segunda-feira, 1 de março de 2010

Superbank ou Kirra? Eis a questão

A mão humana influencia na Gold Coast - Foto: ASP Kirstin
Por Bruno Ruy

A Gold Coast é um pedaço de litoral famoso em todo o mundo por suas incríveis ondas em diversos point breaks. O que a maioria não sabe é que as praias na Gold Coast sempre tiveram a mão do homem para alterar o que antes era natural.

Mineração de areia, estabilização da saída de rios para facilitar a navegação, quebra-mares para a manutenção das praias e muitos outros experimentos.

A última empreitada foi dragagem do rio Tweed no sul da Gold Coast, ao lado de Duranbah. O objetivo era bombear a areia na baía de Coolangatta, pois Kirra sempre perdia enormes proporções de areia na época dos ciclones e a erosão da praia era um problema sem fim. A prefeitura então resolveu solucionar o problema e foi assim que surgiu o Superbank, sem a menor intenção de criar uma onda espetacular.

Porém, como tudo que é bom dura pouco (e lá foi um esculacho), a antes longuíssima onda que começava em Snapper, passando por little Marley, Greenmont e Kirra, terminando no little groyne, (onde antes havia o segundo quebra-mar de Kirra) foi uma doideira durante 1 ano mais ou menos e depois quando os ciclones vieram, o fundo mudou e a onda começou a ficar seccionada. Outro problema e esse bem agravante, foi que onde antes haviam as quatro ondas citadas acima, para todos os níveis de performance, virou uma só e o crowd ficou ainda pior do que já era.

Com a onda do Superbank perdendo sua qualidade original, várias perguntas vieram à tona e aquela que criou mais alarde foi o que poderia ser feito para recuperar a lendária onda de Kirra, que hoje raramente quebra.

Segundo o local e ex-presidente da ASP, Wayne Bartholomew, quando a prefeitura iniciou o projeto de bombear a areia na baía de Coolangatta, eles também modificaram o famoso quebra-mar responsável pela alta qualidade das ondas. "Se em algum lugar do mundo eles tivessem a melhor onda do planeta, não acho que eles deixariam desaparecer. Nós precisamos trazer de volta o big groyne (o quebra-mar grande) para as dimensões de antes do ajustamento. Isso não é teoria, nós temos um banco de dados de 23 anos que prova isso".

O comentário de Rabbit foi seguido de um fórum público atendido por mais de 200 pessoas que procuravam a solução para trazer de volta o lendário tubo de direita, uma das ondas mais desejadas de todo o mundo.

Rabbit ainda diz: "acho que se nos concentrarmos em restaurar a qualidade da onda de Kirra, podemos fazer com certa facilidade, pois não é necessária intervenção estadual (lá também sempre rola problema entre o estado e as prefeituras). Foi a prefeitura da Gold Coast quem construiu o quebra-mar e o modificou, eles então poderiam recuperar as antigas dimensões".

Porém, um pesquisador da Griffith University Gold Coast, encarregado de achar uma solução, diz que uma opção para recuperar os dias gloriosos seria deixar a natureza tomar seu próprio curso.

Neil Lazarov surfa a mais de 20 anos, trabalhou na Surfrider Foundation Australia e chefia o time de pesquisa encarregado em procurar soluções para o problema, ao mesmo tempo em que protege a costa. Ele diz que a qualidade da onda piorou no decorrer dos anos por causa do projeto de dragagem do rio Tweed, que bombeou um excesso de areia na baía de Coolangatta e não houve tempestades com força suficiente para mover a areia adiante.

Ele diz também que várias soluções de engenharia foram postas em prática para evitar a erosão e reposição de areia nas praias nos últimos 20 anos, como dragagem, bombeamento de areia, quebra-mares etc.

"Nós estamos tentando elaborar o projeto junto com a comunidade do surf... se o verdadeiro objetivo for melhorar a qualidade da onda, cada opção possui os prós e os contras e isso fica a critério da comunidade e não da universidade".

Vamos ver o que acontece. A verdade é que sempre que mexemos com a natureza, nunca sabemos realmente no que vai dar. O que possuímos são inúmeras estatísticas de todos os tipos que podem nos dar uma falsa previsão dos fatos, visto que casualidades podem ditar o curso dos acontecimentos.

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