfeitas e animais marinhos.

Hilton nasceu mesmo para o mar e para a arte e em 2004 decidiu passar todo seu conhecimento para outras pessoas. Surgiu assim o Surf Art Kids, projeto que leva arte e conscientização ambiental a crianças e jovens, e já marcou presença pela Baixada Santista, São Paulo, Porto Alegre, Bahia e Hawaii.


Erick Wilson

Desde a infância, Erick Wilson, nascido na capital paulista, já mostrava habilidade em rabiscos nos cadernos da escola. Surfista desde moleque, Erick cresceu e uniu suas duas maiores paixões.

Hoje é pintor e artista plástico, tendo o surf e a vida marinha sempre presente em suas obras. Erick transita por várias técnicas, como a pintura em tela, azulejos e murais.

Assim como Hilton Alves, Erick também usa sua arte para ajudar crianças com o projeto Amigos do Oceano. Para ele, a melhor coisa da arte é saber que, através de sua pintura, pode passar uma mensagem de preservação dos oceanos. "A arte é um poderoso instrumento de mudança", diz.

O artista criou o nome "Além das Ondas" para exposições individuais que retratam o surf e o oceano. São obras que vão além de paisagens marinhas e água transparente, e passam calma, tranqüilidade e toda a vida que sua arte tem.


Elísio Tiúba

Nascido em Salvador e criado no Rio de Janeiro, mais precisamente no Leblon, Elísio Tiúba também tem o surf sempre presente em seu trabalho, mas se destaca dos demais pela forma que se expressa.

Artista habilidoso, se inspirou nas curvas do surf para pintar telas em branco, pranchas e qualquer outro espaço que estivesse disponível. Deixou assim o título de mau estudante por suas notas na escola para ganhar seu espaço na arte surf.

Diferente de seus companheiros de profissão, Tiuba não pinta ondas cristalinas, quebrando perfeitas na bancada, nem animais marinhos graciosos no oceano, nem paisagens.

Sua arte é composta por cenários modernos, que misturam surf, arquitetura, formas e cores singulares. "A forma como eu pinto ou desenho está totalmente ligada aos movimentos que faço surfando e como enxergo o mar e suas variações. Utilizo técnicas de representação adquiridas graças ao meu interesse pela arquitetura", explica. E completa: "Surfar é como desenhar sobre as ondas".


Drew Brophy

É difícil nascer em San Clemente, na Califórnia, e não estar envolvido com a cultura surf. O artista Drew Brophy não foge à regra.

Quem conhece seu estilo identifica facilmente sua arte. Brophy é mais conhecido pela sua pintura surrealista em pranchas e por seus desenhos altamente coloridos e por seu estilo energético, personagens animados, sol forte e ondas.

A inspiração para ele vem fácil, cada onda surfada ao redor do mundo rende uma obra de arte diferente.

Drew carrega também o título de pioneiro na arte de pintar pranchas. No seu tempo livre, dedica-se a ONG Surfrider Foundation para ajudar na busca em manter os oceanos saudáveis.


Rick Rietveld

O californiano Rick Rietveld é um gênio do surrealismo misturado ao surf. Artista, inventor e empresário, desde que começou a surfar, em 1971, Rick foi fortemente influenciado pela cultura do esporte.

É dele o emblemático quadro do cientista Albert Einstein vestindo um camisão havaiano com uma bela praia ao fundo. Elvis Presley e Monalisa, de Leonardo DaVinci, também ganharam ares praianos nas mãos do artista.

Essa criatividade toda rendeu a Rick um enorme sucesso na indústria surfwear. Depois de se formar na prestigiada Art Center College of Design, na Califórnia, Rietveld foi co-fundador da Maui & Sons, empresa de surfwear que se tornou popular graças a seu talento, suas ilustrações e cores.


Outros artistas que usam o surf para se inspirar: Phil Roberts, Alan Casagrande, Bruno Turpin, Frank Errickson, Phil Roberts, John e Leisa O'Brien, Celine Chat e Steven Power.

Quer saber mais sobre a Art Surf? Acesse o site www.ClubOfTheWaves.com.

O surf vai conquistar seu espaço na telinha (a cabo e aberta)

Por Henrique Chaves (Visionário do surf)

Imagine se a vinheta ao lado já fosse usada para chamar a atenção dos telespectadores a assistirem o próximo campeonato de surf na telinha. A possibilidade existe...temos apenas que adaptá-la. Essa visão me veio quando, saindo de uma palestra comandada pelo Sr. Romeu Andreatta (senhor não, na verdade um lorde do surf, por tudo o que ele tem implantado), seguia para casa pensando sobre suas palavras no que diz respeito às novas fórmulas de competição a serem realizadas e implantadas, visando a entrada definitiva do surf competição na tv aberta. O Big Surf já é um sucesso, pois o seu apelo comercial é muito forte quando trata-se de radicalidade. E este é o segredo do sucesso das maiores redes de televisão, mídias impressas e on line, que utilizam-se da imagem que o surf proporciona em tudo e para tudo.

Este é um dos raros momentos em que me encontro, no carro, diariamente, para refletir sobre todas as minhas ações e caminhos que procuro trilhar. É o momento que me desligo do mundo (atento apenas para a direção).Um som ambiente e o mundialmente famoso trânsito de São Paulo, além de servirem como trilha sonora, ajudam a estender e prolongar estes preciosos segundos a frente do volante.

O tema posto em discussão era a troca da fórmula de disputa das competições do surf atual. A base da conversa tinha a fórmula de disputa do boxe, aonde lutadores são postos a provas homem contra homem, sobrando o melhor no final. Na verdade seria a forma de ranqueamento que definiria a condição para quem teria o direito de surfar e disputar o almejado título mundial. O direito de desafiar os grandes atletas e botarem a prova toda a carreira competitiva.

Até aí tudo bem. Acho bem válido tentarmos métodos diferentes para conseguirmos dar um up no surf, no propósito de elevarmos as cifras no esporte. Cifras para os atletas, para as empresas do ramo, patrocinadores (retorno), e também para as comunidades da localidade nas quais acontecem as competições.

Mas algo me chamou muito a atenção: em determinado momento das explicações, ele bateu numa tecla na qual poria tudo a perder. Não prolongando suas explicações, ele solta:"...ai teremos um TEMPO DE ESPERA...".PRONTO. Não precisa dizer mais nada. Está aí o empecilho de concretizar esta nova ação. Tempo de espera é o que a TV, principalmente aberta, não tem. Tudo tem que ser dinâmico e ágil, plástico e simples.

Mas não percamos a esperança. Como disse, muito do que aprendi com o surf deve-se as leituras constantes de tudo o que o Romeu produziu ou ajudou a produzir. Vejo uma luz nesse túnel extenso. Que podemos transformá-lo em tubo cristalino quilométrico.

Vejo com todas as características e vantagens a proposta por ele feita. Só faria uma modificação: Ao invés de utilizar a praia como pano de fundo, eu utilizaria as piscinas de ondas artificiais.

Espera um pouco. Sei muito bem como não é fácil imaginar um campeonato de surf sem a locação paradisíaca de um ambiente natural, uma praia, uma baía. Até quando pensei pela primeira vez nesta proposta me assustei com o que eu estaria fazendo com o surf. Também nunca havia imaginado um evento nosso sem uma praia. Já assistimos alguns que foram realizados nas piscinas do mundo, como Japão, Flórida e Ribeirão Preto (isso, temos a nossa piscina no Brasil).

Mas após acessar um site chamado surf parks, que trabalha com tecnologias avançadas relacionadas a piscinas de ondas, e ver a estrutura que eles utilizam na construção de uma piscina, tive a certeza do que falta para incluir o surf competição nas grades das emissoras do nosso país e do mundo.

Mas como isso seria viável?

Resumindo todo o site, que demonstra tudo o que é possível fazer com a piscina, está bem claro que ondas quebrarão de 8 (oito) em 8 (oito) SEGUNDOS!!! Isso mesmo...8 SEGUNDOS!!!. O nosso grande problema de colocar o surf no horário nobre é o tempo. As ondulações atingem as nossas costas e praias com um determinado espaçamento, que já complicariam o senhor TEMPO na TV. Isso quando os surfistas não preferem deixar passar para esperar a próxima série. E isso também quando as ondas são surfáveis.

Agora, desenvolver um torneio no qual temos potencial em produzir ondas com qualidade a cada 8 SEGUNDOS, onde câmeras estariam posicionadas para pegar todos os melhores ângulos, com um potencial de disputas uma atrás da outra, seria a peça do quebra-cabeça que nos falta para fazer do surf um esporte do mundo, entrando em todas as casas através das TVs, do Acre até o Tibete.

Pense: 8 segundos......aproximadamente 8 ONDAS por minuto....80 ondas surfadas a cada 10 minutos......continue as contas....Quantas ondas são surfadas em um evento?

Se pegarmos o modelo atual do WCT, considerando que cada atleta pegue 10 ondas por bateria, teremos até a final do campeonato 1260 ondas surfadas, em um total de quase 160 minutos como tempo necessário para a realização do evento. Ou seja, uma etapa do circuito mundial inteira, com pouco mais de duas horas.Lembre-se temos 180 minutos de TV para o futebol. Veja quantas ondas poderiam ser surfadas até a exaustão pelos participantes...e com a máxima qualidade.

E o que pode nos impressionar mais ainda é que talvez nem a fórmula de disputa precise ser alterada. Pense no futuro...e ele começa aqui: www.surfparks.com

BEM VINDO AO MUNDO DO SURF VISTO PELO MEUS OLHOS!

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e sonha ver o surf se destacando na telinha.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Temos talento e garra, falta estrutura

Mineirinho mudou para a Califórnia - Foto: Marcelo Bolão
O novo herói brasileiro veio das águas. Ainda, não foi das ondas salgadas dos oceanos, mas, um dia será. Por enquanto, a galera vibra com César Cielo que, repetindo o sucesso do ouro olímpico em Pequim, se transformou no nadador mais veloz das piscinas do planeta. Essa vitória traz para o debate a velha questão da falta de estrutura esportiva do Brasil. Afinal, ele é um representante verde-amarelo, mas é preparado por um técnico norte-americano, em uma cidade do país do Obama.

A história dos esportes chamados de "nobre" (atletismo e natação) no Brasil é uma repetição de exceções, como Cielo, que conseguem ir para fora e se destacam quando encontram apoio, treinadores e estrutura para mostrar o talento e a garra do nosso povo. Neste sentido, pode dizer que nosso Adriano de Souza, o Mineirinho, está no caminho certo e um dia aparecerá em todos os jornais e tvs como um fenômeno brasileiro. O primeiro passo teria sido a mudança para os Estados Unidos.

Todos torcemos para que ele atinja seu objetivo e vamos vibrar quando chegar a hora de ele assumir o ponto mais alto do ranking, mas é impossível não lamentar que brasileiro para brilhar tem de deixar o País. Quem acompanha o surf nacional sabe que muitos talentos acabam desperdiçados por não terem condições adequadas de treinamento e mesmo por lhes faltarem recursos para ter uma alimentação correta e um acompanhamento de saúde decente. Essa realidade também se verifica no atletismo, na natação e em outras modalidades que dependem de preparo.

No caso do surf, o problema é mais complexo, pois é um esporte ainda pouco divulgado. Começamos a ver projetos que tentam formar atletas mirins em várias partes do país, no entanto, essas ações só darão resultado se forem acompanhadas de uma melhoria nas condições de vida dessas promessas. Isso depende de decisões políticas e demora até dar frutos. Assim, nosso papel é cobrar das autoridades mais apoio a nossos esportes (principalmente, o surf), enquanto vibramos com Cielo e apostamos nossas fichas em Mineirinho.