quinta-feira, 10 de julho de 2008

O surf se impôs porque vende (e muito)

Slater é o surfista mais bem sucedido – Foto: ASP
Por Michel SP

A consolidação do surf como estilo de vida é uma realidade em todo o mundo. Até lugares afastados das praias estão recebendo o surf life style de braços abertos, seja consumindo marcas ligadas ao esporte ou acompanhamento os lances do mundo do surf pela mídia. A pergunta que surge desse movimento é: Será que a imagem do surfista mudou muito de uns tempos pra cá?

Antigamente o surf não era visto com bons olhos por grande parte da população brasileira e mundial. O surfista era visto como o vagabundo cabeludo que não tinha trabalho (muitas vezes tinha), não estudava (às vezes estudava), que não tirava os óculos escuros nem para tomar banho e seu vocabulário não ia além de tubos, rasgadas e gatas. Sua imagem era de quem não estava interessado em mais nada a não ser ficar na praia o dia todo pegando onda, pegando sol, pegando as gatas, pegando insolação, pegando micose, além dos exageros que ligaram surfista a drogas, problema que tanto pode atingir quem gosta de prancha como qualquer outro esportista ou profissional.

Com o passar do tempo, graças à insistência dessa galera apaixonada em pegar onda, a visão de quem está de fora do mundo do surf foi mudando. Apareceram as marcas relacionadas ao esporte, criaram-se eventos e campeonatos, mídia (mesmo que ainda devagar) deu espaço para a competições e surgiram em todo canto organizações, associações, federações. Hoje em dia é comum ver o pai comprando uma prancha para o filho no natal, no aniversário ou dia das crianças. É normal sentar na areia e observar famílias inteiras de surfistas pegando onda juntos e depois tomando uma água de coco em baixo do guarda-sol. Nas praias do planeta encontramos surfistas médico, advogado, político, dentista, desempregado, professor, estudante, donas-de-casa e os que ganham a vida surfando.

A visão da população mudou, mas o que provocou este movimento? Será que o surfista começou a ser visto como herói pelas pessoas? Dizem que o surfista salva mais vidas do que os próprios Guarda-Vidas, por já estarem no outside. Será que é por ele mostra ser corajoso ao enfrentar grandes ondas, que podem levá-lo à morte? Ou porque as pessoas se divertem surfando depois de um dia, uma semana, ou um mês de trabalho exaustivo?

A verdade é que, independente do amor pelo esporte, com o passar dos anos descobrimos que a imagem do surfista vende. As grandes marcas, criadas por surfistas ou por bons empresários, faturam milhões por ano colocando seus atletas em picos paradisíacos em outdoors nas estradas, alimentando o desejo das pessoas. Os craques do marketing e a mídia enchem os olhos dessa galera de esperança. O desejo de ser como esses "heróis", viver cercado das melhores gatas, estar sempre bronzeado e sarado é o que leva o surf para dentro das casas das pessoas, independente delas praticarem ou não o surf. O surf venceu o preconceito ao descobrir sua capacidade de vender.

Michel SP é editor de conteúdo do NextSurf e acredita que os surfistas profissionais ainda ganham pouco diante do muito que dão de lucro aos patrocinadores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário