terça-feira, 10 de agosto de 2010

Elite dropa no Rio de Janeiro em 2011

Jadson defende título da etapa brazuca - Foto: ASP / Kirstin
Depois de receber os melhores surfistas do mundo durante os últimos oito anos, 2011 verá o ASP World Tour sair de Santa Catarina e dropar no Rio de Janeiro.

Além da mudança para a cidade maravilhosa, o evento estará fazendo história com uma premiação inédita de US$ 500 mil para os homens e US$ 120 mil de premiação para as mulheres.

Antecipando-se à Copa do Mundo de futebol em 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016, a ASP e a Billabong pretendem capitalizar a comunidade do esporte e aumentar o foco do país no surf profissional.

"A vitória de Jadson André neste ano agitou o país", diz Adriano de Souza. "Ele provou que um brasileiro pode vencer em alto nível na própria casa. E esta vitória animou a todos. E o aumento na premiação é fascinante. Mas o mais importante desta mudança é deixar as pessoas animadas com o Brasil. A cidade do Rio tem uma grande população e isso levará muito interesse no esporte", afirma Mineirinho.

A praia da Barra será o palco principal do evento. E as esquerdas do clássico pointbreak do Arpoador vão abrigar a estrutura secundária. Mas se os ventos não forem favoráveis em nenhum destes picos, as ondas do Canto do Recreio vão entrar em ação.

Fonte: ASP World Tour

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Surf rebocado na teoria e na prática

Cesar Calejon pratica tow in em Ubatuba - Foto: Arquivo pessoal
Por Cesar Calejon

Acredito que a grande maioria dos surfistas pensa que fazer tow in é "fácil", assim como eu pensava. Afinal, você agarra o cabo e o cara te joga nas bombas que você não conseguiria acessar na remada, sem ter que varar a arrebentação e tomar na cabeça, certo? Não exatamente.

Durante este último fim de semana, acompanhei o curso básico de tow in da Jet Resgate, empresa especializada em consultoria, treinamento e serviços aquáticos, em parceria com a Apnea Sports Consultoria Esportiva, que aconteceu em Ubatuba. Ministrado pelo Romeu Bruno, Zecão e João Capilé, todos watermen gabaritados, e pelo Christian Dequeker, profissional referência em apnéia no País, o treinamento discorreu sobre os fundamentos básicos do tow in. Tanto na teoria quanto na prática, a coisa é um pouco mais complexa.

No primeiro dia, as lições giram basicamente em torno do equipamento e noções elementares de segurança, desde como retirar o jet ski da carreta, passando por como você deve esquiar, até como proceder após a vaca. O curso tem protocolo para cada situação e existem mais situações do que você pode supor inicialmente. Paralelamente, técnicas de apnéia são oferecidas para capacitar fisicamente o surfista.

Toda essa metodologia é transmitida antes de ir para a água e reforçada na prática quando entramos no mar. No segundo dia, quando você coloca a alça no pé e finalmente acredita estar pronto para dropar as bombas, é que o bicho realmente pega. Soltar o cabo antes da hora, cair de cara, entre outros erros crassos são tão comuns na primeira vez que você fica chocado. Ainda bem que neste momento você está começando em 0.5 metro (obviamente sem um único surfista remando nas redondezas) e não em 12 pés havaianos de onda, que "de tow in é mamão". Isso sem falar da dor nas costas, bíceps, coxas etc, que você sente depois de pegar poucas ondas e esquiar um pouco.

A minha conclusão prática é que este é um esporte totalmente diferente, ou seja, não importa o quanto você seja bom no surf, você vai precisar ser humilde para aprender a teoria e prática do tow in a fim de atingir o preparo equipo, físico e mental necessários. Não é nada fácil!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A perfeição de J-Bay só pode ser coisa divina

Em 2008, Kely Slater venceu em J-Bay - Foto: Arquivo ASP
Por Bruno Ruy

Por mais incrédulo que você seja, fica difícil duvidar da intervenção divina em Jeffrey's Bay, no sul da África do Sul, quando o swell começa a entrar alinhado na baía. Com os seus tubos milimetricamente impecáveis e as longas paredes manobráveis, J-Bay é a materialização do sonho da onda perfeita. "Jeffrey's é a jóia gelada do hemisfério sul e indiscutivelmente o point de melhor forma do mundo", disse Wayne Bartholomew, campeão mundial em 1978. A temperatura baixíssima da água e os fortes ventos obrigam os surfistas a usarem roupa de borracha espessa e que cubra o corpo todo.

A onda de Jeffrey's Bay pode ser dividida basicamente em cinco seções distintas: Boneyards, Supertubes, Impossibles, Tubes e The Point. Boneyards é a mais outside e difícil de quebrar. Depois vêm Supertubes e Impossibles, que com os seus tubos mágicos, longos e velozes são as mais clássicas e responsáveis direitas pela idolatria em torno de J-Bay. Para encerrar, duas seções menos intensas, mas não menos perfeitas, Tubes e The Point são normalmente tomadas por longboarders e iniciantes.

Em dias raríssimos, pode-se surfar da Boneyards à The Point em uma única onda. O surfista agraciado com tamanha dádiva percorre mais de um quilômetro e fica até dois minutos em cima da sua prancha. Em 1984, Picuruta Salazar, um dos maiores campeões da história do surfe brasileiro, realizou a proeza em ondas de 6 a 8 pés. Para registrar o feito, depois de passar por todas as seções, Picuruta saiu da água e desenhou um P gigante na areia.

AS PERFORMANCES ÉPICAS

As condições únicas de Jeffrey's formam o palco ideal para performances épicas dos surfistas de vanguarda através dos tempos. Na década de 70, o australiano Terry Fitzgerald e o sul-africano Shaun Tomsom, campeão mundial de 1977, foram os primeiros a dominar por inteiro a onda e mostraram ao mundo como andar rápido e dentro dos canudos no pico.

Nos anos 80, o australiano Mark Occhilupo, que viria a ser campeão mundial em 1999, provou com o seu backside attack que era possível surfar as direitas de J-Bay de costas para a parede tão bem quanto de frente. Mais recentemente, o americano Kelly Slater redefiniu os limites do lugar ao completar manobras para lá de radicais em pontos críticos da onda e ficar entocado mais fundo do que qualquer outro jamais conseguira.

SURFANDO COM O INIMIGO

Nem tudo são ondas no paraíso. O astral em J-Bay mistura os ventos terrais gelados, as roupas de borracha, as patrulhas de madrugada, as longas remadas e... o medo dos tubarões-brancos. Uma vez dentro da água, a sensação de estar sendo observado, ou até mesmo escolhido, é constante. Em 1998, após 12 anos sem nenhum registro, seis ataques aconteceram em um raio de 100 km ─ um deles, fatal. Os golfinhos também são locais do pico e costumam aparecer às dezenas, quando não às centenas, para dividir as ondas com os surfistas.

POR QUE JEFFREY'S BAY?

A cidade da onda mais famosa da África do Sul foi batizada com o nome do caçador de baleias J. A. Jeffrey, que em 1848 fundou o primeiro hotel do então pacato vilarejo. O antigo povoado de pescadores se transformou em uma bela e organizada cidade de veraneio, com freqüentadores de alto padrão e mansões imponentes de frente para a praia. Há algumas versões diferentes sobre quem foi o primeiro surfista a desbravar as ondas de J-Bay. A mais difundida é a de que na Páscoa de 1964, meia dúzia de surfistas da Cidade do Cabo tentaram pegar algumas ondas em Supertubes. Foram surpreendidos pela rapidez das ondas e acabaram surfando The Point. Supertubes só seria conquistada alguns anos mais tarde.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado por surf e acredita que paraísos como J-Bay precisam ser preservados.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O paraíso pode ser aqui

Beleza e potência das ondas em Sampa - Foto: Cesar Calejon
Por Cesar Calejon

Durante o primeiro jogo do Brasil na Copa 2010, nesta última terça-feira (15), tive uma folga no trabalho e fui surfar no Guarujá (SP). Fiquei realmente impressionado com o dia que tivemos em uma das praias da região.

Além das ondas, que quebravam entre 4 e 6 pés, com a formação boa (algumas fechavam, mas estava bom) e praticamente ninguém na água, o sol, a fauna e a flora do local me fizeram pensar que de vez em quando o paraíso também é aqui.

Surfei por quase duas horas e é verdade que as condições no Brasil raramente se assemelham às encontradas na Indonésia, Taiti, Maldivas, entre outros picos tropicais com fundos de pedra ou recife, mas um dia como terça-feira pode ser tão especial quanto os proporcionados nestes lugares. E depois, para completar, o Brasil ganhou da Coréia do Norte. Tudo bem, não convenceu, mas venceu! Que dia!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Surf feminino também existe e precisa de apoio

Silvana dando show nas águas peruanas - Foto: Morris
Veio em muito boa hora, a vitória de Silvana Lima, nas ondas peruanas. Agora, a cearense pegou moral e pode ir pra cima das australianas que estão na sua frente no ranking. Silvana já está mandando bem há um bom tempo e "quase" levou o título: uma vez teve o direito de reclamar do julgadores e a na outra não tinha como bater essa fenomenal revelação do surf, que é Stephanie Gilmore. A parada está muito difícil este ano, mas há sempre a esperança que é a última a morrer.

Nossa heroína cearense enfrenta, além de todos os problemas que afetam os atletas brasileiros dos dois sexos, o tratamento diferenciado que se dá ao surf feminino. Por mais que alguns patrocinadores e as entidades que comandam o esporte neguem, é evidente que as gatinhas recebem menos apoio. O argumento e claro, são as feras do masculino que dão mais retorno para os investidores. Essa verdade seria suficiente para calar a boca de quem reclama, se a desproporção entre os tratamentos não fosse muito grande.

Quem acompanhou a etapa de San Bartolo, no Peru, viu um surf de qualidade, comparável às grandes disputas envolvendo as feras do masculino. Porém, o destaque conseguido entre os admiradores do esporte foi bem menor. É verdade que essa diferença de tratamento acontece também em outras modalidades. Os brasileiros veem sua equipe de futebol feminino sem apoio e os americanos não admiram suas campeãs no basquete. Talvez, apenas o vôlei e o tênis conseguem uma repercussão semelhante e isso tem a ver com a estética das atletas.

O Brasil tem uma boa safra de gatinhas que impressionam nas ondas e poderia iniciar sua luta para se impor no cenário internacional pelo feminino, pois a concorrência é menor. Enquanto Mineirinho e, agora, a revelação Jadson André, enfrentam nomes consagrados, as meninas têm apenas as australianas (que são boas) para atrapalhar. De qualquer forma, independente de ser uma estratégia de expansão, precisamos apoiar mais o surf feminino, inclusive prestigiando as iniciantes. A nova vitória de Silvana mostra que temos espaço para crescer.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Um mergulho na história ao som de Beach Boys

Fico se impressiona com aviões de guerra
Por Raphael Levy, o Fico

Tive a oportunidade de conhecer San Diego uma das cidades mais bonitas da Califórnia.. Estive lá em abril, convidado para uma festa de uma empresa de aparelho auditivo, que promovia um congresso do qual minha esposa foi participar. San Diego tem vários picos muito legais para conhecer, como praia, barzinhos, etc. Foi uma oportunidade para unir o útil ao agradável e pude relembrar o som dos Beach Boys, uma banda da minha época de surf e rever Alegrias de Verão, um filme emocionante.

Durante o congresso, muitas festas rolam à noite, em vários lugares. Uma das empresas resolveu fazer a festa dentro do Midway. O que é Midway? É um porta-aviões que está ancorado em San Diego e onde construíram um museu. Tem que pagar para entrar e o acesso é maravilhoso, na entrada tem uma estatua enorme de um marinheiro se despedindo da noiva. Eles criaram um ambiente do lado de fora com um microfone em uma saída de navio e você entra no clima. Tem brinquedos, mas ele é um porta-aviões verdadeiro, que foi para guerra. Ele fica ancorado lá com todos os aviões e helicópteros de todas as guerras que os EUA participaram. Eu tive a oportunidade que você vê na foto de tirar foto junto com os aviões e nessa festa, na realidade, tinha vários points de comidas e bebidas, tinha mais ou menos 6 mil pessoas, o que me deixou mais impressionado nesse porta aviões, não foi só você poder entrar nos aviões de guerra, mas ficar dentro daquele ambiente que é de impressionar, até de assustar, como uma guerra, a gente vê imagem de televisão de guerra, bomba tudo isso, que é assustador. E quando você está muito perto desses aviões, você se assusta muito mais. Vocês não podem acreditar o quanto eles investem, uma coisa grandiosa para por o navio para ir para guerra e aquilo lá se tornar um museu e você ver aquela coisa bonita, sendo que já matou muita gente.

A festa foi feita nesse ambiente, porque na pista de pouso, no último andar, eles criaram um palco e chamaram os Beach Boys, uma banda da minha época de surf, então eles montaram um palco com coqueiros e tinha um telão, passando Alegrias de Verão, aquele filme da época dos anos 70 de surf com longboard. Os Beach Boys, os caras com 60 anos, tocando, nossa! Parecia que eu tinha ganho um presente, ao invés de estar em um congresso, na realidade, foi mais uma oportunidade que eu tive de ver a banda, dentro de um porta aviões. Passou tanta coisa na minha cabeça, passou guerra, passou a beleza dos aviões e no final fui premiado com o show dos Beach Boys. Para se ver quanto se gasta para se fazer um marketing de um evento tão grandioso, essas empresas de aparelho auditivos, eles me deram de presente o show por eu estar participando dessa festa. O final de um evento desse, é que me deixa acreditando em Deus, Ele me mandou para uma festa de aparelho auditivo, o ambiente era legal em um porta aviões que transmitia guerra e no final, estava tocando Beach Boys, uma banda de surf com um filme de surf. Eu fui para a festa, porque eu deveria estar naquela festa. Tem tudo a ver".

Raphael Levy, o Fico, é empresário, apaixonado por surf, e foi um dos pioneiros na profissionalização do esporte no Brasil.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Um olho na Copa e outro nas ondas

Jadson comemora gol de placa na Vila - Foto: ASP / Kirstin
Quem dera o surf recebesse a mesma atenção que o futebol no Brasil. Em ano de Copa do Mundo então, as atenções estão todas voltadas para a redonda e os convocados de Dunga. O país para, a população se aperta na frente de uma televisão para acompanhar a abertura, os jogos e o encerramento. Sem falar na matada no horário do trabalho que todo mundo adora.

Não podemos comparar o esporte que possuímos o Rei e fabricamos príncipes com o surf onde o dono do trono é da Flórida, e os príncipes se espalham pela Austrália e Hawaii. Mesmo que, ao invés de Kelly Slater, o Rei fosse Carlos Leite, ainda há dúvidas se as atenções se dividiriam. Infelizmente é cultural. O País é do futebol, mas nunca é tarde para começar.

O retorno financeiro do futebol é muito maior, mas o investimento também. O salário faz a molecada sonhar em jogar no Morumbi, mas toda criança que tem a possibilidade de conhecer o mar e suas ondas esquece, nem que seja por alguns segundos, as pedaladas de Robinho e se fascina com o deslize de uma prancha. As dancinhas de Neymar perdem a graça, comparado ao "voar" sem asas de um surfista. Nem que seja por um instante.

Voltando a realidade, futebol gera muitos lucros, mas o surf pode gerar se existir investimento e comprometimento. Não temos Reis, mas Adriano, que não é o Imperador, mas sim o Mineirinho, pode aprontar no melhor estilo "surf moleque" e assumir o trono. Jadson, que tinha tudo para seguir a carreira de jogador de futebol como seu pai, está na "Copa do Mundo do Surf" buscando seu espaço, enquanto Neymar e Ganso aguardam, contra a vontade do povo, suas oportunidades de vestir a amarelinha na equipe principal.

Se o Brasil revela jogadores de futebol de monte, podemos falar o mesmo em relação ao surf. Gabriel Medina é um exemplo, assim como Alejo Muniz, Wiggolly Dantas, Jessé Mendes, entre outros.

O investimento no esporte é muito escasso, comparado ao que gera de renda o mercado surf. Como dizem: "Quem divide, multiplica". E assim, vamos abrir os olhos para outros esportes e dividir para que o Brasil seja o País do Futebol Sport Surf, Surf Futebol Clube, Novo Basquete Surf, Surf Federação brasileira de Vôlei ...