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| Teahupoo flat - Foto: ASP CI / Kirstin |
Das características que tornam o surf um esporte especial e emocionante, o grande destaque é sua integração com a natureza. Não basta ao atleta ter talento, coragem e preparo físico: é preciso que o mar lhe dê o cenário para sua atuação. Sem uma bela e desafiadora morra, ninguém pode mostrar que é fera. O problema é que esse ponto positivo também é uma grande desvantagem nestes tempos em que vale muito a exposição na mídia.
Competidores, organizadores de eventos, patrocinadores e jornalistas especializados vivem reclamando da falta de espaço que o esporte, notadamente no Brasil, consegue na TV. Para os amantes do surf, a beleza e audácia das manobras dos seus ídolos valeriam mais transmissões direta e maior divulgação dos campeonatos. Os veículos rebatem a queixa, lembrando que a imprevisibilidade da natureza impede que isto aconteça, pois não é possível conciliar as grades de programação com as baterias das competições.
Os puristas ficam irritados quando se diz que a solução do problema virá com as piscinas artificiais, que já começam a serem montadas em várias partes do mundo. Tendo ondas garantidas nos horários determinados pelos canais de televisão, o esporte poderá ser facilmente organizado. Mas, e a integração com a natureza? Como fica intuição para saber que é a hora de arriscar tudo que os atletas de ponta possuem?
Com certeza, o tema ainda dará muito o que falar, no entanto, fica difícil fugir da realidade. A recém-acabada etapa do circuito mundial em Teahuppo é exemplo de como está difícil prever a duração de um evento. Pode-se perder dez dias esperando o swell e, depois, obrigar os surfistas a disputarem três duelos num único dia em condições ruins. Apenas, canais dedicados exclusivamente ao esporte poderiam acompanhar esse ritmo, mas isto não interessa a quem ganha dinheiro com o surf. Então, tudo indica que o futuro será do artificial, mas o natural sobreviverá como estilo de vida.

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