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| Para Slater, é hora de elevar o nível - Foto: Si.com /CNN |
Por Michel SP
Que o surf mundial evoluiu pouco nos últimos anos não temos dúvidas, mas será que o circuito rebelde de Kelly Slater e companhia é a solução para a evolução do esporte?
Premiação milionária, disputas entre os grandes nomes do esporte do começo ao fim, cobertura televisiva e patrocínio de grandes corporações fazem com que os amantes da competição se derretam para a possível mudança.
O fato gerou algumas polêmicas. Os contrários à realização do campeonato dizem que é apenas uma jogada de marketing e que a imagem e reputação do enecampeão estão sendo usadas para criar um negócio multimilionário.
Não sabemos detalhes do novo formato e nem se irá realmente existir. Nem mesmo os critérios que serão utilizados para definir os convidados. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: Com o novo formato de Slater, o World Tour da ASP pode acabar?
Slater diz que não, mas tenho minhas dúvidas. Os olhos de todos os atletas vão brilhar no momento em que sair a lista de convidados. O foco será voltado para as etapas do "tour rebelde", já que o atleta que for eliminado logo de cara, sai da água com uma bolada digna de um campeão de uma etapa da ASP. Sem falar no prêmio máximo e na mídia especializada caindo matando em cima dos "tops dos tops".
O fato é que, caso venha acontecer, os profissionais gabaritados para concorrer no novo circuito podem comemorar. Terão seus nomes expandidos, seus patrocinadores girando o planeta junto com a novidade e suas contas bancárias mais gordas.
Já não posso dizer o mesmo da nova geração, dos atletas da divisão de acesso, da galera que sua a lycra para se manter vivo na, até então, elite mundial e de quem se sente realizado ao barrar um top 10 ou 5 da lista de melhores do mundo em uma decisão. Dizem que não há limites para sonhar, mas neste caso, a maioria vai ter que se contentar em limitar, ou não, seus objetivos no esporte.
O único ponto em que ambas as partes pensam iguais é que uma divisão no surf não seria a melhor saída para pensar em evolução. Mas se os dois lados não entrarem em comum acordo, pode ser que aconteça.
Na minha opinião, apenas seis meses de temporada, oito etapas nos melhores picos do mundo e milhões em jogo, acho difícil algum surfista convidado vir para o Brasil, por exemplo, disputar uma etapa do World Tour no formato atual.
A culpa é de quem? Da ASP? Das marcas patrocinadoras? Dos surfistas? Agora está ficando tarde para se arrumar um culpado. E como vovó já dizia, quem pode mais, chora menos. E no caso especifico, Slater está acima da entidade ASP. Ou não?
Em entrevista, Slater avalia que o projeto é para o bem do surfista profissional: "Se você pensar bem, vai chegar a conclusão que pouco mudou no circuito da ASP nos últimos cinco anos. A premiação não vem crescendo como deveria e a exposição na mídia está longe de ser satisfatória".
Para os "rebeldes", chegou a hora de elevar as competições de surf a um novo patamar. "É uma enorme oportunidade. O circuito será baseado naquilo que os surfistas querem em termos de julgamento, localização, formatos, entre outros", disse Slater sobre o projeto. Haverá até uma equipe dedicada em tempo integral à exibição televisiva e digital do evento.
Agora, tenta convencer quem vai ficar de fora da mamata que essa é a melhor solução para a tão sonhada evolução.
Compare as possíveis rivais mundiais:
ASP World Tour
10 etapas entre fevereiro e dezembro
45 participantes
Premiação por evento: U$ 340.000,00
Prêmio mínimo em dinheiro: U$ 4.700,00
Cobertura: notícias e boletins diário em canais de esportes, exibição digital em diversos sites e transmissão das etapas por parte dos patrocinadores.
"Circuito Rebelde"
8 etapas entre maio e setembro
16 participantes
Premiação por evento: U$ 1.5 milhões
Prêmio mínimo em dinheiro: U$ 40.000,00
Cobertura: programas agendados em pay-per-view pela ESPN e transmissão digital a partir de um site próprio.

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