quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dream Tour pessoal

Viagens alimentam nossos conhecimentos - Foto: Divulgação
Por Henrique Chaves (Visionário do surf)

O surf já se mostrou uma modalidade na qual precisamos conhecer o mar em todas as suas características, suas condições.

Pegar onda nem sempre foi muito fácil. Basta ver e analisar suas próprias sessões. Os profissionais então, que dependem disso para sobreviver, analisam cada detalhe antes de qualquer caída no mar para tirar o máximo de proveito da onda e de suas formas.

Então a viagem pelo surf para ser necessária. Conhecer ondas diferentes: cavadas, gordas, buracos, abertas. Surfar sobre fundos diferentes: artificiais, de areia, de pedra, de coral. Encarar swells: grandes, marolas, overhead, intransponível. Sentir ventos em ângulos com relação a onda: terral, maral, ´ladal`, nordeste, sul.

Para vivenciar todo o surf é preciso se deslocar. Sair da toca de onde foi criado. Encarar as criaturas marítimas vizinhas a sua redondeza, a sua praia, a sua cidade, até ao seu país.

O quesito evolução só acontece quando procuramos. A arte de fluir sobre as ondas de maneira dócil e agressiva ao mesmo tempo só acontece com conhecimento, tempo de água e experimentação. Basta lembrar as primeiras baterias de nossa vida no surf. Recordo uma das minhas. Comecei a surfar no Sapê, praia ao sul de Ubatuba, região conhecida e ´esquecida` pelo seu tamanho pequeno em média no ano todo. Moleque e empolgado com a minha primeira vez que surfaria fora dali, fui levado até a famosa Vermelha do Norte. O potencial desta praia é completamente o inverso de onde eu aprendera o surf. Águas rasas, ondas cavadas, rápidas e fortes. E ainda por cima com um swell grande (para mim na época). 8 anos. E apenas poucas e pequenas ondas gordas no verão do Sapê. Não preciso contar o resto. Fica com a imaginação de vocês.

A partir de então percebi que não adiantaria ficar parado. Parece como mágica, mas claramente decidi investir em viagens na minha vida. Uma decisão sábia, porém muita nova para uma criança da minha idade. Mas desde então eu me liguei mais a isso. E estava certo.

Desta data em diante comecei a buscar, toda vez que viajava, conhecer praias novas. Quando conheci todas da região, comecei a me aventurar por outras no estado. E daí para sair de São Paulo e do país foi um pulo. Roubadas aquáticas eu já passei em todo o tipo de mar. Do maior ao minúsculo. Mas a cada dia que passava eu me especializava. Aprendia mais como a onda reage a alguma variável. E então passei a curtir mais o meu surfe. E claro que estando mais feliz, você procura fazer mais e mais. E é isso o que faço agora. Qualquer brecha é um motivo para viajar, levar a esposa (surfista também) e nossos filhos (as pranchas).

Peço licença que estou tendo uma nova oportunidade neste momento. Fico por aqui. O pessoal no carro já reclama da minha demora.

Henrique Chaves é MBA em marketing esportivo, diretor do Ibrasurf e faz de cada trip uma lição de vida e de surf.

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