segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Stand Up dominando o outside

Koxa é adepto da modalidade com remo - Foto: blog do koxa
Por Burno Ruy

Todo surfista sabe que pegar onda de pranchão é uma delicia. Afinal, eles têm uma ótima flutuação, conseqüentemente, proporcionam menos esforço para remar. No final das contas o surfista consegue ficar mais tempo na água e surfar muito mais ondas. Também não é novidade que os longboarders são mal vistos pelo pessoal que surfa de shortboards. Isso se deve ao fato da quantidade de ondas surfadas. Além do preconceito com a modalidade, chamada de "surf para os coroas".

Com a expansão do longboard, o crowd aumentou e agora, eles têm mais gente para disputar as ondas, os praticantes de Stand Up Paddle. Tem gente por aí que pensa que o SUP só é praticado quando o mar está pequeno, praticamente sem ondas. Porém, quem ainda pensa assim, está muito errado. Hoje em dia, essas pranchas já evoluíram bastante e é sim, possível, surfar ondas grandes e temidas como: Maresias e Teahupoo.

Agora, os longboarders ganharam mais um nessa disputa pelas ondas, pois a galera do SUP fica mais no outside, esperando a melhor da série, já que a prancha junto ao remo permite isso. E como tudo tem um preço, lá na Califórnia isso já vem causando conflitos de quem está dentro d’água, pois o aumento de praticantes do SUP tem aumentado rapidamente e estão dominando os picos onde antes os "donos" eram outros.

Ano passado, mas precisamente em novembro, estava vendo pela internet o Oxbow Pro Longboard, na Califórnia, e notei um número bem grande do pessoal que pratica SUP em uma bancada perto da área do campeonato. Mas todos estavam se respeitando, eles surfavam apenas em uma área determinada. Pena que não é sempre assim que acontece.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado por surf e acredita que o respeito é a chave para todos se entenderem dentro da água.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dream Tour pessoal

Viagens alimentam nossos conhecimentos - Foto: Divulgação
Por Henrique Chaves (Visionário do surf)

O surf já se mostrou uma modalidade na qual precisamos conhecer o mar em todas as suas características, suas condições.

Pegar onda nem sempre foi muito fácil. Basta ver e analisar suas próprias sessões. Os profissionais então, que dependem disso para sobreviver, analisam cada detalhe antes de qualquer caída no mar para tirar o máximo de proveito da onda e de suas formas.

Então a viagem pelo surf para ser necessária. Conhecer ondas diferentes: cavadas, gordas, buracos, abertas. Surfar sobre fundos diferentes: artificiais, de areia, de pedra, de coral. Encarar swells: grandes, marolas, overhead, intransponível. Sentir ventos em ângulos com relação a onda: terral, maral, ´ladal`, nordeste, sul.

Para vivenciar todo o surf é preciso se deslocar. Sair da toca de onde foi criado. Encarar as criaturas marítimas vizinhas a sua redondeza, a sua praia, a sua cidade, até ao seu país.

O quesito evolução só acontece quando procuramos. A arte de fluir sobre as ondas de maneira dócil e agressiva ao mesmo tempo só acontece com conhecimento, tempo de água e experimentação. Basta lembrar as primeiras baterias de nossa vida no surf. Recordo uma das minhas. Comecei a surfar no Sapê, praia ao sul de Ubatuba, região conhecida e ´esquecida` pelo seu tamanho pequeno em média no ano todo. Moleque e empolgado com a minha primeira vez que surfaria fora dali, fui levado até a famosa Vermelha do Norte. O potencial desta praia é completamente o inverso de onde eu aprendera o surf. Águas rasas, ondas cavadas, rápidas e fortes. E ainda por cima com um swell grande (para mim na época). 8 anos. E apenas poucas e pequenas ondas gordas no verão do Sapê. Não preciso contar o resto. Fica com a imaginação de vocês.

A partir de então percebi que não adiantaria ficar parado. Parece como mágica, mas claramente decidi investir em viagens na minha vida. Uma decisão sábia, porém muita nova para uma criança da minha idade. Mas desde então eu me liguei mais a isso. E estava certo.

Desta data em diante comecei a buscar, toda vez que viajava, conhecer praias novas. Quando conheci todas da região, comecei a me aventurar por outras no estado. E daí para sair de São Paulo e do país foi um pulo. Roubadas aquáticas eu já passei em todo o tipo de mar. Do maior ao minúsculo. Mas a cada dia que passava eu me especializava. Aprendia mais como a onda reage a alguma variável. E então passei a curtir mais o meu surfe. E claro que estando mais feliz, você procura fazer mais e mais. E é isso o que faço agora. Qualquer brecha é um motivo para viajar, levar a esposa (surfista também) e nossos filhos (as pranchas).

Peço licença que estou tendo uma nova oportunidade neste momento. Fico por aqui. O pessoal no carro já reclama da minha demora.

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e faz de cada trip uma lição de vida e de surf.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O famoso efeito amnésia

O respeito é importante - Foto: Stephanie Sayuri
Por Bruno Ruy

Saudade. O surf deixou, deixa e deixará muitas saudades. É certo que novos tempos virão, só não é certo esquecer que ótimos tempos já se foram e que marcaram muito mais do que com fotos, lembranças ou pranchas quebradas.

Marcaram mentes, almas.
Marcaram contos inesquecíveis para os incansáveis contadores de histórias.
Marcaram vidas, sonhos e realizações.
Marcaram gerações. E gerações, e gerações...

Embora embutidos em uma série de coisas ditas "modernas" muitos destes ensinamentos fazem parte do dia-a-dia do surf nos dias de hoje. Ou você acha mesmo que fishes, quadriquilhas, surf em ondas mais do que gigantes, entre outras ideias surgiram agora? Não mesmo! Os caras estão com a cabeça no surf muito antes de muitos de nós sabermos que o mundo é mundo dentro do ventre de nossas mães. Entretanto, a questão mesmo não é saber quem inventou o que, quando e porquê. A questão é não deixar os nossos antepassados perderem seu valor, admiro-me com a falta de respeito de alguns pelos nossos clássicos e pioneiríssimos longboarders, ou pelo bodyboard e o mais "antiquado" dos estilos: o surf de peito. É incrível como a evolução do surf para shortboarders encaminhou-nos não só para evolução do esporte para uma maior rapidez e agilidade nas ondas, mas também para a triste realidade desse preconceito bobo. Quer saber? Quer saber mesmo? É maravilhoso o deslizar das ondas, deslizar tendo contato direto de corpo inteiro com o oceano então, pode até não poder ser classificado como melhor ou pior, gosto é relativo, porém, não deixa de ter uma pureza única, é se entregar literalmente de corpo e alma; bem como em todas as outras modalidades, que devem mais do que se respeitar, precisam se amar. Entender que todos são parte de uma mesma família.

Saudade do tempo que se foi, saudade de ondas perfeitas e limpas, saudade de praias livres de conflitos, livres de localismos - o planeta é da natureza e fazemos parte dela e não de uns poucos privilegiados que sentem-se donos dela - saudade dos longos discursos dos grandes mestres que sabem como ninguém o que é amar o oceano por uma vida inteira, saudade dos grandes "tocos" polinésios onde os nativos aprendem desde novos o que é brincar com o mar, saudade da pureza do sentimento, saudade da sinceridade nos olhos ao ver o oceano, saudade principalmente da valorização destes princípios, visto que no fim eles jamais foram apagados e sim, espero eu, temporariamente esquecidos num breve e passageiro efeito amnésia.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado por surf e não admite a falta de respeito com os verdadeiros pioneiros e mestres das ondas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A responsabilidade social no surf

Por Henrique Chaves (Visionário do Surf)

Falar de surf não é fácil. Ainda mais quando queremos, e desejamos, que o nosso país construa e tenha, de fato, o seu primeiro campeão mundial da principal categoria do surf.

Já temos campeões no longboard, no bodyboard e na segunda divisão do surf mundial. As meninas estão quase lá, através da Silvana Lima. E nos homens, Adriano de Souza, o Mineirinho, é a nossa grande esperança. Neste momento que escrevo ele acaba de passar para as oitavas de finais da etapa californiana do Circuito Mundial da ASP. Joel Parkinson, líder do circuito, já deixou a competição. Tem em mãos uma boa oportunidade de se aproximar da ponta do ranking.

Mas nossas esperanças não poderiam ficar por aí. Para um país populoso como o Brasil, com mais de 180 milhões de habitantes, deveríamos ter, pelo menos, e medindo por baixo, 40 atletas em condições de correr o circuito mundial e lutar pelo título. A Austrália, como já citei em texto anterior, e com uma população extremamente inferior a brasileira, com aproximados 20 milhões de pessoas, desenvolve um trabalho fantástico no esporte. Mas não é de comparações que queremos viver.

O Brasil tem condições de sobra para compor um novo cenário no ranking mundial. Basta termos pessoas interessadas em levar o esporte para os extremos da tabela. Ou seja, levar o surf às pessoas de menor condição social e financeira. Vejo que nossos centros fecham-se em nichos organizados e antigos. Grupos que procuram estimular a modalidade entre eles próprios e não procuram abranger um mercado maior.

Claro que se preocupam no seu bem-estar. E não estão errados. Só que precisam sair da sua zona de conforto. Trabalharem a causa. Cansei de olhar grupos como estes, privando novatos e comunidades carentes do acesso ao surf e ao mesmo tempo inflarem discursos calorosos sobre o motivo da não fabricação do campeão mundial em terra brasilis.

A forma de não levar adiante uma informação já basta para atrasarmos ainda mais a evolução do surf brasileiro. A forma de não incentivar novatos e impossibilitados de contactarem o surf é mais um fator que pesa no desenvolvimento. Mas não é só isso.

A socialização, a inclusão, a oportunidade e o aprendizado são fatores essenciais para a formação do ser. E consequentemente para a formação dos seres que virão após este.

Com o tempo, isso trará benefícios a todos, sem distinção de credo, raça, religião ou qualquer outra forma de preconceito que delimite nossos horizontes.

E quanto a mim, enquanto trabalho para esse futuro melhor, neste momento resta-me torcer: Vai Mineirinho! Força Heitor!

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e torce por um futuro melhor tanto dentro, quanto fora d’água.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Tecnologia que faz a cabeça dos surfistas

É preciso estudo para entender gráficos - Foto: Reprodução
Por Bruno Ruy

Com base no texto escrito pelo colunista Henrique Chaves, o Visionário do Surf, falando sobre as ondulações e posicionamento das praias, e dando uma chamada especial comentando sobre os avanços tecnológicos e sobre a importância da Internet hoje em dia, venho aqui dar dicas de como usar os sites e os mapas de previsão das ondas a seu favor.

01. PROCURANDO AS INFORMAÇÕES

A primeira coisa que se deve observar é saber qual as condições ideais de vento e ondulação para o local que você pretende surfar. É importante também conhecer os lugares mais confiáveis e indicados que oferecem esses serviços e fazer um apanhado geral de todos para que depois você possa fazer uma "média". Comece vendo se tem alguma chamada anunciando a chegada de uma grande ondulação.

02. INTERPRETANDO AS INFORMAÇÕES

A conclusão final será mais precisa se você checar diferentes fontes já que cada uma tem informações diferentes e uns podem ser mais detalhados do que outros. É muito importante saber a direção dos ventos, a intensidade deles e o período da ondulação para saber quanto tempo vai durar o swell. Os gráficos de previsão mostram tudo isso, mas é preciso estudo para interpreta-los corretamente. Eles mostram a direção, o tamanho da ondulação e a distância que ela se encontra da costa. Na maioria das vezes a ondulação vem da Argentina, bate com força no Sul do Brasil, sobe para o Sudeste e às vezes vai até o Nordeste, sofrendo um enfraquecimento como passar dos dias. Além disso, existem outros fatores bem mais específicos que influenciam nas ondas, como as condições climáticas, massas de ar quente, entre outros. Mais um detalhe é saber se existe outra ondulação se chocando com a primária, pois isso interfere no resultado final do swell. Para exemplificar, um swell de sudeste (com vento de noroeste) é perfeito para Itacoatiara, mas se existir alguma influência de sul no meio do caminho, o swell tende a girar e já não chega tão bom àquela praia, mais pode ficar bom em outra.

03. CONHECER AS CONDIÇÕES DE CADA PRAIA

Um detalhe que faz toda a diferença é saber que tipo de ondulação e de vento é bom para as diferentes praias que você freqüenta, como foi exemplificado acima com Itacoatiara. No Brasil, a maioria das praias possui fundo de areia, poucos picos têm fundo de pedra ou coral, então é preciso saber se o fundo da areia está bom, pois isso costuma mudar com freqüência.

04. LEVANTAR CEDO

Acorde cedo, isso é primordial! Além de evitar o crowd, você poderá acompanhar a movimentação do swell, que provavelmente estará em transformação durante o dia e pode atingir diferentes praias com condições e intensidades variadas.

05. EQUIPAMENTO DE ACORDO COM A PREVISÃO

O ideal é possuir um quiver bem variado com pranchas para diversas condições de mar. Já vi várias pessoas chegarem em Itacoatiara com apenas uma ou duas pranchas ─ no máximo ─ entre 6 e 6'1". Acaba faltando uma prancha maior, e o cara fica o dia inteiro boiando, pois o mar sobe rápido e a pranchinha já não funciona como deveria. Tem que ser uma prancha média e, em alguns dias, quando rola um mar gigante, é bom levar uma gunzeira. Estar com a prancha certa, no dia certo, é fundamental para você conseguir fazer a cabeça.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado por surf e aproveita da melhor maneira o avanço tecnológico em prol do esporte.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Ondulações e posicionamento das praias

Por Henrique Chaves, (o Visionário do Surf)

A busca pelas ondas certas é uma constante na vida dos surfistas. Principalmente daqueles que não convivem próximos a elas. O tempo para aproveitarmos é tão curto que, ao desperdiçar um dia procurando as melhores condições para curtir um dia de surf, temos a sensação de que aquele período foi perdido. Sempre chegamos na pior hora do mar. E sempre com o crowd insuportável.

Dentro de um carro, pegando trânsito, encarando domingueiros de estrada e chegando ao pico no sol do meio-dia nos coloca na contramão que o avanço tecnológico nos oferece.

Indo de praia em praia e gastando gasolina extermina a nossa paciência. Nos remete ao passado. Décadas passadas. Aonde, além de surfistas, éramos desbravadores de lugares e povoados isolados nos litoral do país.

Aquela era a única forma de saber se, naquela paradisíaca praia, que descobrimos no verão passado, haveria ondas para que pudéssemos nos divertir.

Hoje em dia a coisa mudou. A globalização nos leva a lugares inimagináveis. Aonde possamos estar em tempo real, mesmo que virtualmente. E para isso que temos que usar a internet a nosso favor.

Acessá-la pela manhã e buscar os sites de previsão de ondas e previsão oceânica, antes de nossa queda, nos permite traçar um plano, uma rota, uma meta, uma praia.

Saber como a onda estará quebrando, qual o direcionamento da ondulação, a melhor praia para receber este swell e a que hora do dia estará melhor para surfar é uma obrigação. A nossa cartilha. Nossa lição de casa.

Estude mais os efeitos de uma ondulação e suas direções. Descubra aonde estará o melhor do dia. Faça isso antes de suas quedas. Perca minutos na net. Economize tempo na busca in loco. E assim teremos mais energia, disposição e horas no dia para fazer consumirmos o que mais gostamos: andar sobre as águas; interagir com o oceano; fazer parte da onda.

Isso nos levará atingir a nossa meta: Ser feliz sempre, de preferência surfando, e com ondas incríveis, dentro da possibilidade daquele momento.

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e acredita que todo surfista deve estudar direções de ondulação e vento antes de se deslocar para algum pico.

Surfe para meditar, medite para relaxar

Por Marilia Fakih

Gripe suína, crise no senado, Sarney e aliados zombando mais uma vez da cara do povo, índices de violência que não param de crescer, assassinatos, pedofilia, preconceito, guerras religiosas, extorsão de dinheiro em nome de Deus, conteúdo inútil na televisão... Bem vindo ao caos, 2009, século 21.

Manter a sanidade e o equilíbrio nos dias de hoje não é fácil. Como não se afetar por tanta coisa ruim acontecendo?

O surf é a mais eficiente válvula de escape nesses momentos de estresse indomável. Pegue sua prancha, corra para a praia, mesmo que o mar não esteja lá aquelas coisas, pare diante da imensidão de água e reflita.

Reme para o outside, deslize sobre as ondas, sinta a energia, o contato extremo com a natureza e agradeça, independente de sua fé, de sua crença. Depois de algumas ondas surfadas, você com certeza estará relaxado, purificado e preparado emocionalmente para seguir viagem neste mundo cão.

Sem você não estiver próximo ao mar, o campeão mundial de 1977, o sul-africano Shaun Tomson dá a dica: feche os olhos, imagine-se entrando no mar e surfe, isso mesmo, no seu pensamento.

Já dizia Tomson: "Eu vou surfar uma onda por dia, mesmo que seja na minha mente". Então, antes de meter a mão na buzina no trânsito, antes de xingar o cara que estacionou na vaga que você estava de olho, antes de qualquer situação de raiva que podemos controlar, pare, respire e imagine sua onda perfeita.

É claro que são apenas dicas e nada disso é suficiente para banir o estresse que estamos sujeitos diariamente. Mas é um começo, um pequeno ato, que pode trazer melhorias para sua vida.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tour para a molecada de uma ASP abalada

Pablo Paulino é bicampeão Mundial Junior - Foto: Fábio Minduim
Por Bruno Ruy

Parece que a ASP ficou realmente abalada com as notícias sobre as novas invenções de Kelly Slater. E talvez, por isso, em 2010 pretende colocar na água um novo campeonato para os atletas com menos de 21 anos.

Devido ao sucesso do Billabong World Junior Championships, competição reconhecida pela ASP ─ que já foi vencida por três brasileiros ─, a entidade criou o World Junior Tour. O torneiro terá apenas três etapas no ano de estreia, onde os locais ainda não foram definidos e cada prova contará com 48 surfistas no masculino e 18 no feminino que irão competir em busca de um prêmio bem razoável para quem está "começando" (US$ 75 mil e US$ 20 mil). O julgamento será igual ao WCT. E talvez, a única novidade e a melhor para os surfistas, é que o campeão do Tour ganhará o wildcard para o WQS, onde já entrará como cabeça-de-chave nas provas da divisão de acesso.

Acredito que a ASP está tentando de qualquer maneira minimizar essa especulação do "Tour do Kelly". E, caso seja mesmo verdade, vai se proteger como pode, já que com uma premiação de US$ 75 mil para o campeão no masculino, pode-se dizer que evitará um voo sem escalas dos jovens atrás das altas premiações que o concorrente propõe. Pois quanto aos famosinhos do WCT, será quase impossível segurar.

Bruno Ruy é estudante, apaixonado por surf e acredita que a ASP vai se defender como pode do "tour rebelde" de Slater.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sinceridade é o caminho prazeroso das ondas

Sentimento verdadeiro por um ideal - Foto: Tim Mckenna
Por Bruno Ruy

SINCERIDADE:

De acordo com o dicionário → "[Do lat. sinceritate.] S.f.1. Qualidade de sincero. 2. Franqueza, lealdade, lhanesa, lisura. 3. BOA fé."

De acordo com a realidade → "Sentimento distante, por vezes parecendo estar cada vez mais longínquo das relações humanas."

É certo que novos tempos chegaram para o surf e o mundo. Vivemos a loucura de um capitalismo sem precedentes, ameaças nucleares, rei nascendo negro e morrendo branco, trânsito implacável, aquecimento global, miséria, charlatões no poder saindo com a cara (de pau) impune em vídeos de propina, neguinho jogando criança de prédio e criança jogada na vida. Sem dúvida um "mundo do cão" que para aqueles que ainda possuem o sentimento sincero dentro do peito, não passa de um mundo de possibilidades e por incrível que pareça um mundo que tem muito a ser vivido. O surf através de milênios provou estar acima de tudo e de acordo com esse tal "mundo ainda a ser vivido". O simples deslizar de uma prancha por cima desses mares nunca deixou de ser suficiente para arrancar, mesmo em tempos difíceis, o sorriso sincero de um surfista. Tudo porque ele se entrega, é sincero consigo, com os outros e com seu ambiente que não se limita ao oceano e sim a todo o ecossistema envolvente.

O surf antes de qualquer coisa deve ser sincero, não basta achar legal porque viu um loirinho bronzeado que é uma gracinha ou uma gostosa de biquíni dando mole pra aquele cara com uma prancha de baixo do braço. O sentimento deve ser mesmo verdadeiro para acordar cinco horas da manhã pegar três ônibus com mala e cuia e dropar algumas marolinhas de verão com aquele crowd intenso, tem que ser muito franco consigo mesmo para entrar naquele mar congelante e passar o dia inteiro batendo dente para aproveitar as boas ondas de inverno, precisa-se de disposição de sobra pra encarar as mais pesadas vacas, tem que ser muito leal para até de madrugada ligar o computador e acompanhar brothers botando pra baixo em campeonatos do outro lado mundo, deve-se ter muita hombridade para quando estiver na praia nunca se esquecer de respeitar esta e todo seu entorno, precisa-se de muita paciência para esperar aquela série surgir no horizonte ou para aceitar aquelas épocas intermináveis de pesca da tainha e derivados.

Enfim, não há disfarce, quem ama o surf sinceramente sabe do que falo, pois não se limita apenas aos exemplos acima, amar o surf é senti-lo completo e sinceramente dentro de si. Sem máscaras, estereótipos ou qualquer modelo de surfista que foi inventado por aí, não há o certo ou o errado. Existem surfistas ricos, pobres, médicos, estudantes, desempregados e empresários. Não há regra, o surf é um esporte sem lei, democrático e que apenas impõe, como qualquer um, a limitação de rejeitar aqueles que não se aproximam de coração aberto, com o sentimento a flor da pele e com a BOA fé. Porque como qualquer pessoa, de MÁ fé? Até o surf já está farto.

Bruno Ruy é estudante, colunista do NextSurf e acredita que o sentimento pelo surf deve ser sentido de dentro para fora.

Videomaker: Divisão de tarefa que faz a diferença

Diego Freire e Jafé Brito na missão - Foto: João Carlos
Por Henrique Chaves, (o Visionário do Surf)

Fator essencial para a evolução do surf de qualquer um, a imagem captada através de câmeras de vídeos é fundamental para o desenvolvimento do surf de qualquer surfista que necessite, priorize ou sonhe em um dia ser alguém no âmbito esportivo, na sua comunidade ou em sua praia.

O grupo de amigos que surfa junto tem que estar bem alinhado. Sabemos que é difícil ficar do lado de fora da água enquanto observamos outros a darem seus drops, tubos, batidas e aéreos. O praticante brasileiro não está acostumado a esperar pela sua vez, quando lhe determinam uma missão. A missão de filmar e fotografar. Ainda temos aquela sensação de que somos os únicos prejudicados quando não estamos participando ativamente no momento da ação. Para que seus próximos alcancem um nível superior na execução das manobras e técnicas do surf, é necessário trabalho e dedicação. E o mesmo acontecerá com você quando for a sua vez de ir para o mar. Basta prestarmos um acordo entre cavalheiros, que após um curto período, teremos material suficiente para analisarmos o próprio surf, identificarmos dificuldades em posturas, manobras e questionar entre o grupo a melhoria das mesmas, talvez com aquele que possua mais técnica em uma manobra ou experiência de como fazer para melhorar, a partir das imagens captadas no dia.

Impressiona-me o fato de, em algumas viagens mundo afora, convivi períodos com a nova geração do surf, que estavam armados e montados com diversas tecnologias, tendo estes experimentados todo tipo de mídia, tornado-se especialistas em leitura de onda desde cedo. Claro que o poder aquisitivo ajuda nestas horas. Mas toda noite na qual eu visitava casas de amigos para uma confraternização geral, me deparava sempre, sim, sempre!...com um grupo que passava horas a fio na frente de laptops e imagens que eram inteiramente ´consumidas`por jovens sedentos por uma melhoria nas suas capacidades surfísticas.

Jovens que incluo de idades variadas compreendidas entre 8 e 18 anos. E não falo de profissionais. Falo de interessados por seu crescimento, que consequentemente os levará a elite de seus países e possivelmente mundial.

Portanto nos falta a cultura da prática de dividir-se funções. Uma hora você surfa, outra você filma. Sabemos de pequenos grupos pelo Brasil que conseguem manter uma relação destas. Mas são muito poucos equiparados ao tamanho do nosso litoral. Também não posso comparar com a Austrália, um país totalmente surf, aonde que a totalidade de sua população (ou 80%) mora a menos de 100km da praia.

Mas pense. Veja o circuito mundial da ASP e conte quantos australianos encontram-se entre os 48 primeiros do mundo do ranking atual. Quantos ficaram entre os top 16 ano passado. E aí está uma parte do fruto do trabalho deles.

Então na hora de fazer aquele corre para conseguir suas imagens no surf, saiba que no final das contas, o grande ganhador de tudo isso será você e seus brothers. Conhecimento na tela do computador para transformar-se em técnicas mais apuradas. E ainda montar um vídeo-apresentação para divertir a galera nos próximos encontros noturnos no QG da galera, criando assim uma cumplicidade entre todos.

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e defende a união para a evolução.