segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Estar na Globo é um risco para o surf

Por NextSurf em 18/08/2008

A todo-poderosa TV Globo já está colocando no ar as chamadas para sua próxima novela das 19 horas. Anunciada para setembro, Três Irmãs será escrita por Antonio Calmon, um especialista em destacar temas ligados ao jovem, e vai rolar em um fictício paraíso do surf. Os primeiros anúncios mostram um monte de astros globais segurando uma imensa prancha e o símbolo da novela, que será três pranchas estilizadas lado-a-lado.

A história começará com a chegada ao pico criado pelo autor de três surfistas com histórias diferentes que se envolverão com as três irmãs que dão título à atração. Entre as pessoas que vivem o mundo do surf brasileiro a primeira impressão é que estar na tela da líder de audiência vai ser muito bom para o esporte, mas essa visão otimista, que prevê mais patrocínio para os atletas e maior divulgação dos eventos, ameaça se transformar em frustração.

Quando se lembra que a Globo foi gravar cenas da novela em Bali já se comprova que a ficção tende a ser muito diferente de como é a real na vida de quem pratica o esporte no Brasil. Ninguém pede que a emissora faça documentários sobre as dificuldades enfrentadas por nossos atletas e a galera apaixonada pelas ondas, mas não se pode aceitar que vá ao ar a idéia de que tudo é aventura e alegria nesse mundo.

Quem acompanha a televisão brasileira sabe que nada nesse disputado mercado é de graça. Ainda não foram divulgadas as ações de merchandising que a novela vai ter, mas, com certeza, elas existirão e vão envolver quantias milionárias, muito mais do que são investidas diretamente no esporte. Assim, o perigo de se botar na tela uma visão distorcida do surf para vender roupas e outras coisas é muito grande. A galera que tem água salgada no sangue e quem gosta do surf precisa ficar atento e dar uma acompanhada na história. As entidades que reúnem profissionais do ramo também.

Queremos mais divulgação para o surf e conseqüentemente mais retorno para quem faz realmente a coisa acontecer, porém sem passar idéias fantasiosas desse mundo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O verdadeiro herói está em nossa casa

Raoni é exemplo para Vitória - Foto: Ivan Storti
Por Michel SP

Toda criança tem um super-herói que admira e que gostaria de ser igual. Normalmente, ele possui asas, ou uma capa muito colorida. Alguns andam em carrões maravilhosos e, na falta da capacidade de voar, cruzam os céus em aviões equipados com tudo que existe de mais moderno. Em resumo, eles têm a força e o poder. Porém, tudo isso fica em segundo plano, diante de um herói maior que é o pai de cada um de nós.

Quem já foi criança sabe, que mesmo sem super poderes, o cara que sai de casa antes de você acordar e chega no final do dia com disposição para jogar futebol, arrumar o chuveiro, jogar vídeo game, consertar a campainha, ajudar na lição de casa, aquele que oferece a recompensa, joga e pula com um sorriso no rosto é o verdadeiro herói.

Com o tempo a fixação por poderes e aviões com mísseis e o interesse nas melhores histórias que o cara alto e forte contava vão por água abaixo. Aparecerem novos símbolos para serem imitados. Um ator (ou uma atriz) boa pinta, um cabeludo sarado que arrepia nas ondas (ou uma big rider que arrebenta as morras), um guitarrista que esbanja atitude nos palcos (ou uma superstar cobiçada), um ou uma modelo vendendo saúde e beleza. Mas, mesmo com esse mundo de desejo e magia, não podemos esquecer que o exemplo vem de cima da muralha mais próxima, de quem está sempre do nosso lado. E olhando para o alto, lá está ele, seu verdadeiro ídolo, quem você realmente deve seguir os passos, levando o cachorro para passear antes do café, tirando um cochilo depois do almoço na casa da avó em um domingo preguiçoso, suando frio no banco do passageiro enquanto te ensina a dirigir, não se importando com o crowd enquanto vocês se divertem nas ondas.

Não pense que a pior batalha está nas costas do He-Man, que precisa derrotar o Esqueleto. Enfrentando os piores monstros da vida real, está seu pai. Madrugando para satisfazer o chefe, lutando bravamente para seguir no caminho do bem com dignidade, para nada faltar dentro do seu lar e para sua família. Nos momentos ruins ele também vai estar pronto para ajudar. Quando todo mundo desaparece, ele é o primeiro a aparecer, como se fosse mágico. Como se tivesse super poderes, vai estar preparado na hora que for necessário corrigir, puxar a orelha, abraçar e aconselhar.

Com o passar do tempo já não é necessário olhar para cima, na verdade ele é quem precisa ficar na ponta do pé para te olhar nos olhos. Mesmo morando na mesma casa, fica difícil se encontrarem, os horários não batem, os interesses são outros, você já possui suas opiniões formadas e já não sente que o velho antiquado tem algo para ensinar. Aí que nos enganamos, no fundo do peito, nos poucos momentos próximos, ele continua esbanjando sabedoria, distribuindo justiça, mostrando novas técnicas, ensinando a olhar e a prestar atenção, a pensar, a questionar e a explorar.

E você, engolindo todo o orgulho de se sentir um homem formado, admira cada vez mais quem sempre fez tudo de melhor por você, seja nas ondas, no futebol, na frente da família e amigos, atrás do volante, na escola, na saúde, comandando uma obra, e assume que só tem a aprender e agradecer ao verdadeiro Super-Homem. O herói careca pra mim não é o Slater, o gordinho passa longe de ser o Occy, nem o baixinho Bruno Santos é o cara que eu mais admiro. Como já disse (e bem), o Jihad Khodr: "Pra mim não tem Kelly Slater, Peterson Rosa, Fabio Gouveia. Meu ídolo é meu pai".

Michel SP é editor de conteúdo do NextSurf e com esse texto homenageia a todos os pais heróis que se espalham pelo mundo.