sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Preconceito do “Casseta”

Por NextSurf em 31/10/2008

Sem dúvida, um dos programas mais “assistíveis” da TV brasileira é o Casseta & Planeta da Globo, mas para a galera que gosta de surf está se transformando em irritante rotina ver as demonstrações de preconceito desses humoristas. Na terça feira (28/10), mais uma vez eles pegaram pesado com os surfistas. No quadro Cassetástico, o personagem o “Dráuzio Careca”, que faz uma paródia do médico Drauzio Varela, reforçou a imagem que o programa divulga de que o surfista é burro e de que possui apenas dois neurônios.

Para quem não viu, vale lembrar que, em uma viagem pelo cérebro de um adolescente surfista, o personagem diz que foram encontrados, “depois de muito tempo”, dois neurônios limitados em “Pode crê e Nada a vê”. Quando o surfista chega à idade adulta, o desentendimento gira em torno de “arrumar emprego”, o que não é uma boa idéia e o assunto é abortado, mais uma vez, pela expressão “Nada a vê”.

Temos que acabar com qualquer forma de preconceito. Entre surfistas e quem ama esse esporte, temos gente de todos os padrões de inteligência e cultura, assim como em qualquer outra “tribo”. A imagem do cabeludo que só quer pegar onda e ficar na praia é atrasada, está desmentida pelo próprio mercado que tem neste público consumidores de alto poder aquisitivo. São muitos, os surfistas médicos, advogados, engenheiros, matemáticos, empresários, e não é porque pegam ondas e tomam muito sol na “mulera” que são alienados.

A própria emissora que veicula o programa “Casseta & Planeta” está investindo na imagem do surfista em sua novela das 19h. E seus personagens, além de surfistas, se mostram muito engajados em preservação ambiental, preocupação com a saúde da população local e no aprendizado de seus filhos, que só entram em ação nas ondas, após as obrigações escolares.

Está na hora dos “cassetas” pararem com essa campanha idiota e preconceituosa.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Todos perdem com o abandono dos tops

Slater pagou US$ 10 mil para não vir ao Brasil - Foto: Cestari
Por NextSurf em 27/10/2008

Está marcada para rolar a partir da terça-feira (28) até 5 de novembro, na praia da Vila, em Imbituba (SC) a penúltima etapa do Circuito Mundial. Com a data se aproximando, o público do Brasil, considerado o mais apaixonado e caloroso do planeta, não se encontra animado para encarar os dias de disputa por lá. A causa do desânimo é a ausência dos tops do WCT (Kelly Slater, Joel Parkinson, Mick Fanning, Bobby Martinez, Andy Irons, Bruce Irons, Dane Reynolds, Dean Morrison, Daniel Wills, Luke Munro, Neco Padaratz e Adriano Mineirinho) que tira o brilho da etapa brazuca.

Mesmo os que torcem por boas atuações dos verde-amarelos, acabam frustrados por não poderem acompanhar de perto a performance dos grandes ídolos do surf. A ansiedade pela viagem a Santa Catarina, a grana economizada durante o ano para se jogar para Imbituba, o sonho de conseguir uma foto ou um autógrafo do seu herói foram apagados, não pela soberania de Slater, e sim pela passividade da ASP, que não possui pulso forte e nem regras rígidas para bater de frente com os maiorais do esporte dos deuses.

Com a atitude das estrelas do "Dream Tour" e as "vistas grossas" da ASP, todos saem perdendo. O esporte, que dificilmente será levado a sério, os patrocinadores, que perderão dinheiro e parcerias com um evento desfalcado, o público, que se prepara durante todo o ano para acompanhar a competição, e os atletas responsáveis e que respeitam o público, que com esse tipo de atitude, saem dos sonhos, revistas e pôsteres de seus fãs.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Aos mestres com carinho

Slater ensina como ser um vencedor - Foto: Kirstin / ASP
Por Michel SP

As bolas de papel na cabeça, a molecada remando para fora da visão de seus professores no outside, os inúmeros diários para se corrigir, as críticas destrutivas, as noites mal dormidas pensando em uma forma melhor de ensinar, o desejo de colocar para as pessoas tudo aquilo que fez de você uma pessoa melhor, um profissional melhor, e até mesmo um surfista melhor.

A vocação dos professores desperta a vocação de muitos outros, mesmo quando em seu dia-a-dia, tantas dificuldades acontecem.

Professor não é só quem ensina História e Geografia, o "Mestre" também "leciona" a melhor forma de se ver e viver a vida.

Respeitar os mais velhos, como se comportar diante os locais do pico, tocar violão, andar de bicicleta, empinar pipa, dar sua primeira batida na junção, furar a onda, xavecar a gatinha, seu papel no mar e na sociedade, dirigir, se controlar, enfrentar seus medos, buscar seu auto-conhecimento, encarar uma entrevista de emprego, aproveitar as coisas simples da vida, são aulas diárias que temos com quem nos acompanham em nossas rotinas, ou com pessoas que de alguma maneira cruzaram nossas vidas.

Quem nunca aprendeu algo com um sorriso de uma criança ou com uma atitude de sua avó, e até mesmo com a paz e tranqüilidade de um monje?

Quem nunca aprendeu com um local marrento onde se deve pisar, dropar, remar? (mesmo que tenha sido da pior maneira possível).

Não importa se nosso professor tem 65 anos de carreira, ou de 12 anos de idade. Todos sempre temos o que ensinar, como todos nós sempre temos o que aprender. Ninguém nasceu sabendo, e quando pensarem que já sabem tudo, significa que a vida chegou ao fim.

Um grande amigo meu sempre me disse que: "Podem me tirar tudo que tenho, só não podem me tirar o que eu aprendi e o que eu ensinei".

Vamos deixar a porta aberta para o aprendizado. Seja na escola, na praia, em casa, na vida, nas ondas, afinal, temos que comemorar "a beleza de ser um eterno aprendiz".

"Tenho aprendido muito com o Kelly, o jeito como ele entra nas baterias, como ele fala com todos. Se eu conseguir me manter na elite, tenho certeza de que o próximo ano será bem melhor" diz Heitor Alves sobre o professor Slater.

Michel SP é editor de conteúdo do NextSurf e parabeniza, não apenas neste 15 de outubro e sim por toda a vida, todos os mestres espalhados pelo planeta.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

E a ASP? Não vai fazer nada?

Soberania de Slater afastou outros tops - Foto: ASP
Por Fabricio Fernandes

Imaginem a cena. Fedeher está com uma pontuação tão alta a três grand slans do final da temporada, que Nadal desiste de competir em Wimbledon e Rolland Garros.

Na Formula 1, Hikkonen também avisa que não vai mais competir nos GPs em Mônaco, Brasil e Austrália porque Massa já está com uma mão na taça.

Giba fala com Bernadinho que não vai jogar a disputa do Bronze porque o interesse dele era apenas a medalha de Ouro.

Alguém consegue visualizar alguma dessas três situações ocorrendo? É claro que não! E sabe por quê?

São esportes sérios, tem federações sérias, e se algum atleta for louco o suficiente para ser indisciplinado desta forma receberá severas sansões tendo como conseqüência grandes prejuízos para sua carreira e perda de patrocinadores.

Então por que no surf Andy Irons, Mick Fanning e Bruce Irons simplesmente por não terem mais chances de conquistar o título abandonam o circuito, faltando 4 (Andy) ou três etapas e não são punidos? Por que Sunny Garcia e Makua podem ameaçar e bater nos brasileiros e não são punidos?

Seria por acaso que com apenas uma vitória em Rolland Garros, Guga tenha ganhado a mesma premiação que o maior surfista de todos os tempos, Kelly Slater em toda sua vida?

A ASP regulamenta o quê? Cadê a seriedade do órgão máximo do surf que assiste apaticamente tudo isso? Será que um dia a Coca Cola voltará a arriscar seus dólares (Principalmente agora com as quebras das bolsas) no nosso circuito mundial?

A Nike, Reebook, Wilson e tantas outras mega empresas, que seriam potenciais patrocinadores, arriscariam seu pescoço vinculando a sua imagem a um esporte que não cria uma regulamentação eficaz?

Você apostaria o seu dinheiro patrocinando uma etapa sabendo que os top 5 poderiam não aparecer?

Para ser respeitado, é preciso que o esporte se dê o devido respeito. É preciso ter a frente pessoas que alavanquem o produto, que desenvolvam um marketing agressivo e que acima de tudo criem regras como anti-dopping, punições severas contra indisciplina e que seja exigida a presença de todos em qualquer etapa em todos os lugares do mundo.

Surf como esporte olímpico? Com essa atual concepção ainda temos um longo caminho a ser percorrido...

Fabrício Fernandes é um dos colunistas da agência de comunicação FAMA Assessoria.