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| Donavan com seu quiver de responsa - Foto: Divulgação |
Por Henrique Chaves (o Visionário do Surf)
Surfistas potenciais existem a rodo no Brasil. Acredito na capacidade do brasileiro. Acredito sim em muita gente. Free-surfers que surfam e pegam ondas de qualidade, executam manobras com perfeição. Muitos passam, por certos momentos, como surfistas anônimos que fazem a sua sessão e caem no esquecimento ao final do dia. Fazem por prazer e não se preocupam com comentários. Fazem sem cobrança, sem pretensão.
Ainda encontramos muitos que se preocupam com a imagem. Um short colorido, uma lycra zebrada, um boné aquático, uma luva. Tudo que possa o diferenciar da maioria dos seres sub-aquáticos que se encontram nos rituais de purificação dentro do mar (o surf!).
Quem é que não gosta de ser reconhecido após uma bela queda, uma forte manobra ou um brilhante tubo ao sair da água? Perceber que muitos o acompanhavam em cada movimento, em cada execução, em cada braçada? Eu gosto. Acredito que você também.
Mas o lado ruim nos acompanha. Aquele dia de ondas tenebrosas, aquela prancha que não suporta o seu peso, aquela outra estreita demais, outra biquilha, mar fechadeira, correnteza, entre outros. Já o nosso público continua o mesmo. Os amigos, Marias Parafinas, qualquer um. Estes nunca mudam. E estão presentes a todo momento. Como mostrar o potencial em dias como estes? Qual a desculpa? Estava cansado? Virou a noite após uma festa que terminou apenas ao molhar os pés de manhã? Está há dois meses sem surfar?
Muitos desconhecem a importância das pranchas neste momento. Talvez não por burrice, mas por falta de informação, preguiça de correr atrás delas ou por último, a falta de recursos financeiros para montar o seu quiver. Vou deixar esta última de fora.
Conhecimento hoje não está difícil. Basta ver o que temos a disposição. Especialistas estão cada dia mais perto de nós, a um click do mouse. Buscar informações sobre tipos de ondas, altura, intervalo entre séries, fundos naturais, ventos, posicionamento da praia, tipos de materiais, desings, linhas, bordas, noses, fundos de pranchas e outros estão a disposição. Claro que nem sempre podemos confiar em informações que não possuem um autor. Mas na grande maioria das vezes estas funcionam. E nos ajudam.
Quantas quedas na minha vida senti que o melhor seria nem ter entrado? (Ops, exagerei. Sempre vale a pena pular no mar. Foi força de expressão). Mas quantas também sai igual a Rei? Barriga cheia, satisfeito, feliz? E equiparando apenas duas delas encontro ondas muito parecidas, em tamanho. O que fez a diferença em uma delas e na outra não? Saiba sempre que a possibilidade de surfar com excelência em quase todas as vezes em que você for para o mar é viável. Preste atenção nas variáveis que nos cercam. O fato da onda estar gorda, cavada, rápida, caixote, espumeira. Com o equipamento certo você terá horas de prazer.
É um bom momento para experimentar novas tecnologias, novos formatos de shapes, novos equipamentos. Ou você acha que o profissional mantém um quiver apenas para ter as pranchas? Quantos possuem no quiver pranchas de tamanhos iguais? Verificando a fundo você descobrirá, pelas medidas, que cada foguete tem a sua especificação, sua característica. E isso fará a diferença na hora da bateria.
Podemos não ter condições para possuir uma garagem cheia delas. Mas nem por isso deixaremos nos abater. Uma dica? A prancha que seu amigo jogou fora por estar velha, o longboard na qual você sempre manteve o discurso de que aquilo era só para velhos, a prancha quebrada achada no lixo na saída da praia em dia de ondas grandes. Todas estas servem. Basta arrumá-las ou adaptá-las. Uma quilha a mais, uma a menos, uma diminuição no tamanho da velha. Você mesmo poderá construir o seu foguete, a partir de tocos abandonados. Surfe em pé no bodyboard. Surfe de base trocada. Plante bananeira no long e executa um floater (difícil essa), pratique o body surf. Aproxime-se do mar. Crie uma intimidade! Experimentar o novo faz bem. Nos impulsiona para novas conquistas! Fique atento a detalhes. Estes farão a diferença.
Basta ter alma. Basta ter vontade. Conhecimento se adquire. Informações estão a disposição. E então parta para mais um dia de surf. ´Basta ter a prancha ideal. Para o momento a sua frente. Encarar com leveza e velocidade, em mares que não acreditamos muito no resultado da nossa performance dentro da água`.E então seremos mais felizes. Pense na sua evolução e no seu futuro.
Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e sente-se recompensado em compartilhar seus conhecimentos sobre surf.

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