terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Longbord ao extremo

Por Bruno Ruy

Qual seria o melhor lugar para uma session de longboard? Ilhas Reunião, Rincón, Malibu, Makaha, Pavones, Boca Barranca? Esqueça todos esses paraísos do nose riding e pense, principalmente você que é longboarder, em um free surf em Paúba ou Itacoatiara com swell pesado. E o que você acha de dar uma caída em Pipe ou Puerto Escondido, com ondas de 8 a 12 pés tubulares? As possibilidades de andar no bico são nulas, batidas podem fazer parte do show, desde que tenha um quiver grande e bastante disposição. Caso contrário, o melhor é remar forte, dropar reto, fazer a curva na base da onda e colocar para dentro. Esse é o caminho. Tudo bem rápido, mas se melhorar estraga.

A maioria dos longboarders que surfam em picos extremos, sabe das vantagens que um long oferece nessas condições. Por proporcionar uma remada mais eficiente, o longboard permite que o surfista se posicione mais para fora, podendo se isolar do crowd, além de dropar a onda mais adiantado. Isso faz com que ele ganhe mais velocidade e controle ao chegar na zona de impacto, passando com maior facilidade dentro dos tubos.

O surf de pranchão em condições extremas requer disposição, preparo físico e muita técnica para entubar, principalmente de backside. A leitura da onda deve ser perfeita. A remada e o drop seguido de uma boa são a chave para o sucesso, ou seja, sair dos tubos, ileso e com o long inteiro.

Porém, não é nada agradável tomar uma série na cabeça deitado em cima de uma 9 pés. Aliás, as vacas de longboard parecem sempre mais perigosas e impressionantes. O problema é que pelo fato de ser grande, a prancha tem mais chances de se chocar com o surfista no momento do caldo, o que pode trazer conseqüências graves. Para evitar choques e também que as pranchas se quebrem, a maioria dos surfistas abrem mão da cordinha, uma vez que a maioria dessas ondas quebram bem próximas da praia.

Alguns nomes se destacam quando o assunto é onda pesada e tubular. Os havaianos surfam Pipeline com naturalidade, fazendo a gente achar que a onda não é perigosa. Bonga Perkins, Lance Hookano e Kanoa Dahlin são os mais insanos e técnicos quando as condições estão sinistras. Além deles, se destacam o clássico Joel Tudor e o agressivo Phil Rajzman, que inclusive já venceu um campeonato em Puerto com 8 pés sólidos. Mas muitos outros, principalmente os brasileiros, têm mostrado muita disposição em ondas grandes.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O universo das ondas gigantes

Ondas gigantes impressionam - Foto: Fred Pompermayer
Por Bruno Ruy

O surf de ondas gigantes tem muito pouco a ver com a imagem que as pessoas tradicionalmente fazem do esporte. Esqueça as praias paradisíacas, as mulheres gostosas na areia, a diversão coletiva entre amigos e as roupas e acessórios coloridos. Quando as ondas passam dos 15 pés, o limiar entre a vida e a morte torna-se ínfimo, e o sucesso do surfista nessas condições depende de um preparo físico exemplar, instinto de sobrevivência aguçado e equipamento de alta performance.

Alguns dos melhores picos de ondas gigantes ficam em águas geladas, muitas vezes a quilômetros de distância da praia, e a maioria deles está concentrada no Hawaii e na Califórnia. Os atletas de destaque não são os mesmos que triunfam no circuito mundial, cujas etapas são realizadas em ondas que raramente ultrapassam os 12 pés de altura. Em ondas gigantes, a disputa deixa de ser surfista contra surfista e vira um desafio entre o homem e a natureza. O que interessa não é quem faz a manobra mais moderna e radical, mas, sim, quem tem coragem para descer as maiores e se colocar nas situações mais críticas. Surfistas com reputação de serem bons em ondas grandes recebem a alcunha de big riders e o respeito de todos.

Surfistas sempre entraram nas ondas com sua própria força, na base da remada. Mas a velocidade alcançada por eles não era compatível com a velocidade com que uma onda maior do que 30 pés se forma e quebra. Esse limite físico e psicológico perdurou por décadas e a barreira dos 30 pés só foi superada quando, no início dos anos 90, um grupo de pioneiros, formado pelos havaianos Laird Hamilton, Buzzy Kerbox e Darrick Doerner, passou a usar veículos motorizados (primeiro, um barco inflável; depois, jet-skis) para rebocá-los e lançá-los nas ondas já com uma velocidade inicial que possibilitasse descer aquelas morras. Essa nova vertente do surf recebeu o nome de tow-in e permitiu que hoje fossem surfadas ondas de até 70 pés.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mudar critérios é necessário, mas vai dar o que falar

Mudança é bom, mas envolve riscos - Foto: Anthony Barbatto / Localsurf.net
A temporada promete ficar mais agitada ainda, depois do anúncio de que os critérios de julgamento dos campeonatos da ASP serão alterados. A iniciativa dos homens que mandam no surf de se mexer deve ser saudada pelo lado positivo, que é a intenção da entidade de se atualizar, mas com toda a reserva de quem sabe que toda mudança envolve riscos. Não há dúvida que as características das ondas devem ser valorizadas na hora de dar nota às manobras de um atleta, porém não é só o nome do pico que deve ditar o que é mais importante.

Estamos cansados de ver competições em condições ruins de ondas, onde a leitura de ondas e escolha favorece ou desfavorece determinado atleta. Cansados também em ouvir surfistas dizendo que "o adversário teve sorte em pegar, ou achar, tal onda". Mas, isso não deve dar razão aos que desprezam o surf e tem a desrespeito de chamá-lo de "jogo de sorte". O que precisamos é garantir, ao máximo, condições iguais. Isso é quase impossível, pois dependemos da natureza, que representamos pelo deus grego chamado Netuno.

Os critérios que serão tentados têm como objetivo diminuir as diferenças, porém vão continuar subjetivos. A solução poderia ser dar mais tempo a cada competidor, mas isso atrapalharia a programação do evento. Outro ponto que não se deve esquecer quando se fala em critério de julgamento é que os encarregados de decidir são feitos de carne e osso como nós, por isso, podem falhar ou não ir com a cara de um atleta, conhecido também como falta de profissionalismo, pode acreditar, isso acontece.

Apesar de tudo, vale lembrar que no ano passado as reclamações sobre decisões dos juizes não foram destaque. Da parte de quem está na água, ou faz parte das equipes de apoio e das empresas patrocinadoras, não se pode esperar protestos. Infelizmente, todos sabem que gritar pode custar caro no futuro. Assim, sobram as queixas de torcedores. Essas não abalam as estruturas do circo, pois, muitas vezes, são apenas provas de fissura por esta ou aquela fera.

O importante é que a ASP mostra vontade de se atualizar. Ninguém admite se o medo da criação de um circuito alternativo onde os grandes nomes competiriam tem a ver com isso, mas, não há dúvida que os "grandões" do esquema estão vendo ameaçados seus lucros se o surf não for encarado com seriedade. Vamos aguardar as discussões que os novos critérios provocarão, com certeza elas serão muitas, como acontece sempre que se muda alguma coisa.