terça-feira, 23 de setembro de 2008

Andy Irons - a incógnita do Dream Tour

Andy comemora em Arica - Foto: ASP
Por Marilia Fakih

O havaiano Andy Irons é um dos principais representantes do surf progressivo, que abusa de rasgadas e batidas na parte crítica da onda e traz aéreos radicais no repertório de manobras.

Local de Kauai, no Hawaii, sua habilidade com a prancha foi muito bem polida desde cedo nas ondas de Pipeline e Backdoor, além de picos alucinantes como Sunset Beach e Rocky Point, parada obrigatória dos melhores surfistas do mundo.

Irmão mais velho de Bruce Irons, Andy surgiu no WCT em 1997, disposto a dominar a cena. Logo no início, a presença do havaiano apavorou o careca americano Kelly Slater, que viu nele um competidor com potencial à sua altura.

Não demorou muito para o havaiano colocar as asinhas de fora e mostrar a que veio. Tricampeão mundial consecutivo, em 2002, 2003 e 2004, vencedor da Tríplice Coroa Havaiana em 2005 e principal rival declarado do octacampeão mundial.

Mas ao mesmo tempo em que possui um surf de alta qualidade e potencial para ganhar mais títulos, Andy Irons é a maior incógnita do Dream Tour. Sua última vitória foi em 2007, na etapa móvel do WCT realizada em Arica, no Chile.

De lá para cá, a motivação do havaiano para competir na elite mundial é cada vez menor. Em novembro do mesmo ano, desistiu de disputar a etapa brasileira para se casar com Lyndie, sua namorada. O australiano Mick Fanning venceu a temporada e Irons terminou na sexta posição no ranking.

Enquanto a mídia especializada especulava que o casamento faria bem ao espírito competidor do surfista, seus resultados em 2008 mostravam ao contrário.

Andy foi quinto colocado nas três primeiras paradas do WCT (Gold Coast, Bells Beach e Teahupoo). Depois, teve que se contentar com a 17ª colocação em Fiji, seguida de outro 5º lugar na África do Sul e 9º em Bali.

Mas o desânimo com o tour começou mesmo na sétima etapa, em Trestles, na Califórnia. Após perder na abertura para o conterrâneo Roy Powers e para o sul-africano Rick Basnett, Irons teve que disputar a permanência no evento na repescagem. Perdeu por combinação para o convidado australiano Yadin Nicol e amargou a 33ª colocação.

Na oitava etapa, em andamento em Seignosse, na França, sua estréia foi desastrosa. Numa bateria contra o sul-africano Jordy Smith e o brazuca Jihad Khodr, Irons segurou a lanterna ao pontuar apenas 2.34 pontos.

Na repescagem, ele enfrentaria novamente o brasileiro, mas para a surpresa geral, Andy não apareceu para a bateria e deixou Jihad sozinho no outside. O brazuca avançou e o havaiano foi eliminado por W.O., ficando novamente na 33ª posição.

Até agora a ASP não recebeu nenhuma justificativa do atleta sobre a ausência na disputa. A imprensa australiana acredita que Andy está doente, desde a etapa californiana, por isso não apareceu.

Mas o buraco pode ser mais embaixo. A falta de motivação estaria afastando Andy Irons do Dream Tour. Como o nono título de Slater está praticamente garantido, há boatos de que ele deve largar o circuito neste ano.

Por enquanto, são só boatos. Para os fãs do surf de Andy Irons, mesmo que ele não participe das etapas da Espanha e do Brasil, é praticamente certo que ele entre em ação no quintal de casa, durante o Pipeline Masters (última parada do tour).

Incertezas a parte, de uma coisa ninguém duvida: Andy Irons é um dos melhores surfistas que já apareceu no WCT e mesmo que saia do tour, vai continuar quebrando a vala com muito estilo por aí.

Para saber mais

O surf marcante, a personalidade forte e as características principais do havaiano podem ser conferidos no filme Trilogy, de Taylor Steele, lançado em 2007 pela marca patrocinadora do atleta.

O longa é a primeira produção pessoal sobre o Irons, desde sua aparição no filme Blue Horizon. Além dele, Joel Parkinson e Taj Burrow fecham a "trilogia", gravada nos picos de surf mais alucinantes do planeta, como Tahiti, México e Indonésia.

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