terça-feira, 20 de maio de 2008

Não queremos esperar mais seis anos

Bruno Santos entocado em Teahupoo - Foto: Kirstin
Por NextSurf em 20/05/2008

Com todo o direito de comemorar, a galera que ama o surf brasileiro ainda vibra muito com a façanha do carioca Bruno Santos que conquistou a terceira etapa do WCT em Teahupoo. Além de ter surpreendido o mundo que não está acostumado a ver um atleta vindo da triagem chegar ao mais alto lugar do pódio, ele derrotou as feras do esporte e não amarelou em ter de fazer a final contra um local taitiano. Todos os aplausos para Bruno, mas é preciso ter consciência de que estamos falando de um feito pessoal.

Não é hora de se iludir e achar que a bandeira verde-amarela vai dar o tom no mundo do surf. Temos Adriano Mineirinho bem posicionado num 6º lugar da elite, temos Hizumonê Bettero mandando bem no WQS e as competições locais mostram que, a cada dia, surgem novos talentos. Isto tudo é importante, porém resultados no campo do esporte vêm a longo prazo. É preciso trabalhar, investir e se preparar.

Foram seis anos entre a última vitória brazuca no WCT, com Neco Padaratz na França, e a emoção de ver Bruno detonar em Teahuppo. Para não ficarmos tanto tempo esperando outra conquista com essa importância é preciso muita união dos atletas e dos dirigentes, campanhas de divulgação e promoções de eventos profissionalizadas e apoio da galera. Bruno fez muito pelo surf brasileiro superando tudo nas ondas taitianas, mas o principal foi o exemplo que deu, provando que tudo é possível. Porém, não será com um herói apenas que chegaremos lá, será com muita gente preparada e disposta a vencer. Parabéns, Bruno! Vamos em frente, galera do surf!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Vontade de vencer de Bruninho é exemplo para brazucas

Por Marilia Fakih

Outubro de 2002. O catarinense Neco Padaratz levanta o caneco em Hossegor, na etapa francesa do WCT. A galera brazuca vai ao delírio e o tão sonhado título mundial parece estar mais perto de nossas mãos.

Maio de 2008. Quase seis anos depois, o carioca Bruno Santos quebra o jejum brasileiro de vitórias no mundial ao vencer a etapa mais temida do circuito, em Teahupoo. Foi um longo jejum. Desde que o catarinense subiu ao topo do pódio na França, nossos melhores resultados no WCT foram um terceiro lugar de Danilo Costa em Teahupoo, em 2003; Dois terceiros lugares de Renan Rocha e Tânio Barreto, na Praia da Vila, em 2004; um vice-campeonato de Victor Ribas em Imbituba em 2005; e um terceiro lugar de Adriano de Souza na Austrália em 2006.

Durante todo esse jejum, os atletas, empresários, entidades responsáveis e a mídia especializada tentaram diversas vezes encontrar o motivo da falta de vitórias. Alguns afirmam que os brazucas que compõem atualmente a elite mundial são acomodados, bastando a eles estar no WCT.

Já os surfistas se defendem e dizem que vontade não falta. A culpa cai nos juízes da ASP, que julgam mal os brasileiros e não dão as notas merecidas nas baterias.

Para outros, o WCT é muito caro e as etapas acontecem em picos paradisíacos, com custo elevado. Isso dificulta a vida dos nossos atletas, que não têm dinheiro para chegar antes ao lugar e treinar para as competições.

Há quem diga ainda que o que afastou os brasileiros do pódio é a falta de boas ondas por aqui. O tour é todo baseado em ondas pesadas e tubulares, na maioria das vezes em pointbreaks, raros no Brasil. Como não temos tantos picos com ondas deste naipe, fica difícil para os nossos surfistas treinar na terra natal.

Por último, mas não menos importante, está a falta de preparo psicológico dos caras. Não é só surf no pé que um surfista precisa ter para se tornar campeão do WCT. É preciso ter a cabeça no lugar, manter a calma antes das baterias e saber lidar com a pressão do tour. Integrante da elite mundial precisa estar sempre viajando, longe da família. Se o cara não estiver preparado para enfrentar essas barras, será difícil conseguir um bom resultado.

Mas Bruno Santos mostrou nesta quinta-feira que o importante é ter vontade de ganhar. Ele não é top 45 e não tem familiaridade com as ondas do tour. Por outro lado, é cria de Itacoatiara, pico que apresenta uma das ondas mais casca-grossa do Brasil, pesadas e tubulares. Foi em Itacoá que ele desenvolveu a habilidade nos tubos. Bruninho surfou morras de até três metros nas triagens e conquistou uma vaga na etapa de Teahupoo graças a esse conhecimento.

Foi durante essa fase que o carioca se machucou, sendo aconselhado pelos salva-vidas locais a desistir de competir. Mas nem os quinze pontos que tomou na coxa fizeram o moleque deixar para trás o sonho de conquistar o título.

Bruninho também provou que os juízes não são contra os brasileiros e colecionou boas notas ao longo das disputas. Ele surfou até a última bateria focado na vitória, com a cabeça tranqüila, talvez porque não precisasse somar pontos no ranking.

Após derrotar o herói local Manoa Drollet, Bruno Santos lavou a alma brasileira e provou ao mundo inteiro, inclusive para nós, que nossos atletas tem sim potencial de ganhar um título mundial. E que, diante da determinação, disciplina, cabeça focada e surf no pé, não há obstáculos que impeçam isso.

Marilia Fakih é repórter especial do NextSurf, especialista em esportes de prancha e acredita no que talento e vontade de vencer fazem parte da receita do sucesso.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Surf não garante grana para todo mundo

Foto: Marcelo Bolão / http://www.chutaobalde.com/
Por NextSurf em 13/05/2008

Que o surf está se transformando em uma indústria capaz de movimentar milhões de dólares a galera já está cansada de saber. O que precisa ficar claro é que, como em todo negócio, não há espaço para todo mundo encher os bolsos. O toque é importante neste momento se vê a divulgação de histórias dos grandes empresários do ramo que estão dropando em ondas de dólares e até cursos sobre como eles chegaram ao sucesso começam a rolar.

Ninguém quer desanimar ninguém e é certo que a vida dos perdedores não interessa muito, apesar de também trazer grandes lições. É importante estar atento para o fato de que para cada um dos gênios que se transformaram em donos de gigantescas empresas, existem milhares que continuam matando um leão por dia para pagar as contas e outros milhares que desistiram no meio do caminho.

O surf está começando a pensar na importância de faturar para se garantir como negócio. Por isso, possibilita mais chances para quem tem idéias criativas e vontade de trabalhar, no entanto ele traz os mesmos riscos dos demais setores. Outro problema que ele enfrenta é a resistência dos puristas e românticos que defendem que só quem tem “água salgada no sangue” deve estar no meio.

O surf negócio precisa de lucro e, para ter lucro, precisa de mais gente ligada nos eventos e nos ídolos da arte de entender o mar. Evidentemente, virão investidores de outras áreas como veio para o futebol, onde até a máfia russa coloca grana. Faz parte do jogo. Quem já está na área tem mais chance, mas não pode vacilar. Quem não está e decide entrar só pela fissura pelo dinheiro necessita saber que assim como alguns ficarão ricos, vai ter um montão que contará o prejuízo. É a regra do jogo, é a lei do mercado. Quem se dispõe a dividir experiência sem contar dos perigos está iludindo a galera.