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| Raoni Monteiro encara tubos sem patrocínio - Foto: Daniel Smorigo |
O anúncio de que mais uma equipe forte do vôlei brasileiro vai ser fechada, aparentemente, nada tem a ver com o surf. Esta é uma impressão falsa, uma vez que o que está acontecendo com um esporte, onde o Brasil é bi-campeão olímpico e se transformou em potência mundial, serve de alerta para todos que desejam ver o desenvolvimento sadio e sustentado do surf. Afinal, a crise nas quadras se deve aos conflitos de interesse dos que faturam com o sucesso das competições, sem grandes preocupações com os atletas. E isso não é muito diferente na vida sobre as pranchas.
O vôlei criou uma elite de astros que conseguem salários astronômicos, dão status nas telinhas da TV e são ótimos garotos e garotas-propaganda. Enquanto surgia esse grupo, esqueceu-se dos coadjuvantes, dos atletas que se empenham em quadras de todo o Brasil para que continuem existindo equipes formadoras de bons jogadores. Em paralelo, os patrocinadores se desentenderam com a mídia e na briga dos "cachorros grandes" sobrou para os menores. Há um risco muito grande de acontecer a mesma coisa com o surf.
A globalização econômica, o desenvolvimento acelerado da indústria do entretenimento, a valorização extrema do consumismo pela publicidade e a ânsia cada vez maior da mídia por audiência e faturamento mudaram totalmente os conceitos do esporte. Hoje, o que importa é quanto entra a mais no caixa das TVs e quanto se vende a mais de produtos para os patrocinadores.
Neste mar de interesses, se for preciso afogá-la uma estrela em ascensão, mata-se uma equipe e transforma-se o sonho da onda perfeita no pesadelo de uma vaca. É preciso criatividade das lideranças do surf para valorizá-lo e trazer o público para o lado dos atletas, antes que a moda mude e, como acontece com o vôlei brasileiro, não interesse mais aos donos da comunicação, divulgar esse esporte. Os sinais de alerta estão acessos.

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