terça-feira, 30 de junho de 2009

Sem o ''quase'' e o ''se'' o surf perde muito do seu encanto

A história quem faz é o surfista - Foto: Divulgação
Por Bruno Ruy

Na teoria, o surf é baseado em fatos concretos: os movimentos coordenados do surfista, a medida precisa de cada prancha, a forma da bancada de coral, força e direção do vento. Tudo isso existe, não é fruto da nossa imaginação. Entretanto ainda há vários fatores relacionados ao surfe que não poderíamos dizer o mesmo: as mirabolantes histórias de trips incríveis, as quais os fatos nem sempre batem com a verdadeira versão, a famosa "sabedoria" adquirida após tantos anos em contato com o mar. Essa é a verdadeira fonte de inspiração para tantas histórias não tão "reais" quanto parecem.

Hoje em dia a gíria popular é o famoso "K.ô". Existem duas palavras chaves: o quase e o se. "Se o vento virasse... quase saí daquele tubo" e por aí vai. As lendas de surfistas ainda não se consagraram como as dos nossos amigos pescadores, mas em compensação no quesito imaginação não estamos muito longe. Mitos vivem na memória de quem escuta aquelas histórias maravilhosas que só os surfistas sabem contar e só um ser da mesma espécie consegue captar. Histórias que ao serem contadas são automaticamente imaginadas pelo ouvinte e projetadas como um sonho. Todas cativantes, longas e interessantes demais para não acreditar.

O mundo do surf é cheio de mitos, mais do que qualquer outra atividade humana. Não se sabe ao certo quem começou, mas na minha opinião este costume veio da época hippie, a qual a emoção e o verdadeiro espírito do surfe ainda existiam e valiam mais que qualquer coisa. Na real, o mito desafia o fato. Normalmente as grandes histórias místicas evitam explicações factuais e nem todas são tão legais quanto uma bela lorota surfística.

Quando mais novo, eu costumava ouvir histórias de um surfista da época do Píer de Ipanema. Este grande surfista costumava contar fatos mirabolantes sobre suas viagens incríveis e sobre seus super amigos com apelidos hilários. Uma clássica era sobre um grande swell no sul do país, há muito tempo atrás. "O flat predominava no Rio por mais de dois meses. Mas eu já acompanhava um bom swell no sul do Brasil mas que com certeza traria uma corrente forte e água muito fria." ─ o surfista previu. "Eu e mais quatro amigos entramos no meu fusca, colocamos umas pranchas dentro e dirigimos do RJ até o sul do país. Durante uma semana pegamos altas ondas e não tiramos a roupa de borracha nem para dormir devido ao frio que reinava no lugar".

Isso é uma coisa impossível de acontecer, mas poderia até ser verdade pensando na maneira espetacular que ele contava suas aventuras. Este experiente surfista criava em nós, dúvidas maiores que a nossa compreensão e espírito. Quem de nós duvidaria de tanta convicção? Assim ele nos preparou para vida de histórias do mundo do surf como ninguém mais poderia.

A sociedade moderna sempre se baseou em livros para obter a verdade. Mas nem sempre foi assim. O maior dos mitos do surf é a sua própria criação ou descoberta. Os polinésios, supostamente os criadores/investidores/pioneiros do ato de deslizar sobre ondas não tinham linguagem escrita. Então acreditavam no poder da palavra oral. Suas fábulas de grandes embarcações, temporais e swells gigantescos se desenrolaram com o tempo até que alguém as escreveu e o mito nasceu. Anos depois muitos já acreditam que surfistas adoram se torturar contando casos extraordinários sobre aquele mar clássico de ontem. Quem já não deu uma "aumentadinha" sobre aquele mar, ou aquela vaca que virou um quase aéreo com a mão na borda? Aquela viagem de barco que seu camarada não pode ir porque tinha que trabalhar. "Pô tava melhor que G-Land na temporada passada, mas a câmera não funcionou, eu juro!". Se você não fizer, alguém contará por você. Você estava lá, ficou a olhar aquele pico maravilhoso flat, mas reparou em cada detalhe para poder contar exatamente como era e fazer sua lenda soar verídica.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado por surf e já ouviu muitas histórias inacreditáveis acontecidas sobre as ondas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O homem que mudou o surf brasileiro

Por Bruno Ruy

"Surfar é um modo de vida, é também interação com outras pessoas, com os costumes, com a história. Você pode tocar um mesmo acorde de cem maneiras diferentes, mas isso não é tocar uma peça musical. O desafio é tocar a música toda, que não está só na água" [Peter Troy, na Folha de S. Paulo. 2002].

Vinte e nove de setembro de 2008 marcou a última onda do australiano Peter Troy, , que não resistiu a um coágulo no pulmão e morreu aos 70 anos. Viajante incansável, ele surfou em mais de 130 países, como no Brasil de 1964. Em pleno ano do golpe militar, Troy fez a revolução no surf brasileiro ao aterrisar no Arpoador, vindo da Amazônia e Peru. Num cenário dominado pelas pesadas madeirites, o aussie chocou os cariocas mostrando o que acontecia ao surfar com uma prancha muito mais leve, de fibra de vidro: manobras, muitas manobras. Troy pegou uma prancha de fibra emprestada do filho do embaixador francês no Rio, que não sabia usá-la. "As pessoas surfavam usando pés-de-pato. Entrei na água sem pé-de-pato e levei a prancha até o lado da pedra. Dessa forma, ganhei velocidade e comecei a manobrá-la e fazer coisas que os garotos do Brasil nunca tinham visto", afirmou à Folha de S. Paulo em 2002.

Ele ainda mandou vir da Austrália os primeiros outlines que serviram de base para a produção das primeiras boas pranchas de fibra no Brasil. Graças a Troy começou assim o surfe brasileiro moderno.

Além da revolução brasileira, Troy foi um lendário descobridor de picos perfeitos, como as direitas de Nias, Indonésia, em 1975; um dos primeiros a surfar a onda mítica australiana, Bells e cruzou o mundo pegando carona, não só para surfar (adorava todo tipo de ambiente natural e conhecer gente). "Antes de morrer ele planejava uma viagem à Antártica", revelou seu amigo, Phill Jarrat.

Além de grande explorador, Peter Troy foi, sobretudo, um mestre em viver. Mais que revelar picos de sonho e elevar a performance e arte no surfe, ele acrescentou algo muito mais elevado ao mundo das ondas.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado por surf e respeita e admira aqueles que fizeram a história do esporte.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Esgotos ameaçam o Litoral Norte de Sampa

Ilha Bela trata apenas 4% do esgoto - Foto: Divulgação
Por Cesar Calejon

Imagine surfar um mar gigante: 12 ou 15 pés havaianos, por exemplo, com uma prancha 6 pés. Pior ainda, o mar não pára de crescer e o seu equipamento, que é absolutamente inadequado para as condições, está de fato colocando a sua saúde em risco. Metaforicamente, isso está acontecendo no litoral norte de São Paulo. Segundo o plano diretor da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), as cidades de Bertioga, São Sebastião e Ilha Bela são as que mais crescem no estado (na última década o ritmo foi de 16,1%, 7,2% e 12,2%, respectivamente). Ainda de acordo com o documento, São Sebastião trata apenas 30% do esgoto, Ilha Bela trata espantosos e insignificantes 4%, Bertioga 34% e o litoral norte, em média, 28%.

Esta situação extremamente preocupante não é recente. No fim de 2007, a Sabesp já falava em um investimento de R$ 2 bilhões, que teoricamente elevaria, por meio do programa Onda Limpa, o índice de coleta e tratamento de esgoto desta região para 80% até 2011. Atualmente, o Governo do Estado garante que vai elevar a coleta e tratamento de esgotos do Litoral Norte para 85% até 2015 e que o Onda Limpa prevê investimentos de cerca de R$ 1,5 bilhão na Região Metropolitana da Baixada Santista e Litoral Norte de São Paulo.

Em audiência recente com Ernane Bilotte Primazzi e Toninho Colucci, prefeitos de São Sebastião e Ilha Bela, respectivamente, a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena, informou que o Governo de São Paulo vai investir mais R$ 57,2 milhões em obras do programa Onda Limpa. Este é o terceiro anúncio de investimentos desde o lançamento do programa, em 2008 O presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, também participou do encontro com os prefeitos.

Você se importa? Cobre os prefeitos dos municípios, cobre a senhora. Dilma Pena e o senhor Gesner Oliveira. Informe-se sobre o cronograma do Onda Limpa. Perder a balneabilidade das praias significa o caos na região e nós não estamos longe desta situação, considerando a quantidade de esgoto que é gerado e não recebe o devido tratamento. É uma questão crucial, pois afeta diretamente à saúde de todos. A questão vai muito além de ficar sem o seu pico predileto para surfar, é uma questão séria de saúde pública.

Cesar Calejon é jornalista, já pegou ondas nos mais badalados picos do mundo e está muito preocupado com o futuro do litoral brasileiro.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Surf é surf...Teoricamente

O respeito acima de tudo, sempre! - Foto: Russo
Por Bruno Ruy

Desde que comecei a surfar, sempre achei que o maior benefício que o surf pode proporcionar é a curtição do espírito de camaradagem, ou como dizem no Hawaii, espírito de Aloha. É como se você comemorasse o fato de ter conquistado um desafio, no caso, chegar no outside, e ter o prazer de compartilhar isso com alguém com uma visão de mundo igual a sua.

Isso é um fato incontestável: a grande conquista do outside é uma emoção comum a todos no mundo do surf. E mesmo com inúmeras transformações ao longo dos tempos e gerações, com equipamentos, mares e limite diferentes, o que fica é aquela sensação única de euforia que se tem ao surfar uma onda nova.

Imagine o que seria dessa experiência se você não tivesse com quem dividir essa emoção, ou ao menos pudesse contar para alguém, mesmo que passasse por mentiroso. É aí que reside grande parte do espírito de Aloha: a confraternização entre os surfistas, que, mesmo com origens e culturas diferentes, sempre se entenderam bem ao longo dos anos.

O surf é um prazer universal, assim como a música, o sexo, a arte, ou umas boas risadas com os amigos. Todo mundo entende e se emociona sem precisar de legendas ou traduções. Não fosse isso, nosso esporte não estaria tão difundido pelos quatro cantos do planeta. Surf é surf, em qualquer lugar que você esteja, aquela emoção de se divertir e compartilhar uma conquista vai estar lá.

Infelizmente hoje estamos muito longe dessa antiga realidade. Tudo está acontecendo tão rápido que quase não acompanhamos mais a evolução do esporte. Chegou a hora de pagar o preço. O crowd está aumentando, chegando a um ponto irreversível!

Onde vamos parar? Acho que esta é a grande preocupação do mundo, pois ele está ficando cada vez menor. Os picos estão mais escassos e as ondas mais disputadas e com isso, lá se vão a paz e a curtição entre amigos.

Qual outro motivo, se não o egoísmo, para um surfista local botar um "haole" pra correr? Se pensarmos na relação prática entre muita gente para pouca onda, até daria para entender. Mas não, esta disputa envolve coisas maiores, como o próprio meio ambiente.

Tem gente que, para surfar, é capaz de derrubar matas virgens e construir pousadas, campings e tudo mais, formando bairros e depois cidades em volta dos picos famosos. Basta olhar para Jeffrey’s Bay e ver o que ela era no começo de sua história e o que virou 20 anos depois. Tudo em nome do prazer de surfar uma onda maravilhosa. Causa nobre, mas será que o preço pago não foi alto demais?

Tive a oportunidade de ver de perto a reação das pessoas ao assédio de suas praias. São pessoas furiosas que não admitem que seus picos sejam invadidos. Eles sentem-se donos das ondas e do prazer de surfá-las, como se isso fosse um direito exclusivo de poucos felizardos. Se fosse assim, jamais iríamos evoluir. E o mundo precisa evoluir, de preferência mais rápido que todas essas mudanças, para termos a chance de entender tanta confusão. Não dá para imaginar que, só porque você tem a sorte de morar em um lugar com boas ondas, elas serão somente suas.

Acho que nosso único caminho a seguir é a preservação! Mas preservar o quê? Chegou a hora de preservar o bom senso, os picos e a educação, que dosada em grandes escalas, pode garantir praias limpas, camaradagem e muito espírito Aloha.

Todos temos aquela inevitável atração pelo surf, mais uma razão pela qual devemos desenvolver uma boa relação com ele. Se passarmos para dentro d’água todos os problemas do mundo em terra firme, vamos acabar tomando vários "caldos" da vida. O sossego e a paz interior do surf irão embora, tornando o nosso esporte prejudicial à saúde ao invés de benéfico. Daí a razão de preservar esse espírito de amizade, assim teremos por mais tempo o prazer de uma onda em nossas veias.

Não sei se estou viajando em um mundo imaginário ao acreditar que o surf tenha o potencial de mudar as pessoas, fazendo-as evoluírem de forma verdadeira, coisa que tanto precisamos hoje em dia. Mas prefiro sonhar e sair d’água feliz a lavar os problemas do mundo para lugares sagrados como as ondas!

Bruno Ruy é estudante, apaixonado pelo surf e um defensor entusiasmado do "espírito de Aloha"

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pensando no surf no dia do 20º aniversário

Bruno comemora seus 20 anos de evolução
Por Bruno Ruy

Dizem que a mudança é uma constante no surf. E basta olhar para trás que comprovaremos que nossa tribo mudou, evoluiu. Se formos comparar os dias de hoje com 20 anos atrás, veremos que muita coisa está diferente: pranchas e, principalmente, a forma como surfamos as ondas. Os sonhos são outros e hoje a nossa busca vai muito mais além. Com o mundo globalizado, o surf chegou aos quatro cantos do planeta.

Mas essas mudanças não acontecem à toa. Elas são uma evolução do que já foi o nosso esporte. Por isso, o meu conhecimento nada seria sem a história dos últimos 20 anos.

E se por um lado a mudança faz parte do esporte, sua essência é a mesma. A alegria no rosto de um menino ao acelerar na sua primeira onda, é a mesma que sente Kelly Slater em mais um tubo em Pipeline. O desejo do coroa em dropar a onda do dia é o mesmo de Maya Gabeira em descer mais uma onda gigante. Em qualquer lugar, sendo amador ou profissional, o espírito não mudou.

Esse é o meu compromisso com as pessoas que me acompanham e pensam sobre meus textos. Evoluir e se renovar com o esporte, sem nunca perder o feeling que nos faz deslizar até a beira da praia toda vez que o mar estiver bom, ou até mesmo ruim.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado pelo surf e faz aniversário dia 10 de junho.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O que você faz pelo planeta?

Tempo de decomposição do lixo
Por Marilia Fakih

Não podemos nos preocupar com os problemas que o planeta sofre apenas no Dia do meio ambiente, comemorado em 5 de junho. O NextSurf acredita que todos os dias são de preservação e lança a pergunta: O que você faz pelo planeta?

Diante de ameaças de aquecimento global, mudanças climáticas, buracos na camada de ozônio, desmatamento, rios e mares cada vez mais poluídos, responda: o que você está fazendo para salvar o seu planeta?

Grande parte dos 510,3 milhões de m² da terra está sendo destruída pelos seres humanos. Se levamos "vantagem" em relação a outros habitantes da Terra por sermos seres pensantes, agimos de forma totalmente irracional no proveito do meio ambiente.

É claro que grandes providências, como a redução de CO² na camada atmosférica por exemplo, devem ser tomadas pelas autoridades de cada país. Mas há pequenas ações que todos os cidadãos podem e devem fazer para diminuir as agressões ao nosso planeta.

Descaso na praia

A segunda casa do surfista é a praia, mas uma parte dessa tribo não se importa em cuidar dela. Quantas vezes não presenciamos turmas que, ao deixar a praia no final do dia, deixam também na areia todo o lixo produzido por eles.

Com o pensamento de que "alguém vai passar por ali e limpar a areia", essa galera não faz o mínimo esforço para levar seu lixo até uma lixeira próxima. Quando o mar sobe, o lixo é levado para a água e detritos viram comida de tartarugas marinhas e outras espécies marinhas, que confundem o lixo com alimento.

Outro grande vilão das praias é o cigarro. Uma bituca demora de 5 a 10 anos para se decompor, mas nem por isso os fumantes se conscientizam do mal que causam ao meio ambiente. Com até setecentos aditivos usados em sua fabricação, esses filtros são extremamente prejudiciais à natureza.

Além de provocar incêndios quando jogadas acesas na natureza, a bituca de cigarro mata os animais que a ingerem, segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).

Com o aumento da reciclagem de alumínio, o descarte de latas em lugares públicos, como a praia, tornou-se tolerável. Existe sempre alguém que passa nas areias recolhendo latinhas, mas não se engane quanto ao mal que esses materiais trazem ao planeta. Uma lata de alumínio demora cerca de 100 anos para se decompor no meio ambiente e até lá, muito prejuízo foi causado.

Atitudes que fazem a diferença

Cada um de nós pode contribuir a sua maneira para a melhoria do planeta. São atitudes simples, mas que se forem adotadas por um grande número de pessoas, farão toda a diferença.

Quando for a praia, leve uma sacola para recolher o lixo produzido pela galera. No final do dia, basta deixar seu lixo na lixeira mais próxima, existem várias espalhadas pela orla das nossas praias.

Os fumantes devem fazer um esforço para perder o hábito de jogar a bituca do cigarro em qualquer lugar. Tanto na praia, quanto na cidade, lugar de bituca é no lixo e é assim que deve ser. Uma ideia é carregar um cinzeiro portátil para depositar o resto do cigarro quando for à praia e lembrar sempre de jogar a bituca no lixo quando estiver na rua.

Confira outras dicas:

- Evite o desperdício de comida. Faça compras quando necessário e consuma mais ovos e grãos e menos carne;
- Conserte vazamentos em torneiras de sua casa. Uma torneira que pinga uma gota por minuto pode desperdiçar mais de 11340 litros por ano. Além de economizar água, a conta no final do mês ficará mais barata;
- Não deixe luzes acesas sem utilidade e aproveite ao máximo a claridade natural do dia. Evite também deixar vários eletrodomésticos ligados ao mesmo tempo. Utilize-os apenas quando precisar;
- Desodorizadores de ambientes são uma furada. Para perfumar sua casa prefira as flores, que melhoram e muito a qualidade do ar.
- Dê preferência para papéis recicláveis e utilize folhas usadas para rascunhos;
- Deposite pilhas usadas e baterias velhas de aparelhos eletrônicos em lugares certos. Existem diversos postos para isso espalhados pela cidade;
- Quando estiver no banho, evite gastar água a toa. Feche o chuveiro para se ensaboar, por exemplo, e tome banhos mais curtos;
- Se tiver a oportunidade, instale lâmpadas com sensor de presença nas áreas externas da sua casa, ou converse com o síndico de seu prédio sobre isso. Assim, elas só acenderão quando alguém precisar delas;
- Procure utilizar mais sua bicicleta e o transporte público para se locomover. Se você mora em cidades como São Paulo, onde o transporte público não é eficiente e não há muitas vias para ciclistas, opte pela carona. Dê e pegue mais carona, assim um carro a menos deixará de circular nas ruas e você não ficará tão sozinho;
- Quando for às compras, utilize sacolas reutilizáveis. Você pode reduzir o consumo de sacos plásticos (extremamente nocivos ao planeta) e ainda usar uma sacola exclusiva que tem a sua cara. Diversas redes de supermercados e comércios em geral estão disponibilizando essas sacolas para seus clientes, geralmente por um preço bem acessível.

Quer saber mais? Se informe sobre a ONG SOS Praias Brasil, que atua em nosso litoral, ou pesquise sobre ações de desenvolvimento sustentável. Não é caro, não requer muito esforço e faz toda a diferença para o nosso planeta. Lembre-se: é dever de todos cuidarmos de nossa casa!

Marilia Fakih é reporter especial do NextSurf e incentiva cada um faça sua parte para salvarmos o planeta.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O futuro passa pela China

Evolução das pranchas de surf - Foto: Divulgação
Por Bruno Ruy

Quem está ligado nas novas tecnologias das pranchas com certeza está curioso e querendo saber como serão as pranchas do futuro.

Há muito tempo elas são iguais: resina poliéster e bloco de poliuretano. Mesmo com as técnicas mudando com o tempo, a matéria prima é sempre a mesma. A única diferença é que os shapes passaram a usar menos resina, fibra e os blocos se tornaram mais leves e frágeis. Em busca da leveza e performance, a prancha passou a quebrar com facilidade e se tornou descartável.

Quem acompanha a evolução do windsurf sabe que eles começaram com os mesmos materiais que o surf, mas evoluíram. Hoje aquelas pranchas usam uma tecnologia muito mais avançada. Agora são feitas com um material high tech, sendo mais leves e fortes que as nossas.

Mas, por que isso? Fiz essa pergunta a um shape local e a resposta foi: "O material, junto com a mão-de-obra torna a fabricação extremamente cara, inviabilizando a construção para fins comerciais".

Porém, a partir de agora, parece que isso vai mudar. Pranchas ocas, com 100% de carbono, placas de poliestireno com carbono e epóxi; bloco de poliestireno, estruturados e expandidos em forma; resinas epóxi de alta resistência, etc. E o essencial: preços razoáveis.

É bem provável que essas mudanças ocorram em breve. Já que vários surfistas profissionais estão testando suas novas ferramentas de trabalho. Vamos finalmente mudar um ciclo de 50 anos.

O mais curioso de tudo isso é que essa nova prancha só vai ser possível graças aos chineses. Aqueles que nunca surfaram e não sabem nem o que é isso.

Várias fábricas do ocidente abriram ou se associaram às fábricas chinesas. Isso porque aprenderam que não devem ser dependentes de uma só fornecedora e buscaram na China a produção de matéria-prima.

Depois disso, descobriram que poderiam fazer pranchas que ficariam caras nos EUA e Austrália, mas baratas na China, devido à boa e barata mão-de-obra, bons preços e câmbio favorável.

Não demora muito e sua prancha virá com um carimbo: Made in China.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado por surf e acredita que o esporte tem de evoluir sempre.