quinta-feira, 23 de abril de 2009

A conquista de Maya e a pisada na bola do pai

Fernando Gabeira - Foto: Divulgação
A grande heroína da surf feminino brasileiro, Maya Gabeira, pintou no noticiário por dois fatos, completamente diferentes. Primeiro, ela ganhou destaque em todo mundo ao levar pela terceira vez seguida o "Oscar das ondas gigantes", mostrando que é uma big rider que faz parte da história e enchendo de orgulho os brasileiros. Depois, ela teve seu nome envolvido, indiretamente, no "escândalo das passagens" que agita o mar de lama político brasileiro.

O caso é que descobriu-se que os deputados e senadores do nosso país têm o feio costume de pagar passagens para a família e amigos com dinheiro do povo. Filha de Fernando Gabeira, um político de expressão, que combateu a ditadura nos anos 60 e 70 e hoje é considerado um deputado ético, Maya foi apontada como uma beneficiária do trambique.

O deputado esclareceu que na verdade, a verba foi usada para sua outra filha (Tami) viajar ao Havaí para visitar a irmã. Ele reconheceu o erro e prometeu devolver a grana. É bom deixar claro que, se a pisada de bola foi do pai, nossa big rider não tem culpa. Porém, como ela vive elogiando Gabeira por sua coerência e vida política, com certeza vai censurar esta vacilada.

O importante é que o surf brasileiro tem motivos para comemorar as conquistas de Maya, da mesma forma que esperamos que a onda de denúncias de mancadas dos políticos nos permita no futuro festejar a moralização do Congresso Nacional. Com certeza, se nossos deputados viajarem menos com dinheiro do povo, sobrarão recursos para investir no desenvolvimento dos esportes e na educação da galera, o que acabará gerando novas feras verde-amarelas nos oceanos do planeta.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Falta de ''magia'' ou de interesse?

Slater começa o ano mal - Foto: ASP / Cestari
Por Michel SP

O australiano Joel Parkinson tem motivos de sobra para comemorar, executando manobras com muita pressão e velocidade o aussie não deixou dúvidas de que esse ano ele está focado no título. Campeão nas duas primeiras etapas da temporada, Parko lidera com folga o ranking e não vê o astro Kelly Slater, que até então busca pela décima vez o mundial da ASP, como uma pedra em seu caminho. Por enquanto.

O nove vezes campeão mundial, depois de perder para o australiano Julian Wilson na terceira fase da etapa de abertura do Circuito Mundial, na Gold Coast, foi barrado logo na estreia em Bells, pelo também aussie, Owen Wright.

Dois péssimos resultados podem dar fim à busca do tão charmoso décimo título mundial neste ano. Mas ainda é cedo para apostar, ainda mais se tratando de Slater.

O americano costuma fazer mistério sobre suas participações, mas é bastante provável que ele não apareça no próximo evento da ASP, no Tahiti, na temida onda de Teahupoo. É claro que, se as condições compensarem, vale a diversão em dividir o outside com um ou dois surfistas.

Não podemos adivinhar o que se passa na cabeça de Kelly Slater. Depois de questionado se a escolha de seu equipamento na etapa inicial do tour, uma prancha fora dos padrões tradicionais para uma competição (vale lembrar que, com uma prancha bem parecida o cara faturou o Pipe Masters no ano passado), teria sido acertada, em Bell’s, o Careca, que só foi visto na praia no dia de sua bateria, optou por entrar na água com um foguete normal, triquilha, pouca borda, praticamente igual aos dos outros competidores. Que também não surtiu o efeito desejado.

Para a alegria do público, o supercampeão voltou a entrar em ação no último dia de disputas, antes da final, na bateria especial da Expression Session. Agora sim com sua quadriquilha moderna com estilo retro. Desta vez a pranchina desenvolveu bem o seu papel e Slater empatou com Mick Fanning na primeira posição do duelo festivo.

A pergunta que não quer calar. Kelly Slater está desencanado da competição e quer mesmo é se divertir na água fora dos campeonatos e dentro das salas de shape?

O interesse de Slater em colocar a mão no bloco pode render bons lucros para seu patrocinador. Imaginem o quanto de prancha com a marca Kelly Slater a Quiksilver irá vender. Ainda mais se mostrar resultado dentro da água.

Escolha errada de seu equipamento, não é. Talento, muito menos. Talvez seja a falta de "interesse" ou de "magia", como o próprio diz acreditar.

"A magia não esteve presente ainda este ano, mas estamos só no início de temporada e ainda há um longo caminho pela frente" avaliou Salter. Palavras sábias. É apenas o começo e o caminho é longo. Eu que não apostaria meu dinheirinho suado.

A única coisa que podemos afirmar com certeza é que, enquanto a "magia" não aparece para Kelly Slater, o restante da elite mundial aproveita do jeito que, por enquanto, ainda pode.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Paúba é tenso!

Carlos Bahia encara Paúba - Foto: Divulgação
Por Cesar Calejon

Rápida, oca, muitas vezes irregular e absolutamente rasa. Assim roda a onda de Paúba, praia localizada em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Nos dias grandes representa um desafio e tanto para qualquer surfista. Chegar na base e fazer a coisa certa em um caroço da série requer atitude e conhecimento. Acidentes são freqüentes e não raramente cobram um preço respeitável do desafiante.

"Paúba é um pico diferente. Sem dúvida é a onda mais pesada do litoral norte de São Paulo. Perdi a conta de quantas pranchas parti ao meio ali", diz Flávio Caixa D'água, surfista profissional e um dos melhores locais de Maresias. "Eu nunca me machuquei seriamente em Paúba, mas já presenciei cenas feias, tipo fraturas e outras contusões graves", acrescenta Caixa D'água.

Entre tantos acidentes, certamente o sofrido pelo lendário Taiu Bueno, que resultou em um quadro de tetraplêgia, é o mais conhecido e o que exerce maior influência sobre as cabeças que constantemente lotam o line up de Paúba. "Eu sinto que o acidente do Taiu influência muito todos os surfistas que encaram Paúba nos dias grandes.

A onda em si requer muito respeito, mas o caso do Taiu foi marcante, porque demonstrou que se isso aconteceu com um atleta como ele, pode acontecer absolutamente com qualquer pessoa", afirma Carlos Bahia, longboarder profissional e freqüentador assíduo dos tubos de Paúba. "Eu já nem sei quantas pranchas quebrei em Paúba, o pico é realmente tenso. Nos dias grandes é preciso escolher a onda certa, remar forte e botar pra dentro, caso você consiga negociar a dificuldade do drop, é possível que você pegue um tubão clássico, caso contrário é muito provável que você tenha que mandar fazer uma prancha nova", completa Bahia.

A onda de Paúba requer um equilíbrio entre técnica e coragem que em última análise representa a busca de todo surfista. Quando a coragem é muito superior à técnica, geralmente acontecem os acidentes físicos, quando a técnica é muito superior à coragem, freqüentemente acontecem os acidentes psicológicos, mas quando ambas atingem um bom equilíbrio chegou à hora de esperar um swell grande de sul, tirar o leash do tornozelo, fazer o sinal da cruz e cair em Paúba.

Paúba é tenso!

Carlos Bahia bem posicionado em Paúba - Foto: Divulgação
Por Cesar Calejon

Rápida, oca, muitas vezes irregular e absolutamente rasa. Assim roda a onda de Paúba, praia localizada em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Nos dias grandes representa um desafio e tanto para qualquer surfista. Chegar na base e fazer a coisa certa em um caroço da série requer atitude e conhecimento. Acidentes são freqüentes e não raramente cobram um preço respeitável do desafiante.

"Paúba é um pico diferente. Sem dúvida é a onda mais pesada do litoral norte de São Paulo. Perdi a conta de quantas pranchas parti ao meio ali", diz Flávio Caixa D'água, surfista profissional e um dos melhores locais de Maresias. "Eu nunca me machuquei seriamente em Paúba, mas já presenciei cenas feias, tipo fraturas e outras contusões graves", acrescenta Caixa D'água.

Entre tantos acidentes, certamente o sofrido pelo lendário Taiu Bueno, que resultou em um quadro de tetraplêgia, é o mais conhecido e o que exerce maior influência sobre as cabeças que constantemente lotam o line up de Paúba. "Eu sinto que o acidente do Taiu influência muito todos os surfistas que encaram Paúba nos dias grandes.

A onda em si requer muito respeito, mas o caso do Taiu foi marcante, porque demonstrou que se isso aconteceu com um atleta como ele, pode acontecer absolutamente com qualquer pessoa", afirma Carlos Bahia, longboarder profissional e freqüentador assíduo dos tubos de Paúba. "Eu já nem sei quantas pranchas quebrei em Paúba, o pico é realmente tenso. Nos dias grandes é preciso escolher a onda certa, remar forte e botar pra dentro, caso você consiga negociar a dificuldade do drop, é possível que você pegue um tubão clássico, caso contrário é muito provável que você tenha que mandar fazer uma prancha nova", completa Bahia.

A onda de Paúba requer um equilíbrio entre técnica e coragem que em última análise representa a busca de todo surfista. Quando a coragem é muito superior à técnica, geralmente acontecem os acidentes físicos, quando a técnica é muito superior à coragem, freqüentemente acontecem os acidentes psicológicos, mas quando ambas atingem um bom equilíbrio chegou à hora de esperar um swell grande de sul, tirar o leash do tornozelo, fazer o sinal da cruz e cair em Paúba.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Estamos no caminho certo, sem esquecer o quanto ele é longo

Silvana comemora ao lado da bi-mundial - Foto: ASP / Getty Images
Por Michel SP

Já estava na hora! Em sua quarta final contra a bicampeã mundial, Stephanie Gilmore, sexta no geral do Circuito Mundial, Silvana Lima mostrou que seu surf está cada vez mais polido, radical e competitivo.

Mostrando muita fluidez nas ondas, em Bell’s Beach a cearense deixou clara suas intenções logo nos minutos iniciais da decisão.

Com fome de vitória, da forma que tem que agir quem deseja ser o melhor, a baixinha mostrou como experiência pode fazer a diferença na hora da verdade. Silvana tratou de se adiantar e fazer Steph, que dispensa comentários, correr atrás do prejuízo. Estratégia mais do que acertada. Com sabedoria, leitura de onda e um pouco de sorte, após duas boas ondas, a brazuca teve a liberdade de optar por marcação, escolher com mais tranqüilidade suas ondas para trocar sua nota mais baixa e abalar o psicológico da adversária aproveitando a vantagem da prioridade.

O feito inédito para o país faz com que a torcida verde e amarela possa sonhar acordada com um breve título mundial. Não estamos falando de hoje, ou amanhã, mas sabemos que nossos atletas estão amadurecendo, passando baterias e ganhando o respeito dos demais.

Competições com surfistas do nível de Stephanie, Slater, Fanning, Parko, Mulanovich e Hareb nunca será fácil, porém, Mineirinho, na primeira etapa do mundial, e Silvana na etapa de abertura da categoria feminina, mostraram que o surf brasileiro, mesmo com inúmeras dificuldades, está com força para brigar de frente contra os famosos "fodões" da elite. Só não podemos acomodar e achar que a missão já está cumprida.

Ranking feminino

1: Stephanie Gilmore (AUS) – 2.172 pontos
2: Silvana Lima (BRA) – 1.560
3: Sofia Mulanovich (PER) – 1.308
3: Paige Hareb (NZL) – 1.308
5: Melanie Bartels (HAV) – 1.152
6: Sally Fitzgibbons (AUS) – 1.116
6: Coco Ho (HAV) – 1.116
8: Rebecca Woods (AUS) – 1.104
9: Samantha Cornish (AUS) – 912
9: Jacqueline Silva (BRA) – 912
9: Chelsea Hedges (AUS) – 912
9: Bruna Schmitz (BRA) – 912
13: Amee Donohoe (AUS) – 720
13: Rosanne Hodge (AFS) – 720
13: Alana Blanchard (HAV) – 720
16: Layne Beachley (AUS) – 360
16: Jessi Miley-Dyer (AUS) – 360