quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A responsabilidade social no surf

Por Henrique Chaves (Visionário do Surf)

Falar de surf não é fácil. Ainda mais quando queremos, e desejamos, que o nosso país construa e tenha, de fato, o seu primeiro campeão mundial da principal categoria do surf.

Já temos campeões no longboard, no bodyboard e na segunda divisão do surf mundial. As meninas estão quase lá, através da Silvana Lima. E nos homens, Adriano de Souza, o Mineirinho, é a nossa grande esperança. Neste momento que escrevo ele acaba de passar para as oitavas de finais da etapa californiana do Circuito Mundial da ASP. Joel Parkinson, líder do circuito, já deixou a competição. Tem em mãos uma boa oportunidade de se aproximar da ponta do ranking.

Mas nossas esperanças não poderiam ficar por aí. Para um país populoso como o Brasil, com mais de 180 milhões de habitantes, deveríamos ter, pelo menos, e medindo por baixo, 40 atletas em condições de correr o circuito mundial e lutar pelo título. A Austrália, como já citei em texto anterior, e com uma população extremamente inferior a brasileira, com aproximados 20 milhões de pessoas, desenvolve um trabalho fantástico no esporte. Mas não é de comparações que queremos viver.

O Brasil tem condições de sobra para compor um novo cenário no ranking mundial. Basta termos pessoas interessadas em levar o esporte para os extremos da tabela. Ou seja, levar o surf às pessoas de menor condição social e financeira. Vejo que nossos centros fecham-se em nichos organizados e antigos. Grupos que procuram estimular a modalidade entre eles próprios e não procuram abranger um mercado maior.

Claro que se preocupam no seu bem-estar. E não estão errados. Só que precisam sair da sua zona de conforto. Trabalharem a causa. Cansei de olhar grupos como estes, privando novatos e comunidades carentes do acesso ao surf e ao mesmo tempo inflarem discursos calorosos sobre o motivo da não fabricação do campeão mundial em terra brasilis.

A forma de não levar adiante uma informação já basta para atrasarmos ainda mais a evolução do surf brasileiro. A forma de não incentivar novatos e impossibilitados de contactarem o surf é mais um fator que pesa no desenvolvimento. Mas não é só isso.

A socialização, a inclusão, a oportunidade e o aprendizado são fatores essenciais para a formação do ser. E consequentemente para a formação dos seres que virão após este.

Com o tempo, isso trará benefícios a todos, sem distinção de credo, raça, religião ou qualquer outra forma de preconceito que delimite nossos horizontes.

E quanto a mim, enquanto trabalho para esse futuro melhor, neste momento resta-me torcer: Vai Mineirinho! Força Heitor!

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e torce por um futuro melhor tanto dentro, quanto fora d’água.

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