sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O bom e o mau como estratégia de marketing

Por Michel SP

Entre os diversos defeitos que os seres humanos possuem, um que muito me incomoda é a forma de se julgarem uns aos outros, pois isto, na grande maioria das vezes, é feito sem nenhuma base concreta, muitas vezes sem nem mesmo conhecer pessoalmente o alvo das críticas ou elogios. Quase sempre, um ato isolado, talvez a fisionomia ou a forma como fulano ou beltrano age perante a sociedade ou aparece na mídia, é o critério adotado.

Esse jeito superficial que a galera costuma usar para definir quem é bom e quem é mau tem sido aproveitado por grande parte da mídia. Essa parcela dos meios de comunicação que funciona e trabalha da forma que lhe seja mais lucrativa, sem pensar no interesse de quem representa ou do público a que se destina, se precisar destruir a imagem de determinada pessoa, ou mesmo a distorcer, não vacila e vai em frente.

Se o "mocinho" vende muito, mas não tanto quanto o "bandido", investe-se no "bandido". Lembrando que quem determina qual é o "mocinho" da vez, também pode ser o marketing. Aliás é sempre preciso ter as duas faces da moeda: no futebol o Kaká é o bom moço, já o Edmundo é o "bad boy". Na novela de sucesso da Globo, Flora começou de vítima e virou vilã, Donatella fez o caminho contrário. Em nome da audiência e do lucro.

Para o mundo do surf, Andy Irons é o vilão, já Kelly Slater é o herói. Andy pode não ser a simpatia em pessoa, mas também não é visto se envolvendo em encrencas por aí. Slater tira foto com os fãs, dá autógrafo, sorri, trata todos bem, mas já teve seus momentos de malfeitor, como o episódio em Israel.

A rivalidade entre o "bem" e o "mal" sempre vai existir para apimentar o esporte, a música, novela e a vida. No esporte e na ficção o mal vencer fica até divertido e inesperado. Já na vida real... Dizem que o bem sempre vence, mas...

Michel SP é editor do Next Surf e acredita que ninguém é totalmente mau, nem totalmente bom.

sábado, 6 de dezembro de 2008

O que falta para Silvana Lima se tornar campeã mundial?

Silvana é um fenômeno pouco explorado? Foto: ASP
Por Marilia Fakih

Com o término da penúltima etapa do WCT Feminino, que rolou em Sunset Beach, no Hawaii, uma pergunta não sai da minha cabeça. O que falta para que a brasileira Silvana Lima saia do papel de coadjuvante e conquiste o tão sonhado título mundial?

Vamos por partes. Essa cearense regular footer de 24 anos é local de Paracuru e chamou atenção desde o início por apresentar um surf tão radical como nenhuma outra menina já havia demonstrado.

Foi descoberta pelo shaper carioca Udo Bastos, com quem trabalha até hoje. Foi graças à fama de seu surf power que Udo convidou Silvana para morar no Rio de Janeiro, onde ela poderia treinar mais forte para os campeonatos.

Não demorou muito para o nome e o surf de Silvana se tornarem conhecidos no cenário nacional. Ganhou o primeiro título de campeã brasileira em 2004 e repetiu a dose em 2005. Aliás, 2005 foi um ótimo ano para a cearense, já que ela terminou a temporada do WQS daquele ano em sexto lugar, carimbando a vaga para a elite mundial.

No WCT, Silvana Lima sempre foi referência. Antes de se tornar de vez uma top 17, participou da última etapa do tour de 2005 como convidada em Maiu, no Hawaii, e deixou todo mundo de queixo caído ao tirar uma nota dez em sua primeira onda surfada. Até aquele tubo perfeito, poucos conheciam a brasileira.

Em 2006, começou para valer o trabalho no Dream Tour. Desde então, Silvana descola sempre as melhores notas, abusa de manobras na parte crítica da onda, mostra sempre um surf ousado e explosivo e decola em aéreos como nenhuma outra garota faz no circuito.

No primeiro ano de tour, terminou em nona no ranking. No ano seguinte, vieram melhores resultados e Silvana terminou como terceira melhor do mundo.

O ritmo do "quase" continuou por 2008. Depois de começar com dois nonos lugares nas provas australianas (Gold Coast e Bells Beach), finalmente o surf da cearense começou a fluir e a seqüências de resultados foram: 3ª em Hossegor, França; 5ª na Barra da Tijuca; e três vice-campeonatos em Sydney, Mancora (Peru) e Sunset (Hawaii).

Já no cenário mais "local", seus resultados foram mais consistentes. Tanto que garantiu o título de Campeã Sul-Americana por antecipação em 2008.

Diante de todo esse desempenho, o que está faltando para que Silvana chegue ao título de uma etapa e ao título mundial? Surf já vimos que ela tem, e esbanja bom desempenho. A cearense também tem apoio de grandes nomes do esporte no Brasil, como Pedro Robalinho de técnico e Ricardo Bocão de consultor, além do fiel shaper Udo Bastos.

Silvana também tem um grande patrocinador ao seu lado, a Billabong, mas às vezes me parece que não sabe explorar essa situação. O paranaense Jihad Khodr é um bom exemplo. Por um bom tempo ele carregou no bico de sua prancha uma das maiores marcas do mercado, mas antes de fazer parte do Dream Tour, nunca havia surfado Teahupoo.

Durante todo o tour de 2008, a aussie Stephanie Gilmore, por exemplo, viajou por diversos picos do mundo bancada pelo seu patrocinador para aprimorar seu surf. Resultado: bicampeã mundial aos 20 anos.

Tudo bem que Steph é um fenômeno nascido na Gold Coast, a Disneylândia do surf, mas incentivo e determinação fazem a diferença na hora de cair na água em uma bateria do Dream Tour.

Silvana também precisa trabalhar melhor sua imagem. Como uma atleta internacional, precisava falar (pelo menos) inglês, coisa que não acontece. Por causa dessa "deficiência", é deixada de lado por grandes mídias internacionais do surf, que poderiam lhe dar destaque maior.

Para finalizar, Silvana tem que saber bem o que quer e correr atrás de seus objetivos. Não é impossível e ela tem condições de sobra para bater Gilmore, Sofia Mulanovich e quem mais se destaque no WCT.

Cabeça no lugar, ansiedade muito bem trabalhada e pulso firme na hora de vestir a lycra de competição, além de melhorar sua imagem como atleta diante do cenário mundial, podem levar a cearense de Paracuru ao topo do mundo, sem dúvidas.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Preconceito do “Casseta”

Por NextSurf em 31/10/2008

Sem dúvida, um dos programas mais “assistíveis” da TV brasileira é o Casseta & Planeta da Globo, mas para a galera que gosta de surf está se transformando em irritante rotina ver as demonstrações de preconceito desses humoristas. Na terça feira (28/10), mais uma vez eles pegaram pesado com os surfistas. No quadro Cassetástico, o personagem o “Dráuzio Careca”, que faz uma paródia do médico Drauzio Varela, reforçou a imagem que o programa divulga de que o surfista é burro e de que possui apenas dois neurônios.

Para quem não viu, vale lembrar que, em uma viagem pelo cérebro de um adolescente surfista, o personagem diz que foram encontrados, “depois de muito tempo”, dois neurônios limitados em “Pode crê e Nada a vê”. Quando o surfista chega à idade adulta, o desentendimento gira em torno de “arrumar emprego”, o que não é uma boa idéia e o assunto é abortado, mais uma vez, pela expressão “Nada a vê”.

Temos que acabar com qualquer forma de preconceito. Entre surfistas e quem ama esse esporte, temos gente de todos os padrões de inteligência e cultura, assim como em qualquer outra “tribo”. A imagem do cabeludo que só quer pegar onda e ficar na praia é atrasada, está desmentida pelo próprio mercado que tem neste público consumidores de alto poder aquisitivo. São muitos, os surfistas médicos, advogados, engenheiros, matemáticos, empresários, e não é porque pegam ondas e tomam muito sol na “mulera” que são alienados.

A própria emissora que veicula o programa “Casseta & Planeta” está investindo na imagem do surfista em sua novela das 19h. E seus personagens, além de surfistas, se mostram muito engajados em preservação ambiental, preocupação com a saúde da população local e no aprendizado de seus filhos, que só entram em ação nas ondas, após as obrigações escolares.

Está na hora dos “cassetas” pararem com essa campanha idiota e preconceituosa.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Todos perdem com o abandono dos tops

Slater pagou US$ 10 mil para não vir ao Brasil - Foto: Cestari
Por NextSurf em 27/10/2008

Está marcada para rolar a partir da terça-feira (28) até 5 de novembro, na praia da Vila, em Imbituba (SC) a penúltima etapa do Circuito Mundial. Com a data se aproximando, o público do Brasil, considerado o mais apaixonado e caloroso do planeta, não se encontra animado para encarar os dias de disputa por lá. A causa do desânimo é a ausência dos tops do WCT (Kelly Slater, Joel Parkinson, Mick Fanning, Bobby Martinez, Andy Irons, Bruce Irons, Dane Reynolds, Dean Morrison, Daniel Wills, Luke Munro, Neco Padaratz e Adriano Mineirinho) que tira o brilho da etapa brazuca.

Mesmo os que torcem por boas atuações dos verde-amarelos, acabam frustrados por não poderem acompanhar de perto a performance dos grandes ídolos do surf. A ansiedade pela viagem a Santa Catarina, a grana economizada durante o ano para se jogar para Imbituba, o sonho de conseguir uma foto ou um autógrafo do seu herói foram apagados, não pela soberania de Slater, e sim pela passividade da ASP, que não possui pulso forte e nem regras rígidas para bater de frente com os maiorais do esporte dos deuses.

Com a atitude das estrelas do "Dream Tour" e as "vistas grossas" da ASP, todos saem perdendo. O esporte, que dificilmente será levado a sério, os patrocinadores, que perderão dinheiro e parcerias com um evento desfalcado, o público, que se prepara durante todo o ano para acompanhar a competição, e os atletas responsáveis e que respeitam o público, que com esse tipo de atitude, saem dos sonhos, revistas e pôsteres de seus fãs.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Aos mestres com carinho

Slater ensina como ser um vencedor - Foto: Kirstin / ASP
Por Michel SP

As bolas de papel na cabeça, a molecada remando para fora da visão de seus professores no outside, os inúmeros diários para se corrigir, as críticas destrutivas, as noites mal dormidas pensando em uma forma melhor de ensinar, o desejo de colocar para as pessoas tudo aquilo que fez de você uma pessoa melhor, um profissional melhor, e até mesmo um surfista melhor.

A vocação dos professores desperta a vocação de muitos outros, mesmo quando em seu dia-a-dia, tantas dificuldades acontecem.

Professor não é só quem ensina História e Geografia, o "Mestre" também "leciona" a melhor forma de se ver e viver a vida.

Respeitar os mais velhos, como se comportar diante os locais do pico, tocar violão, andar de bicicleta, empinar pipa, dar sua primeira batida na junção, furar a onda, xavecar a gatinha, seu papel no mar e na sociedade, dirigir, se controlar, enfrentar seus medos, buscar seu auto-conhecimento, encarar uma entrevista de emprego, aproveitar as coisas simples da vida, são aulas diárias que temos com quem nos acompanham em nossas rotinas, ou com pessoas que de alguma maneira cruzaram nossas vidas.

Quem nunca aprendeu algo com um sorriso de uma criança ou com uma atitude de sua avó, e até mesmo com a paz e tranqüilidade de um monje?

Quem nunca aprendeu com um local marrento onde se deve pisar, dropar, remar? (mesmo que tenha sido da pior maneira possível).

Não importa se nosso professor tem 65 anos de carreira, ou de 12 anos de idade. Todos sempre temos o que ensinar, como todos nós sempre temos o que aprender. Ninguém nasceu sabendo, e quando pensarem que já sabem tudo, significa que a vida chegou ao fim.

Um grande amigo meu sempre me disse que: "Podem me tirar tudo que tenho, só não podem me tirar o que eu aprendi e o que eu ensinei".

Vamos deixar a porta aberta para o aprendizado. Seja na escola, na praia, em casa, na vida, nas ondas, afinal, temos que comemorar "a beleza de ser um eterno aprendiz".

"Tenho aprendido muito com o Kelly, o jeito como ele entra nas baterias, como ele fala com todos. Se eu conseguir me manter na elite, tenho certeza de que o próximo ano será bem melhor" diz Heitor Alves sobre o professor Slater.

Michel SP é editor de conteúdo do NextSurf e parabeniza, não apenas neste 15 de outubro e sim por toda a vida, todos os mestres espalhados pelo planeta.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

E a ASP? Não vai fazer nada?

Soberania de Slater afastou outros tops - Foto: ASP
Por Fabricio Fernandes

Imaginem a cena. Fedeher está com uma pontuação tão alta a três grand slans do final da temporada, que Nadal desiste de competir em Wimbledon e Rolland Garros.

Na Formula 1, Hikkonen também avisa que não vai mais competir nos GPs em Mônaco, Brasil e Austrália porque Massa já está com uma mão na taça.

Giba fala com Bernadinho que não vai jogar a disputa do Bronze porque o interesse dele era apenas a medalha de Ouro.

Alguém consegue visualizar alguma dessas três situações ocorrendo? É claro que não! E sabe por quê?

São esportes sérios, tem federações sérias, e se algum atleta for louco o suficiente para ser indisciplinado desta forma receberá severas sansões tendo como conseqüência grandes prejuízos para sua carreira e perda de patrocinadores.

Então por que no surf Andy Irons, Mick Fanning e Bruce Irons simplesmente por não terem mais chances de conquistar o título abandonam o circuito, faltando 4 (Andy) ou três etapas e não são punidos? Por que Sunny Garcia e Makua podem ameaçar e bater nos brasileiros e não são punidos?

Seria por acaso que com apenas uma vitória em Rolland Garros, Guga tenha ganhado a mesma premiação que o maior surfista de todos os tempos, Kelly Slater em toda sua vida?

A ASP regulamenta o quê? Cadê a seriedade do órgão máximo do surf que assiste apaticamente tudo isso? Será que um dia a Coca Cola voltará a arriscar seus dólares (Principalmente agora com as quebras das bolsas) no nosso circuito mundial?

A Nike, Reebook, Wilson e tantas outras mega empresas, que seriam potenciais patrocinadores, arriscariam seu pescoço vinculando a sua imagem a um esporte que não cria uma regulamentação eficaz?

Você apostaria o seu dinheiro patrocinando uma etapa sabendo que os top 5 poderiam não aparecer?

Para ser respeitado, é preciso que o esporte se dê o devido respeito. É preciso ter a frente pessoas que alavanquem o produto, que desenvolvam um marketing agressivo e que acima de tudo criem regras como anti-dopping, punições severas contra indisciplina e que seja exigida a presença de todos em qualquer etapa em todos os lugares do mundo.

Surf como esporte olímpico? Com essa atual concepção ainda temos um longo caminho a ser percorrido...

Fabrício Fernandes é um dos colunistas da agência de comunicação FAMA Assessoria.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Andy Irons - a incógnita do Dream Tour

Andy comemora em Arica - Foto: ASP
Por Marilia Fakih

O havaiano Andy Irons é um dos principais representantes do surf progressivo, que abusa de rasgadas e batidas na parte crítica da onda e traz aéreos radicais no repertório de manobras.

Local de Kauai, no Hawaii, sua habilidade com a prancha foi muito bem polida desde cedo nas ondas de Pipeline e Backdoor, além de picos alucinantes como Sunset Beach e Rocky Point, parada obrigatória dos melhores surfistas do mundo.

Irmão mais velho de Bruce Irons, Andy surgiu no WCT em 1997, disposto a dominar a cena. Logo no início, a presença do havaiano apavorou o careca americano Kelly Slater, que viu nele um competidor com potencial à sua altura.

Não demorou muito para o havaiano colocar as asinhas de fora e mostrar a que veio. Tricampeão mundial consecutivo, em 2002, 2003 e 2004, vencedor da Tríplice Coroa Havaiana em 2005 e principal rival declarado do octacampeão mundial.

Mas ao mesmo tempo em que possui um surf de alta qualidade e potencial para ganhar mais títulos, Andy Irons é a maior incógnita do Dream Tour. Sua última vitória foi em 2007, na etapa móvel do WCT realizada em Arica, no Chile.

De lá para cá, a motivação do havaiano para competir na elite mundial é cada vez menor. Em novembro do mesmo ano, desistiu de disputar a etapa brasileira para se casar com Lyndie, sua namorada. O australiano Mick Fanning venceu a temporada e Irons terminou na sexta posição no ranking.

Enquanto a mídia especializada especulava que o casamento faria bem ao espírito competidor do surfista, seus resultados em 2008 mostravam ao contrário.

Andy foi quinto colocado nas três primeiras paradas do WCT (Gold Coast, Bells Beach e Teahupoo). Depois, teve que se contentar com a 17ª colocação em Fiji, seguida de outro 5º lugar na África do Sul e 9º em Bali.

Mas o desânimo com o tour começou mesmo na sétima etapa, em Trestles, na Califórnia. Após perder na abertura para o conterrâneo Roy Powers e para o sul-africano Rick Basnett, Irons teve que disputar a permanência no evento na repescagem. Perdeu por combinação para o convidado australiano Yadin Nicol e amargou a 33ª colocação.

Na oitava etapa, em andamento em Seignosse, na França, sua estréia foi desastrosa. Numa bateria contra o sul-africano Jordy Smith e o brazuca Jihad Khodr, Irons segurou a lanterna ao pontuar apenas 2.34 pontos.

Na repescagem, ele enfrentaria novamente o brasileiro, mas para a surpresa geral, Andy não apareceu para a bateria e deixou Jihad sozinho no outside. O brazuca avançou e o havaiano foi eliminado por W.O., ficando novamente na 33ª posição.

Até agora a ASP não recebeu nenhuma justificativa do atleta sobre a ausência na disputa. A imprensa australiana acredita que Andy está doente, desde a etapa californiana, por isso não apareceu.

Mas o buraco pode ser mais embaixo. A falta de motivação estaria afastando Andy Irons do Dream Tour. Como o nono título de Slater está praticamente garantido, há boatos de que ele deve largar o circuito neste ano.

Por enquanto, são só boatos. Para os fãs do surf de Andy Irons, mesmo que ele não participe das etapas da Espanha e do Brasil, é praticamente certo que ele entre em ação no quintal de casa, durante o Pipeline Masters (última parada do tour).

Incertezas a parte, de uma coisa ninguém duvida: Andy Irons é um dos melhores surfistas que já apareceu no WCT e mesmo que saia do tour, vai continuar quebrando a vala com muito estilo por aí.

Para saber mais

O surf marcante, a personalidade forte e as características principais do havaiano podem ser conferidos no filme Trilogy, de Taylor Steele, lançado em 2007 pela marca patrocinadora do atleta.

O longa é a primeira produção pessoal sobre o Irons, desde sua aparição no filme Blue Horizon. Além dele, Joel Parkinson e Taj Burrow fecham a "trilogia", gravada nos picos de surf mais alucinantes do planeta, como Tahiti, México e Indonésia.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Estar na Globo é um risco para o surf

Por NextSurf em 18/08/2008

A todo-poderosa TV Globo já está colocando no ar as chamadas para sua próxima novela das 19 horas. Anunciada para setembro, Três Irmãs será escrita por Antonio Calmon, um especialista em destacar temas ligados ao jovem, e vai rolar em um fictício paraíso do surf. Os primeiros anúncios mostram um monte de astros globais segurando uma imensa prancha e o símbolo da novela, que será três pranchas estilizadas lado-a-lado.

A história começará com a chegada ao pico criado pelo autor de três surfistas com histórias diferentes que se envolverão com as três irmãs que dão título à atração. Entre as pessoas que vivem o mundo do surf brasileiro a primeira impressão é que estar na tela da líder de audiência vai ser muito bom para o esporte, mas essa visão otimista, que prevê mais patrocínio para os atletas e maior divulgação dos eventos, ameaça se transformar em frustração.

Quando se lembra que a Globo foi gravar cenas da novela em Bali já se comprova que a ficção tende a ser muito diferente de como é a real na vida de quem pratica o esporte no Brasil. Ninguém pede que a emissora faça documentários sobre as dificuldades enfrentadas por nossos atletas e a galera apaixonada pelas ondas, mas não se pode aceitar que vá ao ar a idéia de que tudo é aventura e alegria nesse mundo.

Quem acompanha a televisão brasileira sabe que nada nesse disputado mercado é de graça. Ainda não foram divulgadas as ações de merchandising que a novela vai ter, mas, com certeza, elas existirão e vão envolver quantias milionárias, muito mais do que são investidas diretamente no esporte. Assim, o perigo de se botar na tela uma visão distorcida do surf para vender roupas e outras coisas é muito grande. A galera que tem água salgada no sangue e quem gosta do surf precisa ficar atento e dar uma acompanhada na história. As entidades que reúnem profissionais do ramo também.

Queremos mais divulgação para o surf e conseqüentemente mais retorno para quem faz realmente a coisa acontecer, porém sem passar idéias fantasiosas desse mundo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O verdadeiro herói está em nossa casa

Raoni é exemplo para Vitória - Foto: Ivan Storti
Por Michel SP

Toda criança tem um super-herói que admira e que gostaria de ser igual. Normalmente, ele possui asas, ou uma capa muito colorida. Alguns andam em carrões maravilhosos e, na falta da capacidade de voar, cruzam os céus em aviões equipados com tudo que existe de mais moderno. Em resumo, eles têm a força e o poder. Porém, tudo isso fica em segundo plano, diante de um herói maior que é o pai de cada um de nós.

Quem já foi criança sabe, que mesmo sem super poderes, o cara que sai de casa antes de você acordar e chega no final do dia com disposição para jogar futebol, arrumar o chuveiro, jogar vídeo game, consertar a campainha, ajudar na lição de casa, aquele que oferece a recompensa, joga e pula com um sorriso no rosto é o verdadeiro herói.

Com o tempo a fixação por poderes e aviões com mísseis e o interesse nas melhores histórias que o cara alto e forte contava vão por água abaixo. Aparecerem novos símbolos para serem imitados. Um ator (ou uma atriz) boa pinta, um cabeludo sarado que arrepia nas ondas (ou uma big rider que arrebenta as morras), um guitarrista que esbanja atitude nos palcos (ou uma superstar cobiçada), um ou uma modelo vendendo saúde e beleza. Mas, mesmo com esse mundo de desejo e magia, não podemos esquecer que o exemplo vem de cima da muralha mais próxima, de quem está sempre do nosso lado. E olhando para o alto, lá está ele, seu verdadeiro ídolo, quem você realmente deve seguir os passos, levando o cachorro para passear antes do café, tirando um cochilo depois do almoço na casa da avó em um domingo preguiçoso, suando frio no banco do passageiro enquanto te ensina a dirigir, não se importando com o crowd enquanto vocês se divertem nas ondas.

Não pense que a pior batalha está nas costas do He-Man, que precisa derrotar o Esqueleto. Enfrentando os piores monstros da vida real, está seu pai. Madrugando para satisfazer o chefe, lutando bravamente para seguir no caminho do bem com dignidade, para nada faltar dentro do seu lar e para sua família. Nos momentos ruins ele também vai estar pronto para ajudar. Quando todo mundo desaparece, ele é o primeiro a aparecer, como se fosse mágico. Como se tivesse super poderes, vai estar preparado na hora que for necessário corrigir, puxar a orelha, abraçar e aconselhar.

Com o passar do tempo já não é necessário olhar para cima, na verdade ele é quem precisa ficar na ponta do pé para te olhar nos olhos. Mesmo morando na mesma casa, fica difícil se encontrarem, os horários não batem, os interesses são outros, você já possui suas opiniões formadas e já não sente que o velho antiquado tem algo para ensinar. Aí que nos enganamos, no fundo do peito, nos poucos momentos próximos, ele continua esbanjando sabedoria, distribuindo justiça, mostrando novas técnicas, ensinando a olhar e a prestar atenção, a pensar, a questionar e a explorar.

E você, engolindo todo o orgulho de se sentir um homem formado, admira cada vez mais quem sempre fez tudo de melhor por você, seja nas ondas, no futebol, na frente da família e amigos, atrás do volante, na escola, na saúde, comandando uma obra, e assume que só tem a aprender e agradecer ao verdadeiro Super-Homem. O herói careca pra mim não é o Slater, o gordinho passa longe de ser o Occy, nem o baixinho Bruno Santos é o cara que eu mais admiro. Como já disse (e bem), o Jihad Khodr: "Pra mim não tem Kelly Slater, Peterson Rosa, Fabio Gouveia. Meu ídolo é meu pai".

Michel SP é editor de conteúdo do NextSurf e com esse texto homenageia a todos os pais heróis que se espalham pelo mundo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O surf se impôs porque vende (e muito)

Slater é o surfista mais bem sucedido – Foto: ASP
Por Michel SP

A consolidação do surf como estilo de vida é uma realidade em todo o mundo. Até lugares afastados das praias estão recebendo o surf life style de braços abertos, seja consumindo marcas ligadas ao esporte ou acompanhamento os lances do mundo do surf pela mídia. A pergunta que surge desse movimento é: Será que a imagem do surfista mudou muito de uns tempos pra cá?

Antigamente o surf não era visto com bons olhos por grande parte da população brasileira e mundial. O surfista era visto como o vagabundo cabeludo que não tinha trabalho (muitas vezes tinha), não estudava (às vezes estudava), que não tirava os óculos escuros nem para tomar banho e seu vocabulário não ia além de tubos, rasgadas e gatas. Sua imagem era de quem não estava interessado em mais nada a não ser ficar na praia o dia todo pegando onda, pegando sol, pegando as gatas, pegando insolação, pegando micose, além dos exageros que ligaram surfista a drogas, problema que tanto pode atingir quem gosta de prancha como qualquer outro esportista ou profissional.

Com o passar do tempo, graças à insistência dessa galera apaixonada em pegar onda, a visão de quem está de fora do mundo do surf foi mudando. Apareceram as marcas relacionadas ao esporte, criaram-se eventos e campeonatos, mídia (mesmo que ainda devagar) deu espaço para a competições e surgiram em todo canto organizações, associações, federações. Hoje em dia é comum ver o pai comprando uma prancha para o filho no natal, no aniversário ou dia das crianças. É normal sentar na areia e observar famílias inteiras de surfistas pegando onda juntos e depois tomando uma água de coco em baixo do guarda-sol. Nas praias do planeta encontramos surfistas médico, advogado, político, dentista, desempregado, professor, estudante, donas-de-casa e os que ganham a vida surfando.

A visão da população mudou, mas o que provocou este movimento? Será que o surfista começou a ser visto como herói pelas pessoas? Dizem que o surfista salva mais vidas do que os próprios Guarda-Vidas, por já estarem no outside. Será que é por ele mostra ser corajoso ao enfrentar grandes ondas, que podem levá-lo à morte? Ou porque as pessoas se divertem surfando depois de um dia, uma semana, ou um mês de trabalho exaustivo?

A verdade é que, independente do amor pelo esporte, com o passar dos anos descobrimos que a imagem do surfista vende. As grandes marcas, criadas por surfistas ou por bons empresários, faturam milhões por ano colocando seus atletas em picos paradisíacos em outdoors nas estradas, alimentando o desejo das pessoas. Os craques do marketing e a mídia enchem os olhos dessa galera de esperança. O desejo de ser como esses "heróis", viver cercado das melhores gatas, estar sempre bronzeado e sarado é o que leva o surf para dentro das casas das pessoas, independente delas praticarem ou não o surf. O surf venceu o preconceito ao descobrir sua capacidade de vender.

Michel SP é editor de conteúdo do NextSurf e acredita que os surfistas profissionais ainda ganham pouco diante do muito que dão de lucro aos patrocinadores.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Namorada de surfista sofre, mas gosta

Andy Irons pede namorada em casamento
Por Michel SP

Na semana do Dia dos Namorados temos que parabenizar as gatinhas que aturam essa vida corrida que o surfista leva, e não estou só falando de namoradas dos surfistas profissionais não, que viajam 10 meses por ano, sempre estão focados em treinamentos, trips e fotos para patrocinadores, reportagens para revistas e sites especializados, tardes de autógrafos e que dispõem de pouco tempo para ficar com a gata.

É claro que as patroas de atletas profissionais sofrem mais com a saudade e ausência de seus amados, mas estão cientes de que é o ganha pão dessa galera que abre mão da companhia da família para se jogar pelo mundo em picos paradisíacos atrás de uns trocados. O que não é de tão mal, aqui entre nós.

Já se tratando da mulherada que se amarra em um surfistão de final de semana, de final de mês, de férias ou até mesmo de verão, essas sim merecem o total respeito. Elas estão sempre dispostas a acompanhar seus namorados nas maiores roubadas que o surf pode proporcionar.

Levantam na madruga no friozinho do inverno, embarcam na caranga sentido litoral e nem sequer resmungam da temperatura. Carregam cadeiras, protetor, boné, canga, guarda sol, celular, toalha, o lanchinho e a água do seu amor, para quando o marmanjo voltar da primeira queda ele poder se alimentar e se hidratar. Já o surfistão sai do carro, pega a prancha e sai correndo para analisar as condições das ondas e onde é o melhor pico pra cair. E para quem acha que elas acham ruim, está completamente enganado, elas estão lá amarradonas curtindo o momento junto a sua paixão.

Não é só no inverno que o bicho pega, no verão a coisa é ainda pior. Lá vai ela com mais 15 pregos cabeludos, sentido litoral em final de ano se apertar em uma casa alugada, onde cabem 6, falta água, o crowd nas areias é atordoante, os brothers de seu namorado não param de arrotar, roubam suas bolachas, usam seu shampoo, acabam com seu protetor e se secam com a sua toalha. E mais uma vez, ela está sorridente feliz da vida fotografando seu namorado pegando altas merrequeiras e atropelando as tias de maio no rasinho.

E depois de um dia maravilhoso na praia acompanhando seu amor em suas aventuras e presepadas, caí à noite linda de verão e ela aparece, limpa e cheirosa esperando a recompensa de seu surfista, que está dormindo todo sujo, roncando mais que um porco para acordar cedo no outro dia que será 100% dedicado ao surf. Se você pensa que ela está p da vida, é você acertou, mas nas próximas férias de verão ou inverno, ela vai estar lá firme e forte na companhia de seu amor.

E pra quem acha que isso é apenas coisa de mulher, o top 5 da elite mundial, Adriano Mineirinho, ta lá em Maresias dando uma força para sua querida namorada Cláudia Gonçalves, que participa do circuito brasileiro de surf profissional em pleno o dia Dos Namorados.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Não queremos esperar mais seis anos

Bruno Santos entocado em Teahupoo - Foto: Kirstin
Por NextSurf em 20/05/2008

Com todo o direito de comemorar, a galera que ama o surf brasileiro ainda vibra muito com a façanha do carioca Bruno Santos que conquistou a terceira etapa do WCT em Teahupoo. Além de ter surpreendido o mundo que não está acostumado a ver um atleta vindo da triagem chegar ao mais alto lugar do pódio, ele derrotou as feras do esporte e não amarelou em ter de fazer a final contra um local taitiano. Todos os aplausos para Bruno, mas é preciso ter consciência de que estamos falando de um feito pessoal.

Não é hora de se iludir e achar que a bandeira verde-amarela vai dar o tom no mundo do surf. Temos Adriano Mineirinho bem posicionado num 6º lugar da elite, temos Hizumonê Bettero mandando bem no WQS e as competições locais mostram que, a cada dia, surgem novos talentos. Isto tudo é importante, porém resultados no campo do esporte vêm a longo prazo. É preciso trabalhar, investir e se preparar.

Foram seis anos entre a última vitória brazuca no WCT, com Neco Padaratz na França, e a emoção de ver Bruno detonar em Teahuppo. Para não ficarmos tanto tempo esperando outra conquista com essa importância é preciso muita união dos atletas e dos dirigentes, campanhas de divulgação e promoções de eventos profissionalizadas e apoio da galera. Bruno fez muito pelo surf brasileiro superando tudo nas ondas taitianas, mas o principal foi o exemplo que deu, provando que tudo é possível. Porém, não será com um herói apenas que chegaremos lá, será com muita gente preparada e disposta a vencer. Parabéns, Bruno! Vamos em frente, galera do surf!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Vontade de vencer de Bruninho é exemplo para brazucas

Por Marilia Fakih

Outubro de 2002. O catarinense Neco Padaratz levanta o caneco em Hossegor, na etapa francesa do WCT. A galera brazuca vai ao delírio e o tão sonhado título mundial parece estar mais perto de nossas mãos.

Maio de 2008. Quase seis anos depois, o carioca Bruno Santos quebra o jejum brasileiro de vitórias no mundial ao vencer a etapa mais temida do circuito, em Teahupoo. Foi um longo jejum. Desde que o catarinense subiu ao topo do pódio na França, nossos melhores resultados no WCT foram um terceiro lugar de Danilo Costa em Teahupoo, em 2003; Dois terceiros lugares de Renan Rocha e Tânio Barreto, na Praia da Vila, em 2004; um vice-campeonato de Victor Ribas em Imbituba em 2005; e um terceiro lugar de Adriano de Souza na Austrália em 2006.

Durante todo esse jejum, os atletas, empresários, entidades responsáveis e a mídia especializada tentaram diversas vezes encontrar o motivo da falta de vitórias. Alguns afirmam que os brazucas que compõem atualmente a elite mundial são acomodados, bastando a eles estar no WCT.

Já os surfistas se defendem e dizem que vontade não falta. A culpa cai nos juízes da ASP, que julgam mal os brasileiros e não dão as notas merecidas nas baterias.

Para outros, o WCT é muito caro e as etapas acontecem em picos paradisíacos, com custo elevado. Isso dificulta a vida dos nossos atletas, que não têm dinheiro para chegar antes ao lugar e treinar para as competições.

Há quem diga ainda que o que afastou os brasileiros do pódio é a falta de boas ondas por aqui. O tour é todo baseado em ondas pesadas e tubulares, na maioria das vezes em pointbreaks, raros no Brasil. Como não temos tantos picos com ondas deste naipe, fica difícil para os nossos surfistas treinar na terra natal.

Por último, mas não menos importante, está a falta de preparo psicológico dos caras. Não é só surf no pé que um surfista precisa ter para se tornar campeão do WCT. É preciso ter a cabeça no lugar, manter a calma antes das baterias e saber lidar com a pressão do tour. Integrante da elite mundial precisa estar sempre viajando, longe da família. Se o cara não estiver preparado para enfrentar essas barras, será difícil conseguir um bom resultado.

Mas Bruno Santos mostrou nesta quinta-feira que o importante é ter vontade de ganhar. Ele não é top 45 e não tem familiaridade com as ondas do tour. Por outro lado, é cria de Itacoatiara, pico que apresenta uma das ondas mais casca-grossa do Brasil, pesadas e tubulares. Foi em Itacoá que ele desenvolveu a habilidade nos tubos. Bruninho surfou morras de até três metros nas triagens e conquistou uma vaga na etapa de Teahupoo graças a esse conhecimento.

Foi durante essa fase que o carioca se machucou, sendo aconselhado pelos salva-vidas locais a desistir de competir. Mas nem os quinze pontos que tomou na coxa fizeram o moleque deixar para trás o sonho de conquistar o título.

Bruninho também provou que os juízes não são contra os brasileiros e colecionou boas notas ao longo das disputas. Ele surfou até a última bateria focado na vitória, com a cabeça tranqüila, talvez porque não precisasse somar pontos no ranking.

Após derrotar o herói local Manoa Drollet, Bruno Santos lavou a alma brasileira e provou ao mundo inteiro, inclusive para nós, que nossos atletas tem sim potencial de ganhar um título mundial. E que, diante da determinação, disciplina, cabeça focada e surf no pé, não há obstáculos que impeçam isso.

Marilia Fakih é repórter especial do NextSurf, especialista em esportes de prancha e acredita no que talento e vontade de vencer fazem parte da receita do sucesso.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Surf não garante grana para todo mundo

Foto: Marcelo Bolão / http://www.chutaobalde.com/
Por NextSurf em 13/05/2008

Que o surf está se transformando em uma indústria capaz de movimentar milhões de dólares a galera já está cansada de saber. O que precisa ficar claro é que, como em todo negócio, não há espaço para todo mundo encher os bolsos. O toque é importante neste momento se vê a divulgação de histórias dos grandes empresários do ramo que estão dropando em ondas de dólares e até cursos sobre como eles chegaram ao sucesso começam a rolar.

Ninguém quer desanimar ninguém e é certo que a vida dos perdedores não interessa muito, apesar de também trazer grandes lições. É importante estar atento para o fato de que para cada um dos gênios que se transformaram em donos de gigantescas empresas, existem milhares que continuam matando um leão por dia para pagar as contas e outros milhares que desistiram no meio do caminho.

O surf está começando a pensar na importância de faturar para se garantir como negócio. Por isso, possibilita mais chances para quem tem idéias criativas e vontade de trabalhar, no entanto ele traz os mesmos riscos dos demais setores. Outro problema que ele enfrenta é a resistência dos puristas e românticos que defendem que só quem tem “água salgada no sangue” deve estar no meio.

O surf negócio precisa de lucro e, para ter lucro, precisa de mais gente ligada nos eventos e nos ídolos da arte de entender o mar. Evidentemente, virão investidores de outras áreas como veio para o futebol, onde até a máfia russa coloca grana. Faz parte do jogo. Quem já está na área tem mais chance, mas não pode vacilar. Quem não está e decide entrar só pela fissura pelo dinheiro necessita saber que assim como alguns ficarão ricos, vai ter um montão que contará o prejuízo. É a regra do jogo, é a lei do mercado. Quem se dispõe a dividir experiência sem contar dos perigos está iludindo a galera.

domingo, 6 de abril de 2008

Precisamos evitar que acabem com nossos mares

Praia de Itamambuca, Ubatuba (SP) - Deminha Freitas
Por NextSurf em 06/04/2008

Quem se preocupa com a poluição dos mares, especialmente a galera que é ligada em surf, se revolta quando vê uma praia fechada por culpa do excesso de sujeira. Isso aconteceu nesse fim de semana, quando Itamambuca, tradicional pico de surf em Ubatuba, recebeu a bandeira vermelha da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Segundo a companhia, as águas onde vai rolar em julho a quarta etapa do campeonato brasileiro estão com alto índice de coliformes fecais e impróprias para banho. É um absurdo ver a falta de consciência das pessoas que dependem do mar para faturar com o turismo e deixam que ele se degrade. É mais absurdo ainda saber que as autoridades que deveriam vigiar e punir os porcalhões não cumprem com esta obrigação.

O caso de Itamambuca é mais um dos muitos que acontecem no Brasil sem que nada seja feito para mudar esta realidade. Que a galera que gosta do mar se mobilize para denunciar os responsáveis por esse crime contra a natureza e que o Governo faça sua parte. Vamos preservar o planeta.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Experiência não se ganha só com a idade

Por Michel SP

Observando as finais da primeira etapa do WCT, onde o fenômeno Kelly Slater, de 36 anos, levou a melhor pra cima do jovem Mick Fanning, dez anos mais novo, percebi como a experiência pode levar vantagem na hora da verdade. Não estou falando da experiência dentro d’água, já que a sensação australiana não precisa provar nada a ninguém nas ondas, mas o conhecimento de vida fora da água, que envolve separar o que pode fazer bem e o que pode atrapalhar. Fazem parte dessa "bagagem" também as preocupações que se deve ter antes de uma bateria e outra e os cuidados para se sentir bem na hora de decidir e se tornar um grande campeão.

É muito comum entre os jovens a síndrome de super-herói, onde pensa-se ser imbatível e que nada pode abalar essa força. O tempo mostra que não é bem por aí. Entre uma noitada e outra, uma cervejinha aqui e outra acolá, Fanning entrou para enfrentar o melhor surfista de todos os tempos que, evita badalação antes dos momentos decisivos e até mesmo na rotina de vida, mantendo-se sempre concentrado, seja para enfrentar o 42º do ranking ou o próprio atual campeão mundial.

É claro que não podemos crucificar Fanning por inteiro, Slater é um caso a parte em cima de uma prancha aos 14 e aos 36, além disso o australiano é jovem e quer aproveitar as facilidades que o mundo do surf lhe proporciona, como festas e mulheres, mas se ele pensa em ser um exemplo para o esporte e se manter sempre entre os melhores, precisa colocar a cabeça no lugar, como fez no ano passado e aceitar que aos 26 o organismo ainda agüenta, já aos 33 é outra coisa. Se continuar dando preferência a badalações e descuidos com a saúde, pode ser que, no futuro, para ver Fanning no ranking tenhamos que olhar mais pra baixo na lista.

É fato que a bebida diminui reflexo e poder de raciocínio e que um corpo, sem o devido descanso diário, pode não responder ao cérebro. Como o surf trabalha mente e corpo quem estiver menos preparado fisicamente e psicologicamente irá sofrer mais para conquistar seus objetivos. Isso vale numa bateria decisiva para comprar o leite das crianças e para qualquer profissão onde o freqüentador assíduo da night vai ter que explicar seu mau desempenho para chefes, amigos e para ele mesmo.

Michel SP é editor de conteúdo do NextSurf, ama o surfe como esporte e estilo de vida e acredita que há momento para tudo na vida.