sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O bom e o mau como estratégia de marketing

Por Michel SP

Entre os diversos defeitos que os seres humanos possuem, um que muito me incomoda é a forma de se julgarem uns aos outros, pois isto, na grande maioria das vezes, é feito sem nenhuma base concreta, muitas vezes sem nem mesmo conhecer pessoalmente o alvo das críticas ou elogios. Quase sempre, um ato isolado, talvez a fisionomia ou a forma como fulano ou beltrano age perante a sociedade ou aparece na mídia, é o critério adotado.

Esse jeito superficial que a galera costuma usar para definir quem é bom e quem é mau tem sido aproveitado por grande parte da mídia. Essa parcela dos meios de comunicação que funciona e trabalha da forma que lhe seja mais lucrativa, sem pensar no interesse de quem representa ou do público a que se destina, se precisar destruir a imagem de determinada pessoa, ou mesmo a distorcer, não vacila e vai em frente.

Se o "mocinho" vende muito, mas não tanto quanto o "bandido", investe-se no "bandido". Lembrando que quem determina qual é o "mocinho" da vez, também pode ser o marketing. Aliás é sempre preciso ter as duas faces da moeda: no futebol o Kaká é o bom moço, já o Edmundo é o "bad boy". Na novela de sucesso da Globo, Flora começou de vítima e virou vilã, Donatella fez o caminho contrário. Em nome da audiência e do lucro.

Para o mundo do surf, Andy Irons é o vilão, já Kelly Slater é o herói. Andy pode não ser a simpatia em pessoa, mas também não é visto se envolvendo em encrencas por aí. Slater tira foto com os fãs, dá autógrafo, sorri, trata todos bem, mas já teve seus momentos de malfeitor, como o episódio em Israel.

A rivalidade entre o "bem" e o "mal" sempre vai existir para apimentar o esporte, a música, novela e a vida. No esporte e na ficção o mal vencer fica até divertido e inesperado. Já na vida real... Dizem que o bem sempre vence, mas...

Michel SP é editor do Next Surf e acredita que ninguém é totalmente mau, nem totalmente bom.

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