domingo, 27 de dezembro de 2009

2010 é hora de investir em nosso quintal

É preciso investir em nossos atletas - Foto: Eric Tedy
O surf terá um ano decisivo em 2010. A tentativa da ASP de agitar o esporte com mudanças nas regras da principal competição mundial e o calendário de provas mostram que existe grande insatisfação com o cenário atual. Sob ameaça de ver as feras do circuito se debandando para um "tour paralelo", os homens que mandam no "circo" procuram alternativas para tornar a competição mais emocionante. A saída é turbinar os prêmios e fala-se em distribuir 12 milhões de dólares entre todas as categorias.

Essa medida, por um lado, aumenta o apetite dos atletas, mas acaba encarecendo a organização dos eventos e reduz as etapas da elite. Piora a coisa a instabilidade climática que não permite que se tenha certeza de boas ondas em vários picos e a distância entre uma competição e outra leva ao desinteresse da grande mídia. A consequencia é que o surf fica sem divulgação constante e não consegue aumentar sua influência e ganhar mais adeptos. Já não são poucas as pessoas com água salgada nas veias que reconhecem a necessidade de o futuro trazer as piscinas artificiais que permitirão uma programação mais regular das etapas e a prática do surf em países onde a natureza não foi generosa na hora de distribuir as esquerdas e direitas.

Enquanto esse "futuro in-door" não chega, o Brasil precisa aproveitar para falar alto no mundo das pranchas. Temos mais de oito mil quilômetros de costa, onde se destacam picos emocionantes e podemos nos organizar para mandar bem nas provas que acontecem aqui, não só na etapa do "Dream Tour". Porém, não adianta fazer bonito quando os gringos pintam por aqui e esquecer de nosso quintal. O mais urgente, agora, é apoiar nossos atletas, não só para conseguirem marcas internacionais, mas para darem espetáculos em casa, o que vai estimular a nova geração a gostar do esporte.

Precisamos de idéias criativas para nossas competições nacionais despertarem interesse não só da galera ligada no mar, mas trazer novos adeptos. Viver de um grande nome de sucesso internacional como Mineirinho que está se transformando em californiano é repetir a sina do tênis que teve Guga como fenômeno e quando ele declinou voltou a ser secundário. O exemplo vem do vôlei que investiu nos novos, teve patrocínio, foi para a mídia e hoje é referência mundial. Vamos arrumar nosso quintal e sair para conquistar os mares internacionais.

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