segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O surf precisa pensar a longo prazo

Surf está longe de se tornar esporte olimpico - Foto: Agência
Foi divulgada na quinta-feira (13) a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de indicar o golfe e o rúgbi como novas modalidades a serem disputadas a partir da Olimpíada de 2016 (a que o Brasil quer sediar). Dançaram o beisebol, softbol, squash, caratê e a patinação. Alguém pode se perguntar o que isto tem a ver com o surf. Oras, não se pode esquecer da galera que sonha em ver feras como Slater e Parkinson (por que não nosso Mineirinho?) na maior competição esportiva do planeta. Agora, os amantes do surf já sabem que isso será impossível, a não ser que se crie uma categoria de veteranos, se o esporte conseguir uma brecha em 2020.

Apesar de várias pessoas, que deveriam estar bem informadas sobre o mundo do surf, saírem dizendo que estava perto de se ver as pranchas em ação olimpíada, a verdade é que não há nenhum trabalho efetivo nesse sentido. Mas, não se deseja registrar aqui nem a justiça ou a necessidade de o surf dar esse passo. Todos reconhecem que nosso esporte, por depender ainda totalmente da natureza e de picos específicos, teria dificuldades para se enquadrar num evento de 30 dias, em climas diferenciados, e que muda de continente a cada quatro anos. Só as ondas artificiais permitiriam isso, mas é coisa para o futuro distante.

Na verdade, a lição que fica da luta de outras modalidades para entrarem na olimpíada é que este trabalho é de longo prazo. Essa mentalidade falta aos responsáveis pela administração do surf no Brasil e no mundo. Às vezes, nem se sabe quem vai patrocinar uma disputa programada no inicio do ano, como aconteceu com o circuito mundial feminino que teve a etapa do Rio cancelada. Precisamos aprender a pensar a longo prazo.

A grande maioria dos envolvidos no esporte sabe que há algo de errado no sistema. Estão surgindo propostas de mudanças nas fórmulas de disputa ou em um detalhe ou outro. Porém, tudo no plano experimental. Não se vê um planejamento que envolva, também, o outside do planeta surf e isso é fundamental para o crescimento no futuro. Afinal, o surf precisa de mais público, precisa de mais divulgação e só conseguirá ter isso se acreditar que deve dar atenção ao "longo prazo". Assim, quem sabe, um neto do Mineirinho, consiga o ouro olímpico.

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