segunda-feira, 14 de junho de 2010

Surf feminino também existe e precisa de apoio

Silvana dando show nas águas peruanas - Foto: Morris
Veio em muito boa hora, a vitória de Silvana Lima, nas ondas peruanas. Agora, a cearense pegou moral e pode ir pra cima das australianas que estão na sua frente no ranking. Silvana já está mandando bem há um bom tempo e "quase" levou o título: uma vez teve o direito de reclamar do julgadores e a na outra não tinha como bater essa fenomenal revelação do surf, que é Stephanie Gilmore. A parada está muito difícil este ano, mas há sempre a esperança que é a última a morrer.

Nossa heroína cearense enfrenta, além de todos os problemas que afetam os atletas brasileiros dos dois sexos, o tratamento diferenciado que se dá ao surf feminino. Por mais que alguns patrocinadores e as entidades que comandam o esporte neguem, é evidente que as gatinhas recebem menos apoio. O argumento e claro, são as feras do masculino que dão mais retorno para os investidores. Essa verdade seria suficiente para calar a boca de quem reclama, se a desproporção entre os tratamentos não fosse muito grande.

Quem acompanhou a etapa de San Bartolo, no Peru, viu um surf de qualidade, comparável às grandes disputas envolvendo as feras do masculino. Porém, o destaque conseguido entre os admiradores do esporte foi bem menor. É verdade que essa diferença de tratamento acontece também em outras modalidades. Os brasileiros veem sua equipe de futebol feminino sem apoio e os americanos não admiram suas campeãs no basquete. Talvez, apenas o vôlei e o tênis conseguem uma repercussão semelhante e isso tem a ver com a estética das atletas.

O Brasil tem uma boa safra de gatinhas que impressionam nas ondas e poderia iniciar sua luta para se impor no cenário internacional pelo feminino, pois a concorrência é menor. Enquanto Mineirinho e, agora, a revelação Jadson André, enfrentam nomes consagrados, as meninas têm apenas as australianas (que são boas) para atrapalhar. De qualquer forma, independente de ser uma estratégia de expansão, precisamos apoiar mais o surf feminino, inclusive prestigiando as iniciantes. A nova vitória de Silvana mostra que temos espaço para crescer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário