quinta-feira, 17 de junho de 2010

O paraíso pode ser aqui

Beleza e potência das ondas em Sampa - Foto: Cesar Calejon
Por Cesar Calejon

Durante o primeiro jogo do Brasil na Copa 2010, nesta última terça-feira (15), tive uma folga no trabalho e fui surfar no Guarujá (SP). Fiquei realmente impressionado com o dia que tivemos em uma das praias da região.

Além das ondas, que quebravam entre 4 e 6 pés, com a formação boa (algumas fechavam, mas estava bom) e praticamente ninguém na água, o sol, a fauna e a flora do local me fizeram pensar que de vez em quando o paraíso também é aqui.

Surfei por quase duas horas e é verdade que as condições no Brasil raramente se assemelham às encontradas na Indonésia, Taiti, Maldivas, entre outros picos tropicais com fundos de pedra ou recife, mas um dia como terça-feira pode ser tão especial quanto os proporcionados nestes lugares. E depois, para completar, o Brasil ganhou da Coréia do Norte. Tudo bem, não convenceu, mas venceu! Que dia!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Surf feminino também existe e precisa de apoio

Silvana dando show nas águas peruanas - Foto: Morris
Veio em muito boa hora, a vitória de Silvana Lima, nas ondas peruanas. Agora, a cearense pegou moral e pode ir pra cima das australianas que estão na sua frente no ranking. Silvana já está mandando bem há um bom tempo e "quase" levou o título: uma vez teve o direito de reclamar do julgadores e a na outra não tinha como bater essa fenomenal revelação do surf, que é Stephanie Gilmore. A parada está muito difícil este ano, mas há sempre a esperança que é a última a morrer.

Nossa heroína cearense enfrenta, além de todos os problemas que afetam os atletas brasileiros dos dois sexos, o tratamento diferenciado que se dá ao surf feminino. Por mais que alguns patrocinadores e as entidades que comandam o esporte neguem, é evidente que as gatinhas recebem menos apoio. O argumento e claro, são as feras do masculino que dão mais retorno para os investidores. Essa verdade seria suficiente para calar a boca de quem reclama, se a desproporção entre os tratamentos não fosse muito grande.

Quem acompanhou a etapa de San Bartolo, no Peru, viu um surf de qualidade, comparável às grandes disputas envolvendo as feras do masculino. Porém, o destaque conseguido entre os admiradores do esporte foi bem menor. É verdade que essa diferença de tratamento acontece também em outras modalidades. Os brasileiros veem sua equipe de futebol feminino sem apoio e os americanos não admiram suas campeãs no basquete. Talvez, apenas o vôlei e o tênis conseguem uma repercussão semelhante e isso tem a ver com a estética das atletas.

O Brasil tem uma boa safra de gatinhas que impressionam nas ondas e poderia iniciar sua luta para se impor no cenário internacional pelo feminino, pois a concorrência é menor. Enquanto Mineirinho e, agora, a revelação Jadson André, enfrentam nomes consagrados, as meninas têm apenas as australianas (que são boas) para atrapalhar. De qualquer forma, independente de ser uma estratégia de expansão, precisamos apoiar mais o surf feminino, inclusive prestigiando as iniciantes. A nova vitória de Silvana mostra que temos espaço para crescer.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Um mergulho na história ao som de Beach Boys

Fico se impressiona com aviões de guerra
Por Raphael Levy, o Fico

Tive a oportunidade de conhecer San Diego uma das cidades mais bonitas da Califórnia.. Estive lá em abril, convidado para uma festa de uma empresa de aparelho auditivo, que promovia um congresso do qual minha esposa foi participar. San Diego tem vários picos muito legais para conhecer, como praia, barzinhos, etc. Foi uma oportunidade para unir o útil ao agradável e pude relembrar o som dos Beach Boys, uma banda da minha época de surf e rever Alegrias de Verão, um filme emocionante.

Durante o congresso, muitas festas rolam à noite, em vários lugares. Uma das empresas resolveu fazer a festa dentro do Midway. O que é Midway? É um porta-aviões que está ancorado em San Diego e onde construíram um museu. Tem que pagar para entrar e o acesso é maravilhoso, na entrada tem uma estatua enorme de um marinheiro se despedindo da noiva. Eles criaram um ambiente do lado de fora com um microfone em uma saída de navio e você entra no clima. Tem brinquedos, mas ele é um porta-aviões verdadeiro, que foi para guerra. Ele fica ancorado lá com todos os aviões e helicópteros de todas as guerras que os EUA participaram. Eu tive a oportunidade que você vê na foto de tirar foto junto com os aviões e nessa festa, na realidade, tinha vários points de comidas e bebidas, tinha mais ou menos 6 mil pessoas, o que me deixou mais impressionado nesse porta aviões, não foi só você poder entrar nos aviões de guerra, mas ficar dentro daquele ambiente que é de impressionar, até de assustar, como uma guerra, a gente vê imagem de televisão de guerra, bomba tudo isso, que é assustador. E quando você está muito perto desses aviões, você se assusta muito mais. Vocês não podem acreditar o quanto eles investem, uma coisa grandiosa para por o navio para ir para guerra e aquilo lá se tornar um museu e você ver aquela coisa bonita, sendo que já matou muita gente.

A festa foi feita nesse ambiente, porque na pista de pouso, no último andar, eles criaram um palco e chamaram os Beach Boys, uma banda da minha época de surf, então eles montaram um palco com coqueiros e tinha um telão, passando Alegrias de Verão, aquele filme da época dos anos 70 de surf com longboard. Os Beach Boys, os caras com 60 anos, tocando, nossa! Parecia que eu tinha ganho um presente, ao invés de estar em um congresso, na realidade, foi mais uma oportunidade que eu tive de ver a banda, dentro de um porta aviões. Passou tanta coisa na minha cabeça, passou guerra, passou a beleza dos aviões e no final fui premiado com o show dos Beach Boys. Para se ver quanto se gasta para se fazer um marketing de um evento tão grandioso, essas empresas de aparelho auditivos, eles me deram de presente o show por eu estar participando dessa festa. O final de um evento desse, é que me deixa acreditando em Deus, Ele me mandou para uma festa de aparelho auditivo, o ambiente era legal em um porta aviões que transmitia guerra e no final, estava tocando Beach Boys, uma banda de surf com um filme de surf. Eu fui para a festa, porque eu deveria estar naquela festa. Tem tudo a ver".

Raphael Levy, o Fico, é empresário, apaixonado por surf, e foi um dos pioneiros na profissionalização do esporte no Brasil.